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AGROPECUÁRIA

Produtores enfrentam o desafio de equilibrar custos diante do preço baixo do leite

Foto: Alencar da Rosa

Milton Frantz, de Cerro Alegre Alto, em Santa Cruz, conta com 67 vacas em lactação

Os produtores de leite do Estado enfrentam uma forte queda no valor pago por litro. A média atual é de R$ 1,85, enquanto o preço chegou a R$ 2,15 para volumes maiores entregues às indústrias. Os motivos elencados para a redução são a diminuição no consumo, com o fim do auxílio emergencial, e a produção alta, além de importações elevadas.

Segundo o vice-presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag), Eugênio Zanetti, para que os produtores trabalhassem com uma margem justa, o preço do leite deveria estar pelo menos a R$ 2,10 por litro no campo.

“O custo está estrangulando a margem neste primeiro trimestre. Tivemos o reajuste na ração, em torno de 40%, nos últimos seis meses; de 25% nos fertilizantes nos últimos dois meses; e de 45% nos medicamentos e materiais de borracha e plástico”, explica.


O presidente da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), Marcos Tang, afirma que é necessário fazer uma comparação. Para ele, a remuneração do leite precisa ser maior do que o valor pago por um quilo de ração. “Estamos no amor à profissão. Nós precisamos de uma política de exceção. Manter os nossos produtores de leite vivos é uma questão de soberania nacional”, frisa.

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O produtor Milton Frantz, de Cerro Alegre Alto, interior de Santa Cruz do Sul, está recebendo R$ 2,15 pelo litro. Porém, o quilo da ração fica em R$ 2,48. A base de proporção da alimentação de uma vaca holandesa é de 10 quilos para a produção de 30 litros de leite.

Os custos aumentaram e dificultam a atividade. “Encareceu bastante para fazer silagem. Ainda estamos tentando nos recuperar da estiagem do ano passado. Ficamos sem reservas. Ainda temos medicamentos, sal mineral, óleo diesel e manutenção de equipamentos. Estamos utilizando caroço de algodão, que é mais barato do que o farelo de soja”, comenta.


Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santa Cruz do Sul, Renato Goerck, os produtores estão com pouco poder de barganha. “De dezembro para cá, a queda no preço foi acentuada. Caiu de R$ 0,20 a R$ 0,40, conforme o produtor. Em contrapartida, os custos aumentaram muito. As rações subiram 45% e os medicamentos chegaram a 40%”, avalia.

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Goerck tem esperança de melhora na entressafra do inverno, quando o consumo sobe e a oferta no mercado é reduzida. “Vemos muito leite importado e existe uma disputa desleal. Só não estamos marcando mobilização pelas restrições da pandemia”, acrescenta.

Semeadura de pastagem terá início em abril

A semeadura das pastagens de inverno começa em abril, conforme o técnico em agropecuária Vilson Pitton, da Emater/RS-Ascar. Segundo o profissional do escritório de Santa Cruz do Sul, é necessário fazer uma análise do solo antes para realizar a adubação correta.

Para o desenvolvimento correto do pasto, a melhor opção é fazer a semeadura durante o mês de abril, até pelo cenário climático que se desenha neste ano. Os insumos vão garantir as necessidades nutricionais da planta.

As principais pastagens são de aveia e azevém. Porém, os produtores podem optar por outras variedades. “Com centeio e trigo duplo, por exemplo, o produtor poderá deixar para produção de grãos após o período de pastejo e ainda utilizar em forma de ração”, detalha Pitton.

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