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Paris pelo paladar: Restaurante Biche, o melhor da cidade

Foto: Arquivo Pessoal

O Restaurante Biche, que o chef Paul-Alexandre Laumont conduz em Paris

Paris: cidade romântica e elegante, com suas imensas avenidas que guiam o olhar a monumentos históricos como o Arco do Triunfo e o Dôme des Invalides. Foi a primeira metrópole a ser projetada sob um modelo moderno, através da revolução urbana de Haussmann, e protagonista na transformação da arte com gênios como Monet, Renoir e Dalí. Muito antes disso, foi também o palco da Revolução Francesa, que remodelou as estruturas políticas e nos libertou do absolutismo. Paris não é apenas bela; é repleta de personalidade e camadas de história.

Nesta sobreposição de tempos e significados, também se destaca a sua força gastronômica. O objetivo da nossa viagem era explorar a cidade pelo paladar, pois a gastronomia francesa é reconhecida mundialmente como símbolo de excelência pela sua precisão, tradição e ingredientes de qualidade. Os pratos clássicos carregam uma importância enorme: são chaves de leitura de uma sociedade e ajudam a construir a identidade de um povo.

Segundo o filósofo Gadamer, o clássico apenas continua vivo se as novas gerações o mantêm aceso; nada é eterno por si só. Para manter essa chama, é necessário, antes de tudo, escutar o que ele tem a nos dizer, sem contaminá-lo com a nossa visão. O clássico fala por si e carrega sua mensagem de forma intrínseca. Somente após esse primeiro encontro podemos nos permitir a liberdade de trazer as nossas próprias ferramentas interpretativas.

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Foi exatamente esse processo de respeito e reinterpretação do icônico Cordon Bleu, prato do imaginário coletivo francês, composto por frango batido, presunto e queijo empanados, que o chef Paul-Alexandre Laumont trouxe para o restaurante Biche. Tivemos o prazer de sermos convidados para viver essa experiência gastronômica no melhor Cordon Bleu de Paris, vencedor do prêmio em 2025, e, nesta edição, compartilho os detalhes com vocês.

A culinária tem o dom de despertar memórias afetivas pelo paladar, e é exatamente nessa essência que o Biche se fundamenta. Para mim, essa conexão ressoa como uma melodia que, ao ser ouvida, nos transporta instantaneamente no tempo. Cresci ouvindo histórias sobre o “Cordon Bleu francês”, o prato preferido da minha mãe, Vânia Beatriz. Ela sempre me contava sobre o queijo derretido, o frango macio e a crocância envolvente. Minha mãe era aeromoça e teve a oportunidade de viajar a Paris inúmeras vezes.

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A forma como ela descrevia essa experiência despertava em mim uma curiosidade profunda, até se transformar em um sonho compartilhado entre nós: “apreciar um Cordon Bleu” em Paris. Hoje estamos a mais de 10 mil km de distância, ela no interior do Rio Grande do Sul, eu vivendo na Itália, e nos vemos apenas uma vez por ano. A saudade às vezes aperta. Mas quando se ama alguém, a conexão atravessa a distância física em momentos como este: era como se ela estivesse comigo no restaurante Biche. Fiquei imaginando como ela teria apreciado cada detalhe, e senti uma alegria silenciosa por finalmente viver essa experiência gastronômica que tanto a emocionou.

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O prato, quando chegou, era generoso: a crocância se quebrava ao toque, revelando um interior macio, com o queijo derretendo lentamente, como dita a tradição. “Mantive o prato bastante autêntico. A verdadeira transformação reside na estética e na técnica: o corte preciso, a apresentação no prato e as inspirações sutis que retirei de chefs com estrelas Michelin. O objetivo é respeitar a memória e a alma do prato, conferindo-lhe simultaneamente uma identidade distinta, moldada pela minha própria trajetória culinária. É a tradição servida com uma nova perspetiva”, descreve Paul-Alexandre Laumont.

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Essa intenção se materializa em cada detalhe. O Biche é um restaurante que me marcou profundamente de forma sensorial, não apenas pelo atendimento, mas pela sua essência: a de nos fazer sentir próximos, como em uma casa de família no interior. A partir do momento em que se cruza a porta, algo muda. Não parece que estamos no meio do ritmo frenético de Paris. O tempo desacelera, a nostalgia se instala, os olhos repousam sob a luz de velas.

O espaço reflete a visão do chef: para Paul-Alexandre Laumont, o verdadeiro luxo é viver a Art de Vivre, saborear uma boa refeição, degustar um vinho fino, reinterpretar clássicos e criar memórias que permanecem mesmo após a última mordida. E é justamente o que se registra nas garrafas de vinho vazias que emolduram o ambiente: clientes leais assinam os rótulos após celebrarem momentos especiais, transformando-os em pequenas obras de arte que contam a história do lugar.

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E, claro, não poderia deixar de perguntar ao chef qual o vinho ideal para acompanhar o Cordon Bleu: “Um vinho branco seco, como um Antoine Petit Prez, ou um branco do Jura ou da Alta Saboia, é ideal. Ele reflete a riqueza do queijo sem se sobrepor ao prato. É fresco, limpo e permite que os sabores do Cordon Bleu se destaquem.” Anotem esta dica para quando vierem a Paris: a combinação enogastronomia perfeita.

Para concluir, gostaria de deixar a minha reflexão. Quando viajamos, muitas vezes nos preocupamos em cumprir um checklist de lugares e monumentos, guiados principalmente por um único sentido: o da visão. Para tornar a sua viagem exponencialmente mais profunda, permita-se ativar outros sentidos ao se abrir para experiências que vão além do visível. Visitar uma cidade também é atravessá-la pelo paladar, através de um prato clássico que carrega em si a história de uma cultura e te permite também criar memórias que viverão, como diz o chefe Paul-Alexandre Laumont, muito além da última mordida.

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