Domingo, 15. O relógio marcava 19h30 quando a Cinemateca Capitólio, em Porto Alegre, iniciou a distribuição das pulseiras douradas para o público assistir, na telona, à transmissão do Oscar 2026. Nesse momento, uma enorme fila havia se formado na Rua Demétrio Ribeiro. Quando acabaram os 170 ingressos para assistir na sala, outros 40 foram distribuídos para acompanhar a cerimônia no segundo andar do edifício.
O Magazine viajou até a capital gaúcha e acompanhou, no Capitólio, o Brasil na premiação mais famosa da sétima arte. A escolha não poderia ser melhor: trata-se de um dos poucos cinemas de rua do Rio Grande do Sul em atividade, que chama a atenção pela sua linda arquitetura, pelo letreiro iluminado e, é claro, por uma excelente curadoria, exibindo clássicos do cinema gaúcho, brasileiro e mundial.

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Assim que todos entraram na majestosa sala, um clima de alegria, ansiedade e tensão pairou no ar. Ainda que todos torcessem e esperassem que o Brasil saísse vitorioso em alguma das cinco categorias nas quais estava presente (quatro com O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, e uma para o trabalho de Adolpho Veloso em Sonhos de Trem, competindo em Melhor Fotografia), havia o entendimento de que se tratava de uma briga difícil. Ou, como reza o título de uma das músicas que integram a trilha sonora do filme brasileiro: A Briga do Cachorro com a Onça, da Banda de Pífaros de Caruaru.
Marcus Mello, crítico de cinema santa-cruzense que atua no Capitólio, se disse muito satisfeito com a energia e entusiasmo da plateia. Para ele, foi uma noite de celebração do cinema brasileiro, que tem conquistado cada vez mais reconhecimento.
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Entre os presentes estava o crítico de cinema Cristian Verardi, integrante do Júri da Crítica do 53º Festival de Cinema de Gramado e curador da mostra A Vingança dos Filmes B, realizada no Capitólio. Para tornar a noite ainda mais especial, decidiu participar de um bolão com cinéfilos que fizeram sua aposta para os vencedores das estatuetas. A atividade tornou-se uma tradição bastante aguardada.
Das 24 categorias, Cristian acertou 18, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator, duas em que O Agente Secreto estava competindo. Errou a de Melhor Filme Internacional, apostando no filme brasileiro, que perdeu para Valor Sentimental. “Acho que foi uma boa média”, pondera.


Reflexões sobre os vencedores
Na avaliação do crítico de cinema Cristian Verardi, o Oscar 2026 foi uma edição fácil de antecipar os vencedores. Para ele, Uma Batalha Após a Outra apenas confirmou seu favoritismo no quesito melhor filme e roteiro adaptado, assim como Michael B. Jordan era uma aposta certa como melhor ator por seu trabalho em Pecadores, a despeito da torcida brasileira por Wagner Moura.
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Já a vitória de Valor Sentimental como Melhor Filme Internacional, no lugar de O Agente Secreto, gerou frustração, mas não causou surpresa. “Ambos são excelentes e chegaram com força ao Oscar, mas ficou evidente que os votantes da Academia ainda preferem premiar filmes mais convencionais, produções que não se arriscam dramaturgicamente, e isso é de lamentar.”
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O crítico de cinema santa-cruzense Marcus Mello, que trabalha na Cinemateca Capitólio, afirma que, apesar de torcer para os brasileiros indicados, considerava pouco provável a vitória. “No ano passado o Brasil já levou o Oscar de melhor filme internacional, e a chance de isso se repetir apenas um ano depois era mínima”, frisa.
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Em relação a Wagner Moura, Mello afirma ser “muito raro” um ator de língua não inglesa levar o prêmio. Já Adolpho Veloso, na sua avaliação, perdeu para uma grande concorrente, que também fez história, por ser a primeira mulher negra a conquistar o Oscar de melhor fotografia. “Obviamente fiquei triste por não termos ganho. Só idiotas torcem contra o seu país. Mas o orgulho e a felicidade por ver o cinema brilhando tanto mundo afora se mantém intacto”, afirma.
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