Mesmo após uma década de redução constante na desigualdade entre os salários femininos e masculinos, as mulheres ainda ganham, em média, 70,7% do que recebem os homens no Brasil. É o que mostra a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), divulgada nesta sexta-feira, 13, pelo IBGE.
Os dados, referentes a 2014, indicam que o rendimento médio de uma mulher no país era de R$ 1.480, enquanto o dos homens era de R$ 1.987. Elas, portanto, receberam em média R$ 507 a menos do que eles. Houve tímida melhora dessa relação, de 0,3 ponto percentual, entre 2013 e 2014.
A distância salarial entre os sexos está em trajetória de queda há dez anos -em 2004, elas recebiam 62,9% do rendimento deles. Mas, no ritmo atual, ainda serão necessários entre 15 e 20 anos para que as mulheres atinjam remuneração equivalente a dos homens, segundo Rodrigo Viana, diretor-executivo da empresa de recrutamento Talenses.
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O fenômeno não é exclusivo do Brasil, diz Viana, mas o país está mais atrasado do que outros, como Estados Unidos e alguns europeus, na redução da desigualdade salarial.
DIFERENÇA GERACIONAL
Viana lembra que a presença da geração X -nascida entre os anos 1960 e 1980- no mercado de trabalho se caracteriza pela predominância masculina, uma vez que a cultura da mulher como dona de casa predominava à época. Os jovens de então são diretores e gestores das empresas de hoje.
“Temos aí, então, 30 anos de distorção para corrigir, não só no mercado de trabalho formal, mas na sociedade como um todo”, disse Viana. “Infelizmente, ainda vigora em empresas mais tradicionais, principalmente em setores industriais, a visão de que mulheres não servem para ocupar posições de peso na administração.”
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Segundo o analista, em empresas de bens de consumo e tecnologia a discrepância salarial entre os sexos já é bem menor. Estes segmentos, afirma, já têm trabalhadores da geração Y -nascidos entre os anos 1980 e 2000- em cargos de alta gerência e direção.