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OPINIÃO

Romar Beling: “O que será das tipuanas?”

Foto: Janaína Zílio

Em realidade de Brasil, cidadãos têm se ocupado em discutir a relação com as árvores. Só mais uma DR em nossa sociedade, que parece incapaz de chegar a acordo ou consenso sobre o que quer que seja. O embate ambiental só denota nossa absoluta dificuldade de conviver em harmonia, e o que antes envolvia pessoas atinge também a natureza. Muitos de nós, se pudessem ou fossem liberados para tanto, já teriam limpado toda a área, eliminado qualquer árvore ou planta do horizonte, e besuntado tudo de cimento ou enfeitado com arbustos o suficiente para enganar a vista, isso se não apelassem para as sintomáticas flores de plástico, arremedo de meio ambiente. Alguns de nós parece que têm fobia a árvores, plantas, flores.

Acontece que a condição primeira do ser humano (do ser vivo) é que haja oxigênio. E plantas de plástico ainda não atendem à demanda. Só existe (o universo o quis assim) uma única fonte de oxigênio: as árvores. Quantas mais houver, melhor. Logo, aplausos aos que plantam, conservam e preservam, pelo bem do ar puro e da qualidade de vida de que tanto se fala, que tanto se preza, e pelos quais poucos efetivamente fazem sua parte.

Então Santa Cruz do Sul começa a discutir até as tipuanas do Túnel Verde. Reparem que, em toda a área central, com exceção das duas praças mais antigas, quase só restaram as tipuanas da rua principal. Todo o resto já foi colocado abaixo, e, cá entre nós, para ganho visual nulo. Agora, planeja-se inclusive ofensiva contra as tipuanas, acusadas de perigosas, em discursos que começam a soar quase orquestrados (e quando se intui que o perigoso, em todas as ações nefastas, é sempre o ser humano).

Há décadas as tipuanas (e todas as árvores do Centro) crescem, fortes, vigorosas, serenas e soberanas, sem causar dano algum. Muito pelo contrário (a não ser o fato de elas estarem onde alguns querem que elas não estejam, isto é, em lugar algum). A um simples levantamento se conclui que nenhuma árvore, em décadas, causou efetivamente dano ou risco como os aventados ou insinuados pelos que querem derrubá-las. Ano após ano, temporal após temporal, prédios desabam, postes caem, telhados voam, mas as árvores do Centro seguem lá, não mais frágeis, mas mais fortes, resistentes. Raramente um galho se solta, quando folhas e flores, o que se chama de charme da natureza, e não sujeira. Sujeira é o que as pessoas fazem abaixo delas, em ruas e calçadas. Um ditado oriental diz que a beleza está no olho que vê. Provavelmente a feiura também.

As tipuanas estão entre os poucos bastiões remanescentes de árvores, numa cidade que se ufana de ser diferente, justamente porque um dos patrimônios está na cor verde (que já disse ser a cor da esperança). A se pautar pelos que falam a linguagem de motosserra, o Túnel Verde parece com os dias contados. As tipuanas viraram o novo alvo, um alvo que, veja só, não corre, não se mexe, nem pode reagir. Alguém diria que é até covardia. Quietas, talvez sussurrem entre si: “perdoe-os, porque certamente não sabem o que fazem”.

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