Pacientes com hemofilia estão enfrentando desde novembro racionamento de produtos essenciais para a sobrevivência, os hemoderivados, em oito Estados. A recomendação é de que a quantidade suficiente para o controle seja entregue mensalmente. Por razões que o Ministério da Saúde não informou, os frascos dos derivados de sangue têm sido entregues em quantidade insuficiente, obrigando pacientes a reduzir a dosagem e a se deslocar várias vezes no mês para obter uma quantidade mínima do produto.
A hemofilia é uma doença congênita. Pacientes com o problema têm deficiência nas proteínas que atuam na coagulação do sangue. Aqueles com hemofilia A têm deficiência no fator VIII. Já os com hemofilia B, a deficiência ocorre no fator IX. Em razão da doença, os pacientes apresentam sangramentos, muitas vezes espontâneos. Hemoderivados, que antes eram usados apenas para conter as crises, agora também são considerados como prevenção. Pacientes são medicados com o derivado não só para tratar, mas para evitar que a crise aconteça.
Mariana Batazza Freire, vice-presidente da Federação Brasileira de Hemofilia, afirma que o problema se repete no Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Rio, Ceará e Paraíba. “Houve uma redução significativa da distribuição feita pelo Ministério da Saúde. Com isso, os estoques dos Estados, que eram de dois, três meses, acabaram. E sem estoques o racionamento piorou.”
Publicidade
Segundo o Estado de São Paulo, a federação já alertou o ministério sobre o drama enfrentado pelos pacientes. A resposta recebida foi que o problema seria solucionado neste mês. “As informações prestadas foram insuficientes.”
Sem falta
Em nota, o Ministério da Saúde limitou-se a afirmar não haver falta do medicamento. E que os estoques estariam sendo regularizados a partir deste mês. A pasta não informou as razões da redução da distribuição, tampouco as medidas que eventualmente tenham sido adotadas para evitar que o problema se repita.
Publicidade