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Rio Pardo

Peixes carnívoros ameaçam ecossistema no Rio Jacuí

Com formato de disco e dentes afiados, peixe pode chegar a 30 cm de comprimento

Cardumes de palometas, que são peixes da mesma família das piranhas, típicos dos rios do Sul do Brasil, do Uruguai e da Argentina, têm sido vistos com frequência no Rio Jacuí, em Rio Pardo, como relatam pescadores. O peixe, que tem formato redondo, dentes afiados e cor metálica avermelhada, pode chegar a até 30 centímetros de comprimento.

Em entrevista à Rádio Rio Pardo FM 103,5, o biólogo Andreas Köhler, professor do Departamento de Ciências da Vida da Unisc, frisou que uma das possíveis causas da proliferação, pouco frequente na região, é o desequilíbrio ambiental.

“Há relatos do surgimento de piranhas por pescadores há mais de dez anos no Rio Jacuí. No entanto, a captura de predadores naturais das palometas, como o peixe dourado, que está em extinção, propicia a multiplicação dessa espécie”, afirmou Köhler. “Outro fator é o aquecimento global. A cada ano ficando mais quente, o clima muda, assim como a temperatura. As águas que antigamente eram mais frias agora ficam mais quentes, e esse clima favorece a proliferação das populações de peixes. Falta um controlador biológico.”

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Apesar de ser de uma espécie carnívora, as palometas não têm o hábito de atacar humanos que não estejam com algum corte ou ferimento. Entretanto, segundo Köhler, o repovoamento desse peixe, que é um grande predador natural, acaba prejudicando o desenvolvimento de outras espécies.

“Nossos rios têm uma certa quantidade de alimentos que devem servir para todos os animais, principalmente aos peixes que se encontram neles. Se temos agora uma nova espécie surgindo, automaticamente ela está competindo com esses recursos que existem nos rios. Com certeza, isso vai impactar na criação de algumas espécies que hoje são nativas aqui da região”, enfatizou. “Ainda não sabemos com certeza com quais espécies ela irá competir, e reduzir.”

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Começa a faltar pescado para consumo
A pescadora Aline Barbosa dos Santos, de 36 anos, que há dois anos tira o sustento da família ao lado do padrasto, Gilmar Medina, conta que o pescado está bem reduzido e já começa a faltar. Segundo ela, desde a semana passada, quatro palometas foram pegas quando tentavam retirar outras espécies do rio, na praia do Porto Ferreira.

“Jogamos a rede e vieram duas palometas grandes. Depois disso, pegamos outras duas no caniço. São muitos peixes dessa espécie, em tamanhos pequenos. Como são predadores, eles acabam com outras espécies que costumamos pescar para a alimentação humana. Daí nosso prejuízo. Nesta semana mesmo, não pegamos quase nada para a Semana Santa”, explica. Já houve relato de pescadores que pegaram palometa de 1,7 quilo. Ela quase não tem valor comercial, por ter muitos espinhos.

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