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TECNOLOGIA NO CAMPO

O amanhã no canteiro: a lavoura 4.0 após a Expoagro 2026

Foto: Divulgação

Foto: Draw Produtora

O som das máquinas e o vaivém de milhares de produtores pelo Parque da Expoagro Afubra, em Rio Pardo, deixaram mais do que recordes de público e negócios neste ano. Entre as parcelas de hortaliças e as arenas de inovação, consolidou-se um novo paradigma para a agricultura familiar do Vale do Rio Pardo: a era da autonomia. Se em anos anteriores a tecnologia era vista como um artigo de luxo ou exclusividade de latifúndios, o que se viu nos últimos quatro dias foi a democratização de ferramentas desenhadas para blindar a pequena propriedade contra as incertezas do clima e as oscilações do mercado. O foco central desta edição, a resiliência, transbordou o discurso institucional para se materializar em soluções práticas.

Nesta reportagem especial, a Gazeta do Sul mergulha nos seminários, dinâmicas e lançamentos que deixam de ser “novidades de vitrine” para se tornarem, a partir de agora, parte da rotina no campo.

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A independência da tomada

Em maio, após as águas das enchentes recuarem, os produtores rurais precisaram lidar com as consequências da catástrofe climática. Para além dos estragos e prejuízos, propriedades no interior do Vale do Rio Pardo tiveram o fornecimento de energia cortado. O problema afetou até mesmo as áreas mais altas, onde as inundações não alcançaram, resultando em perdas generalizadas.

O gerente de Eficiência Energética da Afubra, Elieser do Prado Bastos, afirmou que, em meio à catástrofe, as vendas de geradores de energia a diesel foram “históricas”. Na busca por uma alternativa, os produtores tiveram que recorrer ao equipamento, o que gerou gastos altíssimos gerados pelo consumo de combustível. 

O impacto provocado pela falta de energia exigiu que os produtores se adaptassem à nova realidade climática. E tudo começa por uma fonte inesgotável de luz: o sol. Desde 2018, a energia solar apresenta expansão no Brasil, especialmente com a implementação de tecnologias já consolidadas na Europa.

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Giovane Weber, agricultor e colunista do jornal Gazeta do Sul, afirma que a sua visão sobre a utilização de energia, tanto no trabalho quanto no bem-estar, mudou após a instalação das placas solares em três propriedades em Cerro Alegre Alto, na Linha Travessa Stolben. Isso ocorreu há três anos. “Decidimos que queríamos ter conforto e sustentabilidade, pois produzo quase toda a energia, que é limpa, na minha propriedade”, explica.

O produtor de tabaco relata os problemas causados pela instabilidade na rede elétrica, que mudaram também após a instalação do sistema trifásico. Com isso, puderam comprar mais equipamentos, incluindo freezer e um motor para o galpão, além de mais uma estufa para a produção de tabaco. “Nosso bem-estar mudou completamente. Tempos atrás, evitávamos ligar o ar-condicionado devido ao gasto. Hoje, temos nos quartos e na sala, sem nos preocuparmos com a conta”, reforça.

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Entretanto, o sol como fonte limpa de geração de eletricidade é apenas o começo. Para tornar as propriedades mais resilientes, os produtores passaram a buscar sistemas inovadores para garantir o fornecimento constante de eletricidade por meio do armazenamento. Isso proporciona maior segurança em situações de desabastecimento ou de oscilações. 

Arena Energia Verde apresentou aos produtores rurais inovações para a autonomia energética | Foto: Rodrigo Assmann

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A solução foi apresentada durante a Expoagro 2026. Diferentemente dos modelos convencionais, que param de funcionar quando a rede da concessionária cai, os sistemas híbridos presentes na Arena Energia Verde permitem que a propriedade siga operando com autonomia total.

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Ricardo Tomáz Flesch, consultor da Afubra Verde, destaca o aumento da procura do equipamento, que proporciona mais eficiência energética, permitindo a continuidade dos processos independentemente de problemas na rede.

“Gerar energia barata perde todo o sentido se o sistema falhar. Para o produtor rural, o objetivo principal não é apenas gerar energia, mas garantir que a produção nunca seja interrompida”, observa o especialista.

Conforme Flesch, é possível utilizar diferentes tipos de sistema. Um deles é o híbrido, no qual o armazenamento, por meio das baterias (que funcionam como um backup), atua em conjunto com a rede elétrica. Dessa forma, a propriedade permanece em pleno funcionamento, mesmo em casos de instabilidade ou queda de energia. 

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O especialista destaca ainda o sistema autônomo, chamado Off-Grid (fora da rede, em português), que não tem nenhuma ligação com a concessionária de energia. Pouco aplicado, é recomendado para lugares mais remotos ou soluções pontuais.  Há ainda uma alternativa inovadora consolidada no exterior. Trata-se do Zero Grid, sistema de energia que não injeta excedente na rede elétrica. 

Segundo Fabiano Ferreira, professor do Departamento de Engenharia, Arquitetura e Computação na Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), a partir da redução do preço dos sistemas de armazenamento de energia, a tecnologia se tornou mais acessível para os produtores, permitindo que o excesso gerado pelas placas fotovoltaicas seja depositado nas baterias. “Quando acontece a interrupção, automaticamente as baterias assumem essa função e o produtor não fica sem energia, tornando-se autossustentável”, explica.

Os potenciais da energia solar no Vale do Rio Pardo

Na avaliação do engenheiro eletricista e professor da Unisc, o Vale do Rio Pardo é uma região com potencial para explorar a energia fotovoltaica, sobretudo diante do alto nível de radiação solar disponível no Brasil. Aliado ao sistema de armazenamento, os produtores tornam-se mais resilientes às intempéries climáticas e falhas da rede, amenizando os prejuízos na propriedade provocados pela falta de eletricidade.

“A tecnologia vai suprir as necessidades do interior. Não tem mais como fugir disso, em algum momento todo mundo vai ter que se adaptar”, enfatiza Fabiano Ferreira. 

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O sistema também permite que os produtores dependam menos de alternativas como geradores a diesel, o que reduz custos com combustível. Segundo a especialista em armazenamento de energia em bateria da Huawei, Rosana Rosa da Silva, ainda que não seja substituir integralmente o gerador, a tecnologia permite atender a determinadas circunstâncias, especialmente nos horários em que o consumo é mais caro.

“Diante do preço do diesel, que aumenta cada vez mais, a bateria se torna mais benéfica. Ela passa a ser uma necessidade e solução que vai melhorar a vida dos produtores em diversos aspectos.”

Na avaliação do gerente de Eficiência Energética da Afubra, Elieser do Prado Bastos, trata-se de uma inovação a ser mais explorada no Vale do Rio Pardo. Segundo ele, a estimativa é de que mais de 6 mil sistemas de energia solar tradicionais já foram instalados na região que, futuramente, poderão integrar o armazenamento de bateria, proporcionando maior autonomia. 

Bastos ressalta que a implementação da energia solar, aliada ao armazenamento, contribuiu não só para tornar as propriedades mais competitivas, mas também para a sucessão rural, estimulando as novas gerações a manterem os negócios familiares ativos.

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“Os produtores precisam entender que os filhos estão na era do digital. Eles precisam estar seguros para implementar tecnologias inteligentes dentro das propriedades. E não podemos perdê-las – se os produtores pararem, a sociedade perde”, reforça.

Regenerar para produzir: soluções biológicas ganham força no campo

A dependência de fertilizantes químicos importados e a necessidade de recuperar solos castigados por eventos climáticos extremos – e até mesmo pelo desgaste por longo período de cultivos – impulsionaram o setor de bioinsumos nesta edição. Empresas, especialistas e técnicos de entidades de apoio ao produtor rural apresentaram e reforçaram a importância do uso de microrganismos, fungos e bactérias para reativar a vida no solo e aumentar a absorção de nutrientes.

Na prática, os microrganismos “do bem” – bactérias e fungos – são selecionados e cultivados para a produção de doenças em plantas. Em sua maioria, são doenças de raízes. Ao causarem o apodrecimento das raízes, os microrganismos devolvem a saúde ao solo.

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Outra linha de microrganismos é capaz de devolver nutrientes, como fósforo e potássio. Bactérias também são usadas para o controle de doenças de folha, de nematoides. O gerente nacional de vendas da Viva Bio, da cidade de Machado (Minas Gerais), Jefferson Caprioli, presente na Expoagro, conta que ao utilizar essa tecnologia, a aplicação de microrganismos precisa, em boa parte das situações, ser contínua para ser eficiente.

“Tudo que é bio, a gente costuma falar que é tratar, é manejar. É diferente do químico. O químico é ‘cida’. Ele é um inseticida, um fungicida, ele mata. O bio não, o bio é vida. Então a vida você promove”, ressalta.

Mas a adesão da tecnologia pelos produtores ainda é tímida. Segundo Caprioli, é preciso haver uma mudança cultural no que se refere ao investimento em recuperação de solo. “O bem mais precioso que o produtor tem é o solo, mais do que o cultivo instalado ali. Porque o cultivo ele planta, colhe, planta, colhe. O solo é dele a vida inteira e vai ser dos filhos, dos netos, passa de geração em geração”, diz. “Ele precisa trabalhar um pouco mais esse investimento, que é gradual, é necessário, porque anos de extrativismo depauperaram muito os nossos solos.”

Caprioli, gerente de vendas de uma empresa de bioinsumos | Foto: Rodrigo Assmann

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Adubo do futuro

O passivo ambiental proveniente da grande produção de aves (frango e peru) do município de Piratuba, em Santa Catarina, tornou-se matéria-prima para uma alternativa inovadora e sustentável para o campo. O proprietário da empresa Piratuba Fértil, Cléo Fabiano, 47 anos, utiliza a matéria-prima misturada com fertilizante mineral. A partir disso, produz fertilizantes orgânicos e organominerais, que restauram os solos agredidos pelo uso incessante de fertilizantes convencionais.

O adubo orgânico mineral pode ser empregado para todos os cultivos. “Cada cultura tem a sua particularidade. Tabaco, milho, soja. E elas têm uma exigência de diferentes tipos de nutrientes. Por exemplo, a cultura da banana precisa muito de potássio. Então a gente faz uma formulação específica para banana. Como tem tabaco, como tem melancia, como tem melão”, ressalta Cléo. Acrescenta que hoje a preocupação com uma agricultura regenerativa é latente. “Há muitos anos, quando se pensava em agricultura, o solo era utilizado como base para a planta. Hoje não, o pessoal entendeu que ele é um sistema. Então esse solo, você não pode matar, agredir. Aí é onde entra a agricultura orgânica.”

Cléo: opção inovadora | Foto: Rodrigo Assmann

Uso de drones avança e muda a rotina das lavouras

O uso de equipamentos tecnológicos no campo tem auxiliado os produtores em diversas atividades. Sócio-proprietário de uma empresa especialista em drones de pulverização em Pelotas, Marlon Soares Meireles, 40 anos, salienta que um dos benefícios no uso do equipamento é a proteção ao solo. “Na pulverização convencional, acontece o amassamento da lavoura.”

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Meireles explica que o investimento em drone é menor do que em equipamentos como trator e pulverizador, separados. “Hoje a procura por drone aumentou em 70%, pois o autopropelido – ​​máquina agrícola com propulsão própria – precisaria de R$ 2 milhões, e um drone custando R$ 250 mil e vai fazer o mesmo serviço”, detalha. “Hoje é um equipamento para pronto uso, para sólido e líquido, e a pessoa começa a usar em tudo, para pastagem e para pulverização.”

Meireles: uso de drone ajuda a proteger o solo | Foto: Rodrigo Assmann

O coordenador do curso de Agronomia da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), Rafael Becker, explica que além de pulverização, os drones são utilizados em operações de imageamento, com câmeras de alta resolução.

Dessa maneira, segundo ele, é possível verificar onde estão os animais da propriedade, a presença de ervas daninhas e acessar áreas onde, muitas vezes, as máquinas não conseguem chegar. Identificam-se na planta potenciais problemas, como pragas, doenças ou até mesmo deficiência hídrica.

“Antes mesmo de nós vermos aquela coloração da cultura, ela reduzir a cor verde por conta de uma falta de nitrogênio, a tecnologia do drone hoje consegue prever isso e nos dizer no que está faltando nitrogênio em determinada área, e eu posso aplicar lá uma ureia de forma localizada.” 

Becker: modelo digital de elevação da lavoura | Foto: Rodrigo Assmann

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Análise de solo por exame de imagem reduz dificuldades

Alan Rodrigo Ritter, 43 anos, de Passo do Sobrado, percebeu a dificuldade enfrentada pelos produtores quando o assunto era análise de solo. “O produtor pega quatro, cinco amostras numa lavoura, encaminha para o laboratório, e de lá vai retornar uma planilha com uma série de números que terá de ser interpretada por um agrônomo ou um técnico agrícola. Dali sai o diagnóstico da lavoura.”

Mas segundo ele, devido aos relevos distintos no Vale do Rio Pardo, pode-se ter vários solos em uma mesma propriedade. “Vai ter solo argiloso, arenoso, pedregulho, todos os relevos. Então havia necessidade de evoluir nesse diagnóstico, ter mais precisão.” A partir disso, há cerca de dois anos, Alan adaptou um sistema utilizado em grandes áreas, como Centro-Oeste do País e Planalto do Rio Grande do Sul, para pequenas áreas.

“Hoje a gente consegue fazer diagnóstico de solo numa lavoura de 3 ou 4 hectares. Vetorizamos essa lavoura, o perímetro dela, eu jogo isso numa plataforma e consigo criar camadas de satélite de até sete anos atrás. Nas imagens geradas vou jogar em cima delas várias situações, como seca, chuvarada, vai ter o ano que deu bem e o ano que deu mal. Eu consigo interpretar as variantes dentro dessa lavoura, que vão me orientar nessas coletas”, explica.

Ritter, de Passo do Sobrado, adaptou um sistema utilizado em grandes áreas | Foto: Rodrigo Assmann

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Acrescenta que o processo irá gerar mais precisão e efetividade na adubação. “Por exemplo, numa lavoura de 5 hectares, tenho boa parte dela com pH bom, só que uma pequena área com pH de 4,68. Então vou corrigir só onde está o problema em vez de corrigir toda a lavoura. Tem-se uma adubação racional. Vou gastar o dinheiro onde realmente é necessário. Eu gasto menos e erro menos.” 

A presença da inteligência artificial no campo já é realidade. Ritter relembra que há cerca de três anos era algo que parecia muito distante, mas hoje tem se tornado indispensável.

“Achou-se que isso jamais chegaria no pequeno produtor, e hoje ela está mais presente do que se imagina. A gente utiliza demais inteligência artificial. Porque essas imagens de satélite e dados de solo, por exemplo, o que comprime e o que monta todos esses mapas é inteligência artificial. E hoje se usa a internet em toda atividade, em qualquer lugar.”

Dessa forma, o acesso às tecnologias no campo também tem se tornado mais fácil. Uma análise do solo por exame de imagem não exige um alto investimento. No levantamento de área de cerca de 5 hectares, o gasto da contratação do serviço será de cerca de R$ 750,00 a R$ 800,00.

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Além das fronteiras tradicionais

A diversificação voltou a ocupar lugar central nos debates da Expoagro Afubra, reforçando um tema que acompanha a história da agricultura familiar na região. Em meio às discussões sobre produtividade, clima e recuperação de solo, especialistas apontaram que o futuro das propriedades passa pela combinação de novas culturas, inovação tecnológica e atividades complementares de renda.

Entre os temas que mais chamaram atenção estiveram o cânhamo industrial, a pesquisa em biotecnologia e o turismo rural, apresentados como caminhos possíveis para reduzir a dependência de uma única cultura.

Planta nativa Trema micrantha permite extração de canabidiol sem THC

Cannabis industrial avança no debate técnico, mas ainda depende de regulamentação

O tema mais disruptivo da programação foi o painel Resiliência que gera futuro: a vitrine de possibilidades da Cannabis para o agro e a inovação, que trouxe a cannabis medicinal e o cânhamo industrial para o centro do debate agrícola. O cânhamo, variedade da cannabis com baixo teor de THC, foi apresentado como alternativa produtiva com aplicações na indústria farmacêutica, têxtil, energética e na construção civil.

Apesar do potencial, especialistas destacaram que o cultivo em escala comercial ainda depende de avanços regulatórios. Conforme a advogada da Associação EcoCannabis, Michele Martin, normas publicadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária em 2026 abriram caminho para pesquisas e produção controlada, permitindo que universidades estudem a planta e indústrias farmacêuticas produzam derivados com teor limitado de THC. “Esse passo é muito significativo porque dá respaldo para organizar o ecossistema produtivo e pensar no futuro do cultivo na agricultura familiar”, afirmou.

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Segundo ela, o modelo mais viável para o produtor rural passa por um sistema integrado, semelhante ao utilizado no tabaco, garantindo assistência técnica, mercado comprador e segurança jurídica. Experiências-piloto já ocorrem em estados como Paraná, São Paulo, Mato Grosso e Rio de Janeiro, onde áreas experimentais vêm sendo estudadas em rotação com milho e soja.

A presidente da Associação EcoCannabis, Michele Brescia, destacou que o tema ainda enfrenta resistência, mas tende a crescer à medida que passa a ser tratado de forma técnica. A feira também mostrou que a pesquisa nacional busca alternativas dentro da própria biodiversidade.

Advogadas da EcoCannabis defendem a cannabis medicinal como alternativa para Santa Cruz do Sul | Foto: Inor Assmann

Fundador da startup Canabem, o engenheiro de bioprocessos e biotecnologia Thomas Müller Schmidt apresentou estudos com a planta nativa Trema micrantha, conhecida como periquiteira, que possui canabidiol (CBD), mas não contém THC. O trabalho ainda está em fase experimental, mas aponta novas possibilidades para a indústria de extratos vegetais.

“Estamos tentando transformar pesquisa em negócio, entender como extrair esses compostos com qualidade e avaliar o interesse do mercado. Também precisamos olhar para a nossa biodiversidade e ver como ela pode ser usada de forma sustentável”, explicou.

Thomas Schmidt, fundador da startup Canabem | Foto: Inor Assmann

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Turismo rural cresce nas propriedades familiares

Além das novas culturas, outra alternativa apontada como crescente fonte de renda foi o turismo rural. O tema foi debatido no 16º Seminário Regional de Turismo Rural, que reuniu representantes de mais de 15 municípios e destacou a atividade como complemento econômico para a agricultura familiar.

A turismóloga Natália Salvate Brasil explicou que o turismo permite agregar valor à produção sem que o agricultor precise abandonar a atividade principal. “É importante pensar no turismo como complemento de renda, mantendo a autonomia do produtor”, ressaltou.

Entre as tendências apontadas estão experiências autênticas, turismo de bem-estar, atividades ao ar livre e vivências ligadas ao cotidiano do campo, como trilhas, colhe-e-pague, café colonial e visitas a agroindústrias. Segundo ela, o próprio crescimento da prática de corrida, ciclismo e lazer no interior cria novas oportunidades para propriedades que oferecem alimentação, hospedagem ou espaços de visitação.

Natália mostrou tendências em turismo rural | Foto: Inor Assmann

Exemplos apresentados por empreendedores de Vale do Sol mostraram que a atividade pode começar de forma simples e crescer gradualmente. Propriedades que antes eram usadas apenas para produção passaram a receber visitantes, oferecer gastronomia típica e criar roteiros turísticos, gerando renda complementar e estimulando a permanência das famílias no interior.

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Conforme os relatos, muitos empreendimentos surgiram com apoio de cursos, assistência técnica e parcerias com entidades como Emater, Senar e prefeituras.

Ao reunir diferentes temas, a Expoagro Afubra 2026 reforçou uma tendência clara para os próximos anos: a renda da pequena propriedade será cada vez mais diversificada. O que ainda aparece como novidade nos auditórios da feira tende a se transformar, num curto prazo, em prática comum no campo, onde produzir continuará sendo essencial, mas já não será a única fonte de sustento.

Diversificação e resiliência ganham força diante das mudanças climáticas

Realizado durante a Expoagro, o 16º Fórum de Diversificação na Agricultura Familiar também concentrou debates. O encontro discutiu a necessidade de tornar os sistemas produtivos mais resilientes, especialmente após os eventos climáticos extremos registrados no Rio Grande do Sul em 2024. Estima-se que as enchentes provocaram perdas de fertilidade e erosão em mais de 2 milhões de hectares.

Durante o fórum, técnicos da Emater e Embrapa destacaram que a recuperação das propriedades passa pela adoção de sistemas integrados, melhoria do solo, renovação de pastagens, irrigação e ampliação das atividades dentro da mesma área. O Programa Operação Terra Forte, iniciativa estadual de recuperação produtiva, tem priorizado diagnósticos individualizados para orientar cada agricultor sobre quais opções podem garantir maior estabilidade econômica.

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