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MARCIO SOUZA

O peso do IGP-M

O brasileiro recebe um turbilhão de informações, cobertas de siglas. Algumas são compreendidas por boa parte da população; outras, ninguém faz ideia do que significam. É possível compreender, sobre parte delas, que têm peso no cotidiano, porque em sua elevação os preços ficam maiores nos estabelecimentos comerciais. Quando o assunto é um produto que depende de safra, é ainda mais perceptível. As letrinhas dos apontadores começam a indicar que vem aumento pela frente.

Entre os casos amplamente divulgados estão o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e o Índice Geral de Preços – Mercado (IGPM). O primeiro é percebido direto nas compras do dia a dia e o segundo serve como balizador para alguns reajustes, como os valores pagos pelos aluguéis. Nas redações de jornais, rádios, portais e emissoras de televisão, pode se reconhecer o indicador de qual deve ser o rumo dos preços sobre determinados produtos. E não se trata de levantamentos teóricos ou resultado do grande conhecimento técnico dos profissionais do jornalismo, sobretudo econômico. É noção empírica vinda do conhecimento adquirido com o passar dos anos.

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Um dos exemplos é o IGP-M da redação. Trata-se do Índice Geral de Preços da Mesinha. O “M” faz referência a um móvel presente em praticamente toda redação jornalística. Ali são colocados produtos típicos da região em que o veículo de comunicação está sediado. Em Santa Cruz do Sul, essa mesinha vive coberta de cuca. Tem de todos os sabores e estilos, em qualquer parte do ano.

Em alguns momentos, no entanto, a cuca dá lugar à laranja, à uva, ao kiwi, e, ontem, à bergamota e ao pinhão. A origem desses produtos está na colaboração de colegas ou nas doações de produtores, quando são visitados pela reportagem para mostrar como está a safra no ano atual. Bons resultados de colheita acabam em fartura na mesinha da redação. É sinal de que o IGP-M deve baixar, porque há abundância de produtos e a lei da oferta e da procura é preponderante na definição do custo aos consumidores.

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E tem outro indicativo. Se hortifrútis chegam com tanta facilidade à mesinha da redação, é sinal de que os resultados estão bons na região e isso significa menor custo logístico. Por outro lado, alguns casos como o tomate, por exemplo, que precisa vir de outros estados, já deixam ruborizados aqueles que precisam comprar o fruto que deixa o molho vermelhinho. O nosso IGP-M não é oficial, mas mostra vida real além das siglas.

Faz pensar na letra de Saco de Feijão, que ganhou notoriedade na voz de Beth Carvalho. “De que me serve um saco cheio de dinheiro pra comprar um quilo de feijão?” O grão não chega à mesinha, então obriga um levantamento maior. Como canta Neguinho da Beija-Flor, em Dia a Dia (Melô da Inflação): “É que a cada dia surge um novo aumento, que às vezes descontrola a situação”. Para não se abalar com isso, o ideal é ficar de olho na mesinha (e cada um tem a sua), se o tomate está caro, o molho branco passa a ser o caminho.

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