O período de férias no verão não se resume apenas a curtir praia, litoral, muitos mergulhos na água para aliviar o calor. Mas devo confessar que, particularmente, por muitos anos não conseguia dissociar as duas coisas: férias e mar.
Com o passar do tempo, a gente vai reformulando conceitos e predileções. E o que ontem parecia inegociável, hoje é apenas uma opção. Colocar a leitura em dia e assistir a bons filmes em ambiente tranquilo e climatizado tem sido uma experiência muito interessante nestes dias escaldantes, longe das agruras do tempo e das negociações com São Pedro para que abuse do sol.
Dias atrás reservamos uma noite para assistir em grupo ao ótimo Eternidade (Eternity, com direção de David Freyne, 2025). Não sou expert na área para recomendar filmes, mas quando ao final da trama se sente uma necessidade quase compulsiva de trocar impressões e comentar o enredo é porque o filme mexeu com a gente.
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Naquela noite fomos contidos e um a um nos recolhemos para dormir. Mas na manhã seguinte o assunto voltou ao debate na hora do café. Acho que ficamos entregues durante as horas de sono tentando processar, independente das convicções religiosas de cada um, os diferentes pontos de reflexão que essa comédia romântica propõe.
E se fosse verdade que, quando morrermos (ou desencarnarmos, se preferir) haveremos de aparecer em outra dimensão com a aparência física que tínhamos na melhor fase da vida, como propõe a trama? Aliás, esta foi a questão mais desafiadora a ser respondida e que colocou alguns de nós em saia justa. Veja bem: não se trata de um momento feliz, de um recorte, mas de uma fase.
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Detalhe: no contexto da trama, não somos nós que escolhemos essa fase. É como se, ao fazermos a passagem, se quebrasse o sigilo do coração e se expusesse diante de todos o que nele ficou resguardado.
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Mas se tivesse que dizer, conseguiria imaginar com que aparência chegaria ao outro lado?
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Eu não tive dúvida: foram aqueles anos quando os filhos se encontravam entre a infância e a pré-adolescência. Se não pelo dia a dia, por vezes tenso e desgastante, esse período de vários anos marcou pelas aventuras que fazíamos, por exemplo, para curtir um veraneio no Litoral. Quanta adrenalina, desde a definição de um destino, o desafio de colocar uma mudança em cima do carro e, finalmente, a estratégia de viagem para administrar a energia e ansiedade de três ferinhas que não me davam sossego no banco de trás do carro.
Ao final, sempre valeu muito a pena. Tanto que não nos cansamos de contar e recontar histórias que marcaram a todos nós para sempre.
É um bom exercício: já temos no nosso passado a que seria a melhor fase da vida? Ou esse período mágico ainda está por vir?
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