No período de Natal, como já referi sobre apresentação minha e da colega Lissi Bender no projeto Academia de Letras na Comunidade, tratamos das tradições alusivas à data e que estão muito ligadas a hábitos trazidos pelos imigrantes alemães à nossa região (Colônia Santa Cruz), onde começaram a chegar justamente em dezembro no final de 1849. Entre elas, incluem-se a árvore de Natal e o presépio do Menino Jesus, que ainda continuam presentes em nosso meio, mas já não mais tanto.
Ainda aparecem imponentes em igrejas (os vi na nossa iluminada Catedral e na Comunidade Santo Inácio) e algumas residências, como a da casa onde nasci em Linha Santa Eugênia (Cerro do Baú), Monte Alverne, Santa Cruz do Sul (divisa com Venâncio Aires). Lá, a irmã Melita e o esposo Ereneu, mesmo em idade mais avançada, se esforçaram por vários dias para manter promessa e erguer um belo pinheirinho (natural), todo enfeitado, junto a presépio incrementado, com realce para simples e iluminado espaço coberto onde Maria e José cuidam do recém-nascido Menino Jesus, e próximos já vêm chegando os três Reis Magos.
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Levei os netos para conhecerem de perto essa tradição, pois hoje, de maneira geral, praticamente só resta nas casas o pinheirinho artificial com seus adereços e a companhia do Papai Noel. O motivo principal da festa perdeu espaço, assim como os magos que foram visitá-lo, na chamada Epifania (manifestação/revelação) do Senhor, data hoje comemorada. Inclusive nas imediações onde resido (Bairro Santo Inácio), já há vários anos não se ouve mais as canções dos Reis chegando às casas.
Eles sumiram. Foi preciso recorrer à memória da esposa Angela, que integrava ternos de reis na infância, e de amigos coralistas da Afubra, como o colega e músico Ivo Hermes, que participava em outros momentos de grupo de Schoenstatt em visitas às residências, para lembrar de versos que então eram cantados. Entre eles, estavam: “Ó de casa, nobre gente/Escutai e ouvireis/Que das bandas do Oriente/São chegados três reis//Os três reis porque eram santos/Se puseram a caminhar/E se unindo a tal estrela/Em Belém foram parar”.
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Os sábios reis magos, de raças e idades diversas, entregaram presentes ao recém-nascido (ouro, para reverenciar sua realeza; o incenso, a sua divindade; e mirra, para lembrar também da sua humanidade). Nas visitas atuais dos ternos de reis, os grupos levam mensagens de fé, esperança e prosperidade, como cita o colega Ike na Gazeta, ao se referir ao CTG Lanceiros de Santa Cruz, que mantém a tradição e tem entre seus integrantes o também colega Roni Nunes, da Academia de Letras, e esposa Leila Figueiredo, a “Dona Boleira”.
Outros municípios da região, pelas notícias, ainda fazem eventos maiores, como Passo do Sobrado e Venâncio Aires, onde ocorre o 31º Festival de Ternos de Reis (amanhã à noite), visando fortalecer laços culturais entre gerações. Seu secretário de Cultura, Sandro Kroth, cita que “para muitas famílias, o Ano Novo só começa de fato após a chegada dos Reis Magos em suas residências, levando fé, música e bênçãos”. Mantém-se assim tradição trazida por imigrantes portugueses, mas também reverenciada por alemães (na Alemanha, a Catedral de Colônia guarda restos mortais dos magos, algumas províncias têm feriado e crianças saem a cantar). Simpatias ainda fazem parte do dia entre nós, mas é notável que esmorece a reverência ao evento, já chamado de “Festa da Luz”, como o Natal. O que se espera é que não esmoreçam e não sumam, em nossos corações, os bons sentimentos evocados por esta época tão especial.
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