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FALANDO EM DINHEIRO

Pais que precisam da ajuda dos filhos

Há poucos dias, celebramos o Dia dos Pais. Foram muitos (re)encontros, almoços, presentes, tudo para homenagear, enaltecer e agradecer à figura do pai. Mas, existe um lado do Dia dos Pais que raramente é exposto. Afinal, por que estragar o dia da festa com notícias não muito boas? Um levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), realizado no mês de julho, constatou que o endividamento dos brasileiros voltou a crescer e atinge patamar histórico.

A situação é mais dramática para as famílias com renda até R$ 2,1 mil. Os principais motivos que levaram a essa situação são a redução do valor do Auxílio Emergencial e o alto índice de desemprego. Milhares ou milhões desses números de endividados são pais que, certamente, não tiveram muitos motivos para celebrar a data especial.

Ao longo da vida, muitos pais, talvez a maioria, abriram mão de diversos desejos pessoais, como uma viagem, a compra de algum produto ou, até mesmo, a reserva de algum dinheiro para formar “um pé de meia” que lhes  garantissem uma longevidade mais tranquila. A preocupação era dar aos filhos uma vida mais confortável, estudos e, assim, deixá-los preparados para  iniciar alguma atividade profissional.

Por diversas razões, muitos pais entraram numa ciranda de dívidas, mas, por orgulho ou por acharem que conseguirão por as contas em dia, escondem o problema dos familiares, na tentativa de poupá-los de preocupações. Sem fazer uma avaliação sobre as causas do endividamento, recorrem a empréstimos junto a instituições financeiras e factorings  para resolver alguma situação pontual, o que, muitas vezes, só aumenta o problema.

Por isso, a ajuda de um filho ou parente próximo pode ser a melhor saída. Especialistas recomendam que os pais endividados não esperem que a situação se torne insustentável para recorrer aos filhos. Mas, antes de pedir dinheiro aos familiares, os pais devem,  primeiramente,  identificar os motivos que os levaram ao endividamento ou, pior ainda, à inadimplência, fazendo um diagnóstico da situação financeira:

  1. Saber exatamente o valor líquido mensal da receita (salário, pensão, renda);
  2. Anotar cada um dos pagamentos efetuados para conhecer o destino de cada real gasto;
  3. Levantar o valor das dívidas, relacionando credores, juros que carregam, vencimentos, implicações (corte de serviços, arresto de bens, etc).

Depois, preparar um planejamento, mostrando de quanto dinheiro precisam, como pretendem devolver o empréstimo – se é que vão ter condições para isso – e, principalmente, o que vão fazer ou deixar de fazer para que isso não se repita, no futuro.

Problemas financeiros dos pais também podem surgir em decorrência de doenças, principalmente de Alzheimer. O alerta foi feito por um estudo realizado pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade Johns Hopkins, em parceria com a Universidade de Michigan e o Federal Reserve Board of Governors, um dos organismos do FED (espécie de Banco Central americano). Os pesquisadores contataram que alguns sintomas financeiros podem aparecer até seis anos antes do diagnóstico definitivo de Alzheimer. As pessoas perdem a documentação, esquecem de pagar contas (impostos, boletos, etc), acumulando débitos, ou simplesmente doam algum imóvel (uma sala comercial, por exemplo) para um amigo e quando os familiares tomam pé da situação, o prejuízo é irreversível.

O importante é que os familiares fiquem atentos a comportamentos atípicos ou estranhos, não só de simples atitudes do dia a dia, mas também de ações relacionadas às finanças, tomando medidas para proteger aquela pessoa e, também, todos que poderão  sofrer as consequências de algum deslize financeiro. A abordagem requer habilidade e, principalmente, um momento oportuno para evitar mal entendidos, ainda mais que o idoso poderá imaginar que existam outros interesses em jogo.

São inúmeras as histórias de pais, simplesmente, abandonados pelos filhos, às vezes deixados em asilos de precárias condições para esperarem a morte chegar. Obviamente, não se está falando de casas geriátricas, muito bem instaladas e equipadas, atendidas por profissionais qualificados, e que oferecem atendimento de 24 horas aos clientes. Mas, mesmo nessas casas, é importante que os pais, em condições de entenderem e avaliarem a proposta, manifestem sua vontade de nelas se internarem.

Por fim, cabe lembrar o  que diz a legislação sobre o assunto. De acordo com o artigo 12 do Estatuto do Idoso, pessoas com mais de 60 anos que não tenham  condições financeiras de se sustentar nem contem com o auxílio de familiares podem receber pensão alimentícia dos filhos. Embora todos os filhos tenham obrigação legal de ajudar, em casos extremos, numa ação judicial, os pais podem optar por um deles que tenha melhor condição financeira. O artigo 229 da Constituição Federal, por sua vez,  diz que “os pais tem o dever de assistir, criar e educar os filhos menores” enquanto “aos filhos maiores cabe o dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carência ou enfermidade”.

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