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“O ataque faz parte de uma estratégia desenhada pelo governo Trump”, diz Paulo Visentini em entrevista

Foto: Reprodução/Truth Social

O mundo ingressou em 2026 com muita tensão no ar. E o primeiro final de semana do ano só aumentou essa eletricidade reinante. Sobre o cenário da geopolítica global, ainda na sexta-feira à noite a Gazeta do Sul havia proposto ao historiador Paulo Fagundes Visentini, professor titular de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), uma avaliação dos vários pontos de conflagração ou de atrito em diferentes regiões do planeta.

Na primeira hora da manhã desse sábado, 3, as próprias questões apresentadas tiveram de ser revistas e atualizadas. A ação militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, na madrugada dessa sexta-feira, 2, para sábado, trouxe o ambiente de real conflito para a vizinhança do Brasil.

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No calor da hora dos acontecimentos, Visentini, com o olhar acurado de especialista que de longa data acompanha o complexo tabuleiro de interesses entre diferentes blocos de influência, faz sua leitura do estado das coisas nos primeiros dias de 2026. Aos 70 anos, graduado em História, mestre em Ciência Política, doutor em História Econômica e pós-doutor em Relações Internacionais pela London School of Economics e pela PUC-Rio, ele é uma das maiores autoridades na América Latina sobre relações internacionais contemporâneas.

Seu pensamento e sua interpretação acerca de acontecimentos recentes também podem ser apreciados em vários livros de sua autoria. O mais recente, de abril de 2025, é Putin, a OTAN e a Guerra na Ucrânia, lançado pela editora Leitura XXI, no qual analisa as dinâmicas geopolíticas envolvendo o conflito entre russos e ucranianos. Outra referência oportuna é a obra As grandes potências e os conflitos mundiais: entenda quem manda no mundo e o porquê, de 2021. A entrevista foi concedida com a resposta às questões por áudio, na manhã desse sábado, 3.

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Entrevista

Professor e ensaísta – Paulo Visentini

Gazeta do Sul – Como se pode avaliar, no calor da hora, as decorrências da ação dos Estados Unidos contra a Venezuela?
Paulo Visentini – O ataque militar americano a instalações na Venezuela e a captura do presidente Maduro e da sua esposa fazem parte de uma estratégia desenhada pelo governo Trump de expulsar do continente a China e os seus negócios. Isso gira muito em termos da questão do petróleo, do petróleo venezuelano, e poderá se seguir alguma ação contra a Nicarágua e talvez contra Cuba. Com o propósito de, de alguma maneira, através de bloqueios muito radicais, desestabilizar esses países ou levá-los a fazer concessões. No caso da Venezuela, a questão urgente é saber quem fica no poder, porque não era Maduro quem mandava; era o general Diosdado Cabello…

Em que sentido isso interessa aos Estados Unidos?
Isso é muito importante para o governo Trump, não só no sentido de mostrar para a América Latina que o corolário Trump da doutrina Monroe, como ele mesmo denominou, vai estar valendo como área de interesse prioritário para os Estados Unidos, mas também como sinalização de alguma realização. Porque no segundo semestre deste ano, outubro, novembro, haverá eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, e a sorte de Trump depende muito de manter o controle sobre o Congresso, de ter maioria no Congresso.
Mas o mundo mudou. E o mundo teria mudado por culpa do Trump? Não. O mundo começou a mudar nas suas estruturas a partir da crise financeira de 2008, 2009, que não pôde ser muito bem resolvida, e teve efeitos mundo afora. Começou nos Estados Unidos, com o subprime [crédito de risco], e atingiu a zona do Euro e afetou as demais nações.
As respostas dadas ali foram sempre aquelas de buscar uma divisão dos custos, do prejuízo, através dos outros países, via dólar. E obviamente que os países emergentes reagiram criando o Brics. Não por nada, logo em seguida tivemos a Primavera Árabe e depois tivemos a primeira eleição do presidente Trump, em 2016, assumindo em 2017.

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Como o senhor avalia aquela primeira gestão?
Essa gestão Trump, que foi já uma modificação séria nas políticas americanas, foi em seguida atropelada pela pandemia de Covid. Isso tornou as coisas muito mais complicadas. E, na sua tentativa de reeleição, acabou havendo um retorno dos democratas, numa eleição muito disputada, com episódios como a ocupação do Congresso pelos manifestantes, enfim…
O que é importante é que o governo Biden resolveu, junto com a Europa, fazer uma pressão na questão ucraniana, cujo conflito começou na verdade em 2014, como mostro no meu livro, quando manifestações apoiadas pelo Ocidente derrubaram o presidente que havia sido eleito na Ucrânia. E isso levou à anexação da Crimeia, o conflito da região do Donbass, que é povoada por russos que tinham perdido o direito de falar seu idioma como forma de expressão oficial.
E, obviamente, face a essa expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a tentativa de expandir ela, porque foi aventada a possibilidade de a Ucrânia entrar na Otan, e, principalmente a saída gradativa dos Estados Unidos de todos os acordos de controle de armas nucleares e de mísseis. Isso fez o sinal vermelho soar para o presidente Putin, que resolveu, então, avançar e dar um susto ali na Ucrânia.

Conflito que persiste…
Foi uma surpresa, na verdade dupla surpresa. Primeiro, que o ataque russo não foi tão bem-sucedido; e segundo, porque as sanções que já estavam previamente preparadas para derrubar a economia russa também não funcionaram. Pelo contrário, geraram novas formas de cooperação da Rússia com os países da Ásia e, principalmente, com países da África, do Oriente Médio e até da América Latina.
E, nessa situação que se criou no mundo, de uma guerra absolutamente inesperada entre dois países modernos, com armamento convencional (isso não acontecia desde 1945), houve o episódio do conflito de Gaza. Israel teve que revidar o avanço, o ataque do Hamas ao seu território com a captura de reféns, com a invasão de uma zona urbana superpovoada e que teve terríveis efeitos humanitários e que não se resolvia ao longo do tempo.

E Trump volta ao poder…
Trump retorna ao poder e aí ele muda um pouco o cenário internacional. Como isso aconteceu? Em primeiro lugar, qual era o objetivo americano de, vamos dizer, fomentar esse conflito na Ucrânia? Era um conflito que usa os ucranianos com apoio de armas e assessores ocidentais contra a Rússia.
Mas ele cria uma questão geopolítica muito importante: separa a cooperação entre Rússia e Europa e cria para a Europa um temor. Pois não terá mais os benefícios dos combustíveis baratos que importava da Rússia, gás e petróleo, entre outros. Isso de certa maneira enfraquece também a Rússia, porque ela se alia à China, mas eles têm objetivos diferentes e não há uma aliança total entre os dois países.
O que Trump faz é achar que a guerra já foi longe demais. Qual é o objetivo dele? Trump é considerado uma pessoa sem controle, sem autocontrole, um pouco maluco. Não, Trump não é político. Ele raciocina como um empresário e tem um ímpeto de ignorar as questões institucionais, sejam nacionais, sejam internacionais. Ele passa por cima.
E é um negociador e um homem que faz contínuos blefes. Então, põe tarifas elevadíssimas, e os países entram em choque. Depois recua um pouco, e assim obtém vantagens. O que ele quer? Trump tem a consciência de que os EUA não têm mais como manter uma hegemonia internacional nos modos que eram feitos até então.

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Qual será a estratégia?
Ele critica particularmente a sobre-extensão do poder militar americano, com mais de 800 bases pelo mundo, com guerras muitas vezes sem sentido e sem retorno para os Estados Unidos, na percepção dele. Tudo isso está muito claro no documento de estratégia de segurança nacional, publicado há cerca de um mês, nem isso, e que vale a pena ler. É um documento curto e diz claramente qual é a política americana.
Então, os Estados Unidos optam por um mundo que não é mais o da globalização neoliberal, mantida através de instituições e normas multilaterais. Trump vai voltar à ideia de Estado, à ideia de potência, e vai aceitar que só há quatro grandes players no mundo: a China, obviamente, que é a rival, a concorrencial; a Índia, a Rússia e os Estados Unidos como primus inter pares [primeiro entre iguais]. Quer dizer, os Estados Unidos como uma potência que tem mais vantagem que as outras e pode manobrar ao longo do tempo, inclusive jogando umas contra as outras, fazendo alianças de ocasião.

Que medidas tende a tomar?
Ele vê que há uma necessidade de cortar gastos militares. Não quer dizer que vai ser frouxo; quer dizer que não tem mais essa ideia de entrar no país, ocupar o país para fazer uma mudança de regime e criar uma democracia. É uma diplomacia que vai ter choques militares com uma agenda principalmente de interesse econômico de curto prazo.
Esse é um ponto, porque ele quer concentrar; se retira um pouco do Oriente Médio, quer deixar nas costas dos europeus a sua própria defesa, aumentando os custos de defesa para os europeus, que comprarão equipamentos americanos. Terão que pagar tarifas para exportar para os Estados Unidos. Mas não é só isso: nos acordos, a imprensa nunca lê os detalhes do contrato. A Europa terá que investir em empresas americanas, investir parte do seu capital em empresas americanas e vai ser obrigada a comprar, vamos dizer assim, equipamentos militares e, principalmente, comprar petróleo e gás dos Estados Unidos. Há uma cota ali que eles têm que preencher.
A mesma estratégia foi usada contra a Coreia do Sul e está sendo usada contra o Japão. Com isso, os EUA querem garantir o hemisfério ocidental, as Américas, inclusive contando com Groenlândia e Canadá, porque essas regiões têm uma projeção para o Ártico, que é o novo espaço de disputa geopolítica no mundo.

E a economia interna?
Outra questão que para Trump é fundamental são as dívidas astronômicas, os valores da dívida estratosférica que os Estados Unidos têm. A dívida pública dos EUA é de US$ 36 trilhões; o déficit orçamentário para 2025 é de US$ 2 trilhões; o déficit comercial, de US$ 1,2 trilhão, a dívida corporativa é de US$ 22 trilhões, e a dívida de pessoas físicas é de US$ 20 trilhões. Isso pode levar o mercado financeiro a um colapso, e Trump tenta reverter essas questões.
Os Estados Unidos durante mais de 30 anos terceirizaram a produção industrial para outras regiões, para obter mais barato. Aquelas áreas que estavam ligadas à globalização, como Califórnia e Nova Iorque, e que estão nas mãos dos democratas, apostavam na globalização e não estavam muito preocupadas com a decadência interna dos EUA como Estado. Isso Trump tem como prioridade reverter, inclusive bloqueando o excesso de migração e as políticas identitárias adotadas pelos democratas. Bem, no mundo que surge aí, com esses ajustes, os Estados Unidos querem controlar minérios estratégicos para as novas tecnologias, porque isso seria garantia para a emissão de novos títulos de longuíssimo prazo, já que com o dólar não é mais possível manter, digamos, a confiabilidade econômica.
E isso evidentemente nos privaria da China, que tem hoje controle maior sobre reservas em várias partes do mundo. Juntando a parte econômica com a parte militar, isso permitiria aos EUA se concentrar mais contra a China, começando pelas partes mais fáceis, como aconteceu agora na Venezuela. Como diz o provérbio, como se come mingau quente? Pelas bordas. E assim ele vai criando uma situação complicada para a China.

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E com muitas coisas em jogo…
A geopolítica volta com toda a força sob a característica da geoeconomia; ou seja, garantir um espaço econômico para uma potência. Essa geoeconomia não está mais preocupada tanto com um comércio internacional; está preocupada em manter a capacidade produtiva. É algo que muito parece os anos 1930, quando nos encaminhamos para a Segunda Guerra Mundial, quando houve a formação de blocos econômicos pelo mundo. A Alemanha tinha seu Lebensraum, o Japão tinha sua esfera de coprosperidade, os EUA tinham a política pan-americana e as potências europeias tinham suas colônias pelo mundo. É uma lógica de que não é tanto a competitividade que vai resolver, mas é exatamente uma ação governamental.

Onde fica o Brasil no cenário?
Isso é muito importante, para o Brasil despertar que esse mundo mudou. Por quê? Anteriormente, os países do Sul e as potências emergentes diziam o seguinte: com o avanço do PIB da China, Índia, Brasil, Rússia e de outros que tinham características semelhantes, esses países teriam força e peso para superar o PIB do grupo do G7, os ocidentais, e pressionar para que as instituições multilaterais mudassem suas regras. Então surgiria uma multipolaridade muito calcada nas próprias instituições. Ela seria uma espécie de grande equilíbrio de poder, grande acordo internacional que daria poder político para esses países emergentes, semelhante ao peso econômico que estavam adquirindo.
Ora, isso foi um pensamento mágico. Assim como era o dos liberais, dos adeptos da globalização, que diziam que o mundo sempre vai ser assim: agora tudo é mercado, não tem mais fronteiras etc. A globalização e o multilateralismo estão agonizando, e estamos intelectual e economicamente despreparados para entender e agir.
O que aconteceu é que está emergindo uma multipolaridade instável. Como eu disse, são essas potências maiores que vão jogar, fazer alianças entre si, que são apenas alianças táticas, e outras alianças muito instáveis com outros países. Isso não é um equilíbrio de poder que seja possível administrar. É algo que vai dar espaço para muitas mudanças e coisas inesperadas e inimagináveis. E é bom que o público se prepare, porque já estamos vendo há um ano coisas que não imaginávamos que fosse possível acontecer, e que vão continuar e vão até se aprofundar.

Em relação à China, como tendem a agir?
Os EUA concentrariam seus esforços lá no leste da Ásia, fazendo com que outros países arquem com essa parte de defesa. Os EUA não pensam em fazer uma guerra direta contra a China, porque sabem que a China não tem condições e não quer essa guerra. E também o fato de que as perdas seriam imensas, porque as cadeias produtivas ainda estão muito integradas. Essa ideia dos chips, por exemplo, e outras de retirar e botar em outros lugares…
Nesse sentido, até Taiwan foi sancionada pelo presidente Trump, porque ele não quer a defesa de Taiwan. Ele quer algumas áreas que Taiwan domina tecnologicamente e que estão trabalhando com a China. Sim, Taiwan tem a maior parte do seu PIB produzido no continente, em território da China popular. Nós temos dois governos, isso é outra coisa.
No Oriente Médio, o conflito de Gaza e a guerra entre Israel e o Irã…Israel conseguiu desmantelar o chamado eixo da resistência, também afetando o Hezbollah do Líbano e mais a queda do regime sírio. Onde um ex-militante da Al-Qaeda hoje é um digno presidente. O que acontece ali é que, com a saída, a retirada gradual dos americanos, quem está tentando emergir? Está tentando emergir a Turquia, que tem já suas conexões com a Ásia Central e alguns países da África. Os países da Ásia Central falam turco, falam a língua aparentada do turco.
O Irã nesse momento está mais enfraquecido e a disputa entre Israel e Turquia é forte. Mas surgiram novos elementos ali. Basicamente, Mohammad bin Salman, o príncipe herdeiro saudita, conhecido como MBS, pela sua sigla, imprimiu um novo dinamismo e tem sido emulado pelos seus vizinhos, como o Qatar e os Emirados Árabes Unidos. O que é uma forma modernizada de regimes tradicionais, que um autor chamou de sheikismo. Ele é baseado em normas e princípios daquelas sociedades ali e que são hoje grandes jogadoras.

Um cenário muito complexo…
Veja bem, são cenários que começam a se entrecruzar de forma muito confusa. Outra coisa importante são os corredores de desenvolvimento, há vários. Os da Turquia em direção à Ásia Central, os da Rússia em direção ao Irã. A Rota da Seda, de que todo mundo já ouviu falar. E também há o chamado Imec, que seria o corredor econômico Índia-Oriente Médio-Europa, que vai de Índia, Emirados, Arábia Saudita, Jordânia, Israel e dali chega à Europa. Esses corredores de desenvolvimento são disputas geopolíticas, geoconômicas, muito, muito importantes que se dão.
A África também. A África, no final do século, terá uma população igual à da Ásia. É a população que mais cresce no mundo, e isso tudo implica em problemas de refugiados etc. Mas também é um local de grande crescimento econômico e grandes recursos naturais. E lá estão surgindo, às vezes, golpes militares nacionalistas para expulsar a influência neocolonial francesa, pedindo ajuda à Rússia. E agora também os Estados Unidos estão ali como que tentando mediar em determinados conflitos, tirando para si vantagens econômicas.
Para o Brasil isso é muito importante, porque o Atlântico Sul passa a ser uma área que vai ganhar mais dimensão estratégica. E o resto da América Latina? Bem, a América Latina teve um esgotamento dos seus projetos progressistas. Houve, do ponto de vista eleitoral, uma constante vitória do campo mais conservador, mais à direita. E o país que ainda de alguma forma se mantém é o Brasil.
Mas o problema que eu vejo é que o governo brasileiro atual recebeu apoio do Biden quando se implantou, também numa eleição muito disputada, porque o Biden não queria um aliado de Trump vencendo no Brasil. E mais: o Congresso, um Congresso no qual o governo não tem maioria. Isso cria um enfraquecimento muito grande no caso do nosso país e de uma política externa que tem sido muito retórica e pendular, sem uma grande ação estratégica e sem um projeto de desenvolvimento muito claramente definido. E nós estamos entrando num mundo de profundas incertezas em que é preciso ter um projeto, tem que se ter uma grande estratégia, com projeto nacional de desenvolvimento em todas as áreas. Como é que o Brasil vai manejar isso a partir de agora? Não se sabe.

PUTIN, A OTAN E A GUERRA NA UCRÂNIA, de Paulo Fagundes
Visentini. Porto Alegre: Século XXI, 2025. 204 páginas. R$ 50,00.

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