Quando Flávia Fröhlich assumiu a presidência do Sindicato dos Contadores e Técnicos em Contabilidade do Vale do Rio Pardo (Sindicontábil), tornou-se apenas a segunda mulher, em mais de 76 anos de história da entidade, a ocupar o cargo. A relação com a profissão começou ainda na infância, acompanhando o pai, contador, em reuniões e atividades da classe. Com o tempo, a convivência se transformou em escolha profissional, formação acadêmica e participação ativa na entidade, até chegar ao posto mais alto da instituição.
Flávia reconhece que, no início da carreira, foi necessário demonstrar segurança e domínio com mais intensidade para que a competência fosse vista. “Existiu, sim, uma necessidade maior de mostrar preparo. O reconhecimento vem com consistência, conhecimento e posicionamento firme”, observa.

Seja pela inserção tardia no mercado de trabalho ou pelo preconceito enraizado na sociedade, ver mulheres na liderança do mundo corporativo ainda é incomum. Em 2023, apenas 38% dos cargos de gestão dentro das empresas eram ocupados por trabalhadoras. Os dados são de uma pesquisa da FIA Business School e englobou 150 empresas brasileiras que foram premiadas com o selo “Lugares Incríveis para Trabalhar 2023”, um ranking que analisa as práticas de gestão de pessoas entre os requisitos de pontuação.
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Além disso, um estudo mais amplo do Instituto Talenses e do Núcleo de Estudos de Gênero do Insper apurou que apenas 17,4% das empresas brasileiras possuíam líderes femininas em 2025. Segundo a professora Cheron Moretti, pesquisadora em Educação da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), o índice mostra uma realidade mascarada. “Essa desigualdade acompanha a trajetória profissional das mulheres. A presença delas em cargos de decisão desafia uma compreensão histórica, de que a autoridade é um traço masculino”, afirma.
Há avanços, mas elas seguem sendo minoria
Os índices do estudo versam sobre mulheres que estão no mercado formal. A professora Cheron Moretti destaca que muitas não têm direitos trabalhistas ou sequer conseguem inserção. “Um terço das mulheres estão fora do mercado de trabalho. Gostariam de trabalhar, mas estão impedidas porque o ambiente doméstico necessita da sua atuação nessa sociedade estruturada de maneira patriarcal”, reforça.
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No Vale do Rio Pardo, com grande presença feminina na agricultura, as mulheres ocupam, além do papel do lar, a parceria no protagonismo da produção rural. “A realidade do ponto de vista da desigualdade social, dos desafios quando as mulheres assumem atividades e responsabilidades de direção e de condução seguem os mesmos”, ressalta Cheron.
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Para Flávia Fröhlich, o avanço das mulheres no mercado é visível, mas ainda não se reflete na mesma proporção nos espaços institucionais e de representação. “Hoje temos muitas mulheres liderando escritórios e atuando na profissão, mas quando falamos de entidades e cargos estratégicos, essa presença ainda precisa crescer. A competência não tem gênero, mas as estruturas precisam acompanhar essa realidade”, avalia.
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Apesar das barreiras, o desejo de ocupar esses espaços é cada vez mais comum. Para Flávia, a mudança passa por preparo, participação e confiança. “As mulheres precisam buscar formação sólida, participar dos debates e se colocar nos espaços institucionais. Não dá para esperar que o lugar seja concedido. É preciso estar pronta para ocupá-lo”, afirma. É esse movimento, ainda marcado por obstáculos invisíveis, mas cada vez mais presente, que se repete em empresas, entidades e também no empreendedorismo, onde muitas encontram oportunidade de decidir o próprio caminho.
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) mostram que as mulheres representam mais de 43% da população ocupada no Brasil, mas continuam em minoria nos cargos de gestão. Das cerca de 101 milhões de pessoas ocupadas identificadas pelo levantamento, perto de 43 milhões são do sexo feminino.

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Dificuldade comprovada cientificamente
Uma teoria explica o fenômeno: a “glass ceiling” – em português, “teto de vidro”. Ela é desenvolvida por pesquisadoras em âmbito mundial que estudam o comportamento social em relação às mulheres, como as psicólogas americanas Linda Carli e Alice Eagly. Segundo elas, o nome é uma analogia às barreiras sociais atribuídas às mulheres. Na prática, a teoria explica que mesmo com um aumento de mão de obra feminina nas empresas por qualificação acadêmica, estas tendem a ser minoria em posições de poder.
As cientistas ainda concluíram, a partir de estudos, que as mulheres que chegam na posição de chefia precisam enfrentar mais desafios para se tornarem líderes na comparação com homens. É o “labirinto da liderança”. Entre essas dificuldades, ainda segundo a pesquisa, está o estereótipo atribuído a trabalhadoras de que elas não são “fortes o suficiente”.


Apoio e incentivo impulsionam para o topo
Enquanto vice-reitora da maior instituição de Ensino Superior da região, a Unisc, Andréia Rosane de Moura Valim precisa usar de sua força diariamente. Além de ser a responsável por gerenciar os campi de Venâncio Aires, Sobradinho, Capão da Canoa e Montenegro, segue na atuação como pesquisadora, professora, orientadora e mãe.
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A trajetória de Andréia mostra que as mulheres também são líderes natas. Ingressou como professora do curso de Farmácia em 2002. “Fui coordenadora por quatro anos e fiquei por um tempo como pesquisadora. Depois, vim para a reitoria, onde estou desde 2010. O professor Vilmar Thomé era o reitor na época e me convidou para ser coordenadora de Pesquisa. Depois, fui pró-reitora de Pesquisa.”
De cargo em cargo, aceitou o convite para concorrer a vice-reitora em 2021 e foi eleita ao lado do professor Rafael Henn. Conta que o incentivo da família e de colegas de trabalho foi fundamental para chegar a isso.

Algumas mulheres podem não se identificar com a posição de poder ou não ter perfil para isso. No entanto, a ascensão na carreira, como aconteceu com Andréia, também depende de outros fatores, como o encorajamento e a preparação para os cargos. Isso porque muitas empresas persistem no erro de não incentivar as funcionárias para que desejem a liderança e, com isso, elas acabam perdendo essa vontade. O desejo pode ser diretamente influenciado pelo encorajamento do ciclo social, desde amigos e família até os colegas e gestores.
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Segundo Sandra Iepsen, diretora de uma empresa de desenvolvimento de pessoas, as mulheres geralmente querem estar no topo, mas acabam abrindo mão do desejo. “O medo do julgamento e de não darem conta ou a crença de que precisarão trabalhar em dobro para serem reconhecidas acabam falando mais alto”, reforça.
Mulheres negras enfrentam mais barreiras
Há barreiras sociais para trabalhadoras assumirem posições de liderança, mas quando se trata de mulheres negras, o teto de vidro requer muito mais força para ser quebrado. Se mulheres na gestão representam menos de 20% das empresas, quando se trata de lideranças pretas, o índice cai para 10% (homens e mulheres). São dados do Instituto Talenses e do Núcleo de Estudos de Gênero do Insper.
Uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que a discriminação racial surge como a maior barreira para o crescimento profissional. Esse fator também incide na questão salarial. “Os melhores salários são atribuídos às mulheres brancas e as mulheres negras ainda não alcançam as mesmas condições – de trabalho ou salariais”, diz a professora Cheron Moretti.
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Além disso, a falta de acesso e desenvolvimento profissional impacta esses avanços. A pouca presença de pessoas pretas em espaços como universidades é reflexo da falta de oportunidades – as cotas são uma alternativa de política pública de entrada, mas as que garantem a permanência nesses espaços ainda fazem falta.
Ademais, o preconceito também desestabiliza a saúde mental de mulheres negras. Muitas têm dificuldade de se sentirem merecedoras dos espaços. “Existem muitas mulheres negras empreendedoras que não se veem assim. Por exemplo, a mulher que criou toda uma família vendendo seu churrasquinho. Ela é uma empreendedora. O mesmo vale para diaristas, domésticas, cozinheiras”, afirma Cíntia Mara da Luz, ativista do movimento negro e do empreendedorismo feminino.

Direitos são assegurados
A falta de ascensão feminina nas corporações reflete uma maior necessidade de políticas públicas para colocar em prática o que a lei defende como igualdade. Segundo a advogada trabalhista Suzete Reis, diversas são as previsões legais para garantir isonomia no mercado de trabalho para as mulheres e muitas delas são efetivas na prática.
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“Algumas são observadas na grande maioria das vezes, não na integralidade, como a licença- maternidade. A trabalhadora gestante tem direito, em regra, a 120 dias após o parto. Nós também temos uma garantia constitucional que é a proteção ao emprego, ou seja, a trabalhadora tem o emprego assegurado da concepção até cinco meses após o parto”, explica.
A legislação também prevê a possibilidade de as mulheres converterem o período em indenização quando as empresas descumprem a regra. Além disso, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) prevê expressamente no artigo 461 a igualdade salarial entre pessoas no mesmo cargo, independentemente do gênero.
São normas que demonstram o reconhecimento das dificuldades da mulher no mercado de trabalho. Reflexo desses desafios é um estudo divulgado pelo governo do Estado no Dia Internacional da Mulher. Segundo os dados, elas são maioria nas empresas do Rio Grande do Sul, mas ainda têm salários correspondentes a 76% dos masculinos.
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Em reconhecimento a essas desigualdades, o Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região, que alcança todo o Rio Grande do Sul, tem decisões que buscam garantir a proteção das trabalhadoras. “Um instrumento importante é a adoção do protocolo para julgamento, que foi instituído por uma resolução do Conselho Nacional de Justiça e obriga que juízes e tribunais no Brasil incorporem a perspectiva de gênero nos processos judiciais. O objetivo disso é combater a reprodução de estereótipos, a violência institucional e a discriminação”, ressalta a advogada.
Dados apontam que, em algumas empresas, o mínimo não é respeitado. A professora menciona que processos envolvendo assédio no trabalho aumentaram 40% em 2025 – somaram mais de 140 mil ações. “Algumas pesquisas do Tribunal Superior do Trabalho apontam que cerca de um terço das mulheres trabalhadoras já sofreram assédio sexual no ambiente de trabalho”, ressalta Suzete Reis.
Mulheres que sofreram assédio no ambiente profissional podem denunciar por meio de plataforma online do Ministério Público do Trabalho. Também é possível ligar para o Disque 100 (Direitos Humanos) e o Disque 180 (Central de Atendimento às Mulheres).
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No empreendedorismo, elas tomam as decisões
Para muitas mulheres, a liderança não acontece dentro das corporações, mas fora delas. O empreendedorismo tem se tornado um caminho para quem deseja autonomia, reconhecimento e espaço para decidir os próprios rumos profissionais. Ainda assim, assumir esse lugar nem sempre é natural. Em muitos casos, a dificuldade não está apenas nas oportunidades, mas na forma como as mulheres foram ensinadas a se enxergar ao longo da vida.
Sandra Iepsen afirma que durante anos evitou ocupar posições de destaque, mesmo estando preparada para isso. Formada em Engenharia de Produção e com quase duas décadas de atuação na indústria, ela conta que costumava participar de reuniões com líderes sem se posicionar. “Eu sentava nas mesas de decisão, tinha ideias, mas não falava. Queria ser reconhecida sem me mostrar”, lembra.
A mudança começou quando passou a investir em processos de autoconhecimento. Segundo ela, ajudaram a entender comportamentos aprendidos desde a infância e que muitas vezes limitam a atuação profissional. “A gente foi educada para fazer o que era possível, não para ocupar espaços. Muitas mulheres não se colocam porque não se sentem prontas, mesmo estando”, observa.
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Foi depois dessa virada que Sandra deixou a indústria e passou a atuar com desenvolvimento humano, criando programas voltados principalmente ao público feminino. A experiência mostrou que a dificuldade de crescer na carreira nem sempre está ligada apenas à falta de oportunidades, mas também à sobrecarga de papéis e à expectativa social que ainda recai sobre as mulheres.
“A gente se adapta ao mercado, assume responsabilidades no trabalho, mas continua carregando a estrutura da casa, da família, de tudo. Isso pesa e muitas vezes faz com que a mulher nem se permita querer mais”, afirma.
Segundo ela, quando encontram espaço para decidir e construir o próprio caminho, muitas mulheres descobrem que têm capacidade de liderar – mas antes precisam acreditar nisso. “Não é fazer mais, é fazer melhor. É se perceber, entender o que quer de verdade e dar passos na direção disso. A gente precisa viver, não só sobreviver”, resume.

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Como as empresas podem acelerar a igualdade de gênero
Além do direito à igualdade, um relatório da empresa americana de auditoria e consultoria Grant Thornton apresenta comprovações de que o desempenho das corporações aumentou após a maior adesão de mulheres na gestão.
“Homens e mulheres são diferentes em suas experiências, desafios e necessidades ao longo da vida profissional e pessoal, e essas diferenças precisam ser reconhecidas para que as condições de desenvolvimento sejam realmente justas”, explica Sandra Iepsen. Ela também reforça que os ambientes precisam promover políticas e considerar as particularidades de cada trajetória. “Empresas que compreendem essa distinção avançam mais rápido, pois constroem ambientes mais humanos e inovadores”, observa.
A Grant Thornton elencou ações que as empresas de médio a grande porte podem exercer para acelerar a igualdade de gênero:
- Definir metas para os cargos de liderança: a primeira dica é organizar metas de porcentagem de mulheres na gestão que gostariam de atingir, como forma de compromisso com a igualdade de gênero.
- Incentivar o desenvolvimento profissional de mulheres: o relatório reforça o auxílio para a ascensão desse público, desde o ingresso na empresa. Isso pode ser realizado a partir de apoio, networking e mentorias.
- Incentivar empresas parceiras pela igualdade: a última dica diz respeito ao comportamento externo e influência que as empresas podem ter, de modo a impactar outras entidades para que adotem metas e estratégias relacionadas.
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Romper para concretizar sonhos
Se para algumas mulheres a liderança surge depois de um processo de autoconhecimento, para outras ela aparece como ruptura. Foi assim com a pedagoga Luiza Benevenga, que decidiu deixar a estabilidade de um emprego formal para abrir o próprio negócio em uma cidade onde não tinha rede de contatos nem experiência no ramo. Hoje é proprietária do Trela Bar, inaugurado recentemente em Santa Cruz do Sul, depois de uma mudança que, segundo ela, começou com uma pergunta simples: “qual é o meu sonho?”.
Durante sete anos, Luiza trabalhou como gerente em uma escola de Educação Infantil. O emprego era estável, o ambiente era bom e a relação com a equipe, próxima. Ainda assim, havia a sensação de estar vivendo um projeto que não era o seu. A vontade de empreender não era nova. Anos antes, ela já havia tentado abrir um pequeno negócio, mas acabou retornando ao emprego formal.
O desejo, porém, permaneceu. Há cerca de um ano, decidiu que não queria mais adiar a mudança. Pediu demissão, juntou economias e veio para Santa Cruz com a ideia de abrir um bar, mesmo sem experiência na área e ouvindo, de diferentes lados, que o plano era arriscado demais.
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“Muita gente dizia que eu era louca, que não conhecia ninguém aqui e que podia dar errado. Mas eu sentia que precisava tentar. Eu não queria continuar pensando em como seria se eu tivesse feito”, relata. A decisão exigiu planejamento, mas também coragem para lidar com incertezas. O investimento foi limitado, o local precisou ser adaptado e, em alguns momentos, a dúvida apareceu. Mas ela seguiu.
Para Luiza, empreender também significou assumir o próprio protagonismo, algo que, segundo ela, muitas mulheres demoram a se permitir. “Eu percebi que estava vivendo o sonho dos outros e não o meu. Eu queria ser protagonista da minha história”, conta. A mudança trouxe desafios diários, mas também a sensação de realização que não encontrava antes. “Não é fácil, tem dias que dá medo, tem dias que dá vontade de chorar, mas hoje eu sei que estou fazendo o que eu queria fazer.”

Beleza com propósito social
Empreender também pode ser um caminho de reconstrução pessoal. Foi assim com Taty Silveira, proprietária do Studio de Cachos Taty Silveira, em Santa Cruz do Sul. Antes de abrir o negócio, ela passou por diferentes profissões, mas sentia que faltava algo que lhe permitisse decidir os próprios rumos, dentro e fora do trabalho.
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Ao longo dos anos, trabalhou como florista, secretária e comerciária, até perceber que precisava de uma alternativa que lhe desse mais liberdade com a vida familiar. A mudança começou na garagem de casa, onde montou seu primeiro espaço. O que no início era apenas uma fonte de renda resultou em um processo profundo de transformação pessoal e profissional.
Na época, Taty ainda alisava o cabelo e não havia passado pela transição capilar. A busca por produtos menos agressivos e técnicas diferentes foi o que a levou a repensar o trabalho e a relação com a própria imagem. “Foi um processo dolorido, porque todo o referencial de beleza que eu tinha foi por água abaixo. Desde os 12 anos eu alisava o cabelo. Foi uma transição completa, capilar, de carreira e de vida”, conta.
A mudança de perspectiva redefiniu também o propósito do negócio. O salão passou a se especializar no cuidado com cabelos com curvatura, atendendo um público que, segundo ela, ainda encontra pouco espaço no mercado. “Percebi que havia um nicho desassistido. Criei meu método próprio de corte. Ali havia uma nova e mais leve maneira de empreender.”
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No ano passado, essa maneira de empreender foi reconhecida. Em celebração ao Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, Taty recebeu, em julho de 2025, a Medalha Preta Rosa na Assembleia Legislativa.
Ainda assim, ressalta que o empreendedorismo também lhe surgiu como alternativa diante das desigualdades que ainda marcam o mercado de trabalho, especialmente para mulheres negras. Ao longo de sua trajetória, precisou provar repetidas vezes sua capacidade profissional para conquistar espaço. “Como afroempreendedora, sinto que ainda somos pouco reconhecidas. Precisamos trilhar um caminho mais árduo, é preciso ter muita resiliência, pois o racismo e o preconceito de gênero estão presentes no nosso dia dia.”
Hoje, ela define o sucesso de forma diferente do que imaginava no início da carreira. “Para mim, sucesso é saber que transformei e impactei de maneira positiva milhares de vidas. Isso é beleza com propósito social.”

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