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LUÍS FERNANDO FERREIRA

O Nobel dos jornalistas

Alguém gostaria de viver em um país onde não existisse imprensa livre? Onde fosse proibido publicar críticas ou notícias incômodas para qualquer governante ou político? Você gostaria de morar em um país em que todas as informações são emitidas e controladas por um órgão de mídia estatal, como é a agência KCNA, na Coreia do Norte? Alguns teriam pavor de imaginar a vida no reino de Kim Jong-Un, sentiriam calafrios anticomunistas, talvez até perdessem o sono. Mas o fato é que a imprensa vive sob ataques praticamente no mundo inteiro, seja em países de direita ou esquerda, ou que nem se importam tanto com direita e esquerda. E quando digo ataques, falo inclusive de agressões físicas e virtuais (também duras), em sociedades cada vez mais conturbadas por notícias falsas, desinformação massiva e radicalização violenta.

Em meio a isso, a Academia Real das Ciências da Suécia decidiu, na semana passada, entregar o Nobel da Paz de 2021 para dois jornalistas. A filipina Maria Angelita Ressa, de 58 anos, e o russo Dmitry Andreyevitch Muratov, 59, foram premiados pela “luta corajosa” em favor da liberdade de expressão nos respectivos países, segundo a comissão do Nobel – que os definiu como “representantes de todos os jornalistas que defendem esse ideal”.

Ressa comanda o website independente Rappler, conhecido nas Filipinas por denunciar abusos de poder, execuções e outros crimes incentivados, segundo ela, pelo presidente Rodrigo Duterte. E Muratov é um dos fundadores do periódico russo Novaya Gazeta, que já teve seis jornalistas assassinados desde sua fundação, em 1993. Em comum, os dois têm a persistência de fazer seu trabalho em lugares onde o autoritarismo parece crescer.

E que trabalho é esse? Jornalismo, ou seja, trazer os fatos – o que significa, muitas vezes, “publicar aquilo que alguém não quer que seja publicado”, na frase de William Randolph Hearst. Que um prêmio tão importante como o Nobel sirva de reconhecimento a toda a categoria, a cada profissional dedicado. Em 2015, também uma jornalista venceu o Nobel de Literatura: a bielorrussa Svetlana Aleksiévitch, autora de Vozes de Tchernóbil e outros livros de impacto. Dica de leitura para encerrar.

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