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Entrevista

Quando um pai volta para casa

Ele foi batizado Carlos Eduardo, mas é raro conhecê-lo pelo nome, pois sempre foi o “Ado” para todos. Ele não é o marido da Ana Paula, é o seu Ado. Tampouco o Bernardo, de 5 anos, o chama de pai, ele é o Ado dele. “Ado” para a família, apresenta apenas 3 letrinhas, mas tem um significado maior, abarca tudo o que ele é: amigo de todas as horas, o braço forte de todos que precisam dele, o pai-fortão do Bernardo, o marido/amor parceiro, o filho responsável e presente do Mario e da Marli, o genro brincalhão e festeiro da Jura e do Werner. Ele é um contraponto. “Ado”, portanto, é não é uma alcunha; é sim, um adjetivo de alguém que faz a diferença na vida de muita gente que o ama. Na vida nada sabemos. Não somos nada. Somos um fiozinho ligado a uma luz que, de repente, pode se romper e, deixar tudo no escuro. No caso do Ado, uma vida muito feliz e repleta. Como disse, ele sempre foi o contraponto, aquele que chama a realidade para si. Ao contrário dos irmãos e de muitos colegas, fez o caminho inverso, não saiu de casa. O Ado é apaixonado pelo campo, pela agricultura. Escolheu para si, ser feliz. Estudou Administração de Empresas para poder dedicar-se à sua paixão: a agroindústria e as lavouras. Quer ficar na terra, na lavoura e agora, na vida. A esposa de Carlos Eduardo Hermes Ana Paula Scheuermann, respondeu às perguntas do jornal Gazeta da Serra de dentro do quarto 238 do Hospital de Caridade Astrogildo de Azevedo, em Santa Maria, instituição que lhes serve de morada há 47 dias, desde a fatídica data de 24 de outubro. 

Gazeta da Serra – Como foi realizado o primeiro atendimento de seu marido? 
Ana Paula Scheuermann – O Ado foi atingido no peito, tendo a facada acertado o coração. Foi rapidamente levado ao Hospital Santa Rosa de Lima, sendo que o resgate foi uma sucessão de coincidências vitais, como, por exemplo, o fato de o Jonas (funcionário da agroindústria) tê-lo segurado de forma correta dentro do carro, mesmo sem qualquer noção de primeiros socorros. 

No hospital, sexta-feira à tarde, foi prestimosamente atendido pelo Dr. Mauro G. Olazar e Dr. Vâner Xavier e por toda a equipe de profissionais da casa, instrumentos de Deus para salvar vidas, os quais não vou nominar sob pena de esquecer alguém, posto que todos foram fundamentais. 
Quando cheguei ao Hospital, cerca de 30 minutos depois, o Ado estava no bloco cirúrgico. Outro anjo de Deus cruzou nosso caminho, o Jonatas, filho do Dr. Gilberto Rathke, amigo da família, que prontamente avisou seu pai que, instantaneamente, deixou a prefeitura e dirigiu-se ao hospital. Também estava no Hospital naquele momento, o médico plantonista. 

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Ao sair da cirurgia, o Ado foi para a sala de recuperação, onde teve uma parada cardiorrespiratória e precisou de manobras de ressuscitação. Ali mesmo, na sala não-estéril, foi submetido a um segundo procedimento cirúrgico que estancou a hemorragia no coração. O Ado perdeu quase todo o sangue do corpo.

Como achávamos que o Ado estava estável na sala, eu e meu cunhado Renan, inocentemente abrimos a porta da sala de recuperação e nos deparamos com a cena que jamais vamos esquecer: o coração exposto, sendo massageado, o médico literalmente em cima da maca fazendo massagem cardíaca. Fomos retirados do local e ficamos atrás da porta ouvindo a pior sinfonia que alguém pode escutar: eu ouvia o barulho das molas da maca no ritmo das massagens cardíacas. Escorada naquela porta, só pensava no Bernardo, uma criança de 5 anos que, naquele momento, estava na aula, no Colégio do outro lado da rua, sem saber que o pai estava ali, com o peito aberto e a vida se esvaindo. Chamei o Ado de volta e pedi a Deus a chance d’ele criar o filho. Deus nos ouviu.

Os profissionais do Hospital Santa Rosa de Lima são enviados de Deus. Se em toda a minha vida eu tivesse a oportunidade de salvar uma vida sequer, eu já estaria repleta. Essa certeza aqueles anjos podem ter – eles salvaram o nosso Ado. 
O Ado foi estabilizado e começou a saga da busca da vaga em UTI. Surgindo vaga na UTI Coronariana (UCOR) do Hospital de Caridade, aqui em Santa Maria, outra batalha pela frente – a remoção. Foram as 2 horas e meia mais longas da minha vida. O Ado foi transportado na ambulância, acompanhado pelo Dr. Vaner e demais profissionais de enfermagem, seguido pelo Dr. Mauro, no carro de trás. Fomos ainda, no nosso carro, eu e meu cunhado Junior. O Renan foi na cabine da ambulância e íamos nos comunicando a cada 20 minutos.
 

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