Para a região estar bem, são necessários esforços que transcendem o poder público. É uma constatação, não suposição. Temos exemplos ao nosso lado, o Vale do Taquari, devastado por três enchentes em oito meses, entre setembro de 2023 e maio de 2024 – uma menor foi registrada em novembro de 2023. Trabalhava em uma emissora de lá durante esses três eventos climáticos. Andei em escombros, conversei com moradores que perderam familiares e todos os seus bens e memórias. Do mais humilde ao abastado; da casinha à mansão; do pequeno bar a uma multinacional. Não havia distinção.
Ainda em 2023, as associações de empresários, indústrias, varejistas, cooperativas e outras tantas que representavam também as comunidades, foram fundamentais para reconstruir a região. Mesmo com a dor pungente das perdas, eles tinham certeza de uma coisa: o Vale do Taquari é muito forte e tem motor econômico muito potente, que gera oportunidades e qualidade de vida. E assim seguiram.
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Entre tantas necessidades, as forças econômicas e sociais se uniram para elaborar grandes projetos regionais. Recentemente, o governo do Estado anunciou a construção de uma nova ponte sobre o Rio Taquari, com investimento de R$ 350 milhões. Já há movimentos para construir uma segunda, no Rio Forqueta, entre Lajeado e Arroio do Meio. O município de Imigrante, com metade da população de Sinimbu e que perdeu a mesma quantidade de pontes em 2024, já reconstruiu e entregou quase todas. E o Vale do Rio Pardo?
Nessa sexta-feira, 20, entrevistamos no programa Estúdio Interativo, da Rádio Gazeta FM 107,9, o presidente do Consórcio Intermunicipal de Serviços do Vale do Rio Pardo (Cisvale) e prefeito de Vera Cruz, Gilson Becker. Durante a conversa – desprovida de qualquer rivalidade –, reconheceu que nossos vizinhos se mobilizam mais. E destacou a ausência de um projeto mais amplo que possibilitaria a visibilidade que merecemos, inclusive para facilitar acesso a recursos de outros projetos de menor monta. Ele está certo.
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Fomos seriamente impactados. Sinimbu, devastada. Vimos o poder da solidariedade das pessoas que se mobilizaram individualmente. Há, sim, excelentes iniciativas no Vale do Rio Pardo. Porém, não sinto aqui a mesma coalizão associativa que vi por lá. Falo do conceito, não de uma entidade em específico – até porque considero elas ótimas. As forças se associaram para resolver uma dificuldade em comum. Qual é a nossa? Quem decide qual é? Será o poder público ou as associações que representam a sociedade e os setores econômicos? Quem, afinal? Ainda há tempo de formarmos essa coalização regional. De termos nosso grande projeto e poder de “falar grosso” com os governos, assim como fazem nossos vizinhos. Merecemos.
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