As obras de recuperação da RSC-153 estão paralisadas, mesmo após o anúncio da aplicação de R$ 50 milhões do Fundo de Reconstrução do Rio Grande do Sul (Funrigs). O investimento foi autorizado em julho do ano passado para serviços de recapeamento, limpeza, drenagem e sinalização da rodovia – que liga o norte ao sul do Estado, passando pelo Vale do Rio Pardo –, mas parte das intervenções acabou interrompida.
A autorização consta na Resolução 21/2025 do Comitê Gestor do Funrigs, que prevê verbas para a restauração de estradas estaduais atingidas por eventos climáticos. O montante foi liberado para dois trechos: R$ 25 milhões destinados à recuperação de 40 quilômetros entre Vera Cruz e Herveiras e outros R$ 25 milhões para os 83 quilômetros entre Herveiras e Soledade.
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A situação preocupa lideranças regionais e usuários, que relatam precariedade em diversos pontos. O secretário da Fazenda de Santa Cruz do Sul e integrante da Comissão Avante 153, Bruno Faller, afirma que há locais sem qualquer intervenção ou sinalização, o que aumenta o risco de acidentes. Segundo ele, entre o viaduto da RSC-287, em Vera Cruz, e o distrito de Pinhal, a pista apresenta buracos e baixa visibilidade. Em pontos onde houve recapeamento, o asfalto novo ainda não recebeu pintura definitiva; a ausência de faixas dificulta a orientação dos motoristas, sobretudo à noite ou sob neblina.
Mudança de estação eleva riscos
Corredor logístico estratégico para o escoamento da produção agrícola ao Porto de Rio Grande, a RSC-153 encurta em 110 quilômetros o trajeto entre o Planalto Médio e o Sul, comparado à BR-386. No entanto, o intenso fluxo de carretas durante a safra, somado a trechos sinuosos e à ausência de sinalização, tem ampliado o perigo para os motoristas. O risco é agravado com a chegada do outono e do inverno, devido aos nevoeiros frequentes na região de Herveiras que reduzem a visibilidade em pistas sem pintura de eixo ou borda.
O presidente da Comissão Avante 153 e vereador de Herveiras, Antônio Gildásio Corte Vieira, cobrou o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) nessa semana. Segundo ele, o órgão interrompeu os serviços que ocorriam no trevo de Soledade. A paralisação estaria ligada a possíveis bloqueios nas estradas devido à alta do diesel. “A tendência é voltar a trabalhar apenas quando normalizar a questão do combustível. Antes disso, não há previsão”, disse Vieira.
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O prefeito de Herveiras, Nazario Rubi Kuentzer, confirmou a redução no ritmo dos trabalhos. De acordo com ele, dos R$ 50 milhões destinados, cerca de R$ 35 milhões já foram aplicados. “Recebi a informação de que as obras devem continuar, mas ainda sem data definida”, afirmou.
Em Barros Cassal, o prefeito Joviano Zago observa que a interrupção vem desde o fim do ano passado. “Acreditávamos que seria um recesso, mas não retomaram mais. Não vimos mais movimentação de máquinas nem de trabalhadores no trecho”, lamentou.
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Rodovia é estratégica para a economia da região
A RSC-153 é um eixo estratégico para a economia gaúcha, ligando o Norte, o Planalto Médio e o Sul do Estado. Como alternativa à Região Metropolitana, a rodovia reduz custos logísticos e encurta distâncias no transporte de cargas – como soja, tabaco e pedras preciosas – em direção ao porto de Rio Grande.
Apesar de sua importância, a estrada é alvo frequente de queixas devido à precariedade do pavimento e à sinalização deficiente, fatores apontados como causas recorrentes de acidentes. Líderes regionais reforçam que a conclusão das melhorias é essencial para garantir a segurança dos motoristas e sustentar o desenvolvimento econômico local.
Daer se manifesta
O Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) informou que a sinalização definitiva ainda não foi realizada porque a obra não está concluída. Conforme o órgão, a pintura completa será executada somente após a conclusão de todas as etapas. Durante os trabalhos, haverá apenas sinalização provisória nos trechos que recebem nova camada asfáltica.
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O Daer também diz que já foram executados serviços como contenção de encostas, remoção de barreiras, recomposição do asfalto, limpeza de drenagem, tapa-buracos e roçadas. O órgão confirmou que houve interrupções em razão de dificuldades no abastecimento de óleo diesel. Ainda assim, garantiu que os recursos do Funrigs continuam assegurados e que as equipes devem retomar as atividades nos próximos dias.
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