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EM MEMÓRIA

O adeus a duas lendas: cinema se despede de Tom Noonan e Robert Duvall

Tom Noonan e Robert Duvall faleceram no último fim de semana

No fim de semana em que o Brasil celebrava a maior festa popular do mundo, o Carnaval, o cinema norte-americano estava em luto com a partida de dois de seus grandes atores. No sábado passado, dia 14, morreu Tom Noonan, aos 74 anos. O falecimento foi noticiado apenas na quarta-feira, 18. Já no domingo, dia 15, a sétima arte perdeu Robert Duvall, que faleceu aos 95 anos. A causa da morte dos atores não foi divulgada.

Tanto Noonan quanto Duvall tiveram trabalhos notáveis no cinema, com papéis que, mesmo após décadas, continuam sendo cultuados pelos fãs. E, embora a carreira de ambos tenha sido marcada por papéis secundários, a presença deles em tela roubava a atenção dos espectadores. Mesmo após terem partido, suas atuações seguirão eternizadas nas obras de que fizeram parte e contribuíram para que se tornassem clássicas.

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Tom Noonan

Nascido em 12 de abril de 1951, em Greenwich, no estado de Connecticut (EUA), Tom Noonan apareceu em 84 filmes, séries e documentários, de acordo com o Internet Movie Database (IMDb). Durante a primeira metade da década de 1980, atuou como figurante em seus primeiros trabalhos. Porém, foi questão de tempo até chamar a atenção da indústria.

Tudo mudou em 1986, ao ser escalado para participar da adaptação de Dragão Vermelho (primeiro livro da saga de Hannibal Lecter). Em Caçador de Assassinos, de Michael Mann, Noonan vive o assassino Francis Dollarhyde, que matava famílias inteiras a cada lua cheia. Iniciaria uma nova fase na carreira do ator. Com sua voz mansa e olhar ameaçador, Noonan passou a se destacar no papel de vilão.

Noonan deu vida ao assassino Francis Dollarhyde

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RoboCop 2 (1990), de Irvin Kershner, atesta o seu talento para viver criminosos. Ele interpreta Cain, um traficante de drogas que conduz os negócios como se fosse líder de um culto. O ator transforma o bandido em uma figura messiânica, que não precisa agir com violência, já que tem capangas para fazer o serviço sujo. O talento de Noonan fez com que Cain se tornasse um dos vilões mais icônicos da franquia de ficção-científica.

Já em O Último Grande Herói (1993), de John McTiernan, sátira sobre o cinema de ação, o ator marcaria presença em dois papéis. Primeiro como o antagonista, Ripper, um maníaco com um machado responsável por matar o filho de Jack Slater (Arnold Schwarzenegger). E quando os personagens quebram a quarta parede e invadem o “mundo real”, ele interpreta a si mesmo na estreia do filme de Slater.

Entre um psicopata e outro, o ator aliou-se aos mocinhos em Deu a Louca nos Monstros (1987), de Fred Dekker, uma aventura de horror na qual deu vida à criatura de Frankenstein. Dividindo a tela com Drácula, Monstro da Lagoa Negra e o Lobisomem, Noonan transformou o personagem em um ser infantil e inocente, que acaba se voltando contra os demais monstrengos. Com esse currículo icônico, Tom Noonan será lembrado para sempre como um dos malvados favoritos de Hollywood.

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Robert Duvall

Em 5 janeiro de 1931, em San Diego, nascia Robert Duvall, o coadjuvente de ouro do cinema hollywoodiano. Tal definição pode soar estranha, mas quando se trata do ator em específico, é um mérito e tanto.

Entre 1960 e 2022, Duvall atuou em 145 filmes, conforme o IMDb. Nos primeiros anos, participou de diversas séries de televisão, incluindo Alfred Hitchcock Apresenta e Cidade Nua. Em 1962, faria sua estreia na telona no clássico O Sol é para Todos, adaptação do icônico livro de Harper Lee, no qual viveu o conturbado personagem Boo Radley. Apesar do pouco tempo em tela, seu trabalho chamou a atenção do público.

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Duvall seguiria participando de séries televisivas, incluindo Além da Imaginação e Os Intocáveis. Participaria ainda de O Fugitivo e Viagem ao Fundo do Mar, com presença em um filme e outro. No final da década de 1960, marcaria presença em dois clássicos cinematográficos: Bullitt (1968) e Bravura Indômita (1969). E começaria a década de 1970 trabalhando em MAS*H (1970), de Robert Altman, e com George Lucas (Guerra nas Estrelas) ainda no início de carreira, em THX 1138 (1971).

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Porém, foi em 1972 que o ator conquistou a sétima arte em O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola, adaptação do livro de Mario Puzo sobre a máfia italiana nos Estados Unidos. Atuando ao lado de grandes nomes do cinema, incluindo Marlon Brando, Al Pacino e James Caan, Duvall brilhou no papel do advogado Tom Hagen. Ainda que não tivesse muitas falas, a maneira como interpretou o personagem conquistou o público. Ele voltaria para a continuação, em 1974, ganhando ainda mais destaque. Sua ausência na terceira e última continuação da saga foi sentida pelos fãs.

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A parceria com Coppola renderia a Duvall um papel ainda mais icônico em Apocalypse Now, de 1979, clássico sobre a Guerra do Vietnã. Ele deu vida ao coronel Kilgore, um lunático que, em meio ao violento conflito, estava mais preocupado em surfar. E foi responsável por um dos diálogos mais famosos: “Eu amo o cheiro de napalm pela manhã”.

Coronel Kilgore foi vivido por Robert Duvall em Apocalypse Now

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