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LUÍS FERNANDO FERREIRA

Os termos do contrato

O poder absoluto corrompe absolutamente. Essa é uma afirmação com a qual todos tendem a concordar, embora não haja talvez clareza do que significa corromper-se “absolutamente”. As denúncias apuradas na investigação sobre Jeffrey Epstein e que agora atingem outros bilionários, políticos e figuras influentes em escala global podem representar uma demonstração radical desse postulado.

Em meio às 6 milhões de páginas dos “Epstein files” nos EUA, fica-se curioso sobre o conteúdo de aproximadamente 2 milhões que não vieram a público. Por quê? Combustível para teorias infinitas, inclusive as mais bizarras. A ex-companheira de Epstein, Ghislaine Maxwell, continua presa por tráfico sexual infantil. Há não muito tempo, ela era presença corriqueira em colunas sociais.

Nunca se sabe o que há por trás de um rosto; alguns semblantes são como máscaras enganosas. Quem diria que aquele piloto de 60 anos preso nesta semana, em São Paulo, seria chefe de uma rede de abuso sexual infantil?

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Máscaras são um elemento-chave no filme De Olhos Bem Fechados (1999), que voltou a ser tema de conversas. O último longa-metragem do diretor Stanley Kubrick, dizem, teria previsto o caso Epstein. A rigor não previu nada, mas há uma cena específica sugestiva.

O médico vivido por Tom Cruise chega sem convite a um estranho “baile de máscaras” que culmina no ritual de uma sociedade secreta. O cenário é uma mansão, os participantes são obviamente gente de posses, a atmosfera é de uma cerimônia pagã com direito a cantorias sinistras, mulheres nuas e alguma orgia.

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De Olhos Bem Fechados é, na verdade, uma história antiga. Kubrick adaptou uma obra literária de 1926, Breve romance de sonho. No enredo de Arthur Schnitzler, tudo se passa em Viena, Áustria, na época do Carnaval. O casal Fridolin e Albertine enfrenta uma crise de ciúmes recíprocos após retornar de uma festa à fantasia – outro baile de máscaras, só que normal.

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Incomodado, Fridolin (Bill, no filme) sai de casa e perambula pela noite. Reencontra um velho amigo, músico que está prestes a tocar piano numa festa fechada, e assim chega à insólita mansão. Logo é descoberto como intruso, mas consegue sair graças à interferência de uma desconhecida. Dois dias depois, descobre (ou pelo menos acredita) que essa mulher está morta.

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Fridolin/Bill pergunta-se quem seriam aquelas pessoas. Algumas poderiam ter estado na festa da qual participara com Albertine. Conhecidos seus. Quem sabe o que há por trás de um rosto? E quando se usa uma máscara com frequência, como saber qual é a face verdadeira?

Nachtigall, o pianista, também não sabe. Foi contratado apenas para tocar, e com uma condição: de olhos vendados. Ele não estava lá para ver.

São os termos do contrato.

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