Já estamos em 2026, esse novo ciclo que se estende diante de nós, o futuro que haverá de ser, que precisa ser construído, concretizado, acalentado por nós (por cada um, em sua caminhada individual, e por todos juntos, na esfera coletiva). Um novo ano, em grande medida, é como uma estrada pela qual seguimos, da qual apenas enxergamos alguns poucos metros, e tudo que aguarda além da curva ou da bruma na planície ainda é um vir a ser, um grande mistério.
Mas não nos enganemos: quem abrirá essa estrada é cada um de nós, e como aproveitaremos o percurso (se de maneira positiva, proativa e em condições de cuidar bem da própria estrada, e de nós), é nossa decisão. Não haverá ninguém a quem transferir responsabilidade por um mau caminho, se foi esse que nós próprios escolhemos.
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Nesse sentido, cabe reflexão séria, já nos primeiros dias do novo ano: que lugar reservamos, que lugar enxergamos para a educação? Muito se ouviu nas últimas semanas, na véspera do Natal e, depois, do Ano Novo, votos sendo expressados e enunciados em torno de objetivos como dinheiro, saúde, paz, liberdade, conquistas, conquistas, conquistas… Mas o que são esses propósitos se eles não vierem atrelados a algo muito maior e mais importante, como a capacidade de se melhorar como pessoa, de saber eleger virtudes e valores, e não desvirtudes e valores distorcidos?
Para que um ser humano, no mundo atual, possa se dizer minimamente vivo, minimamente presente, uma coisa é incontornável: educação. Mais do que nunca, num ambiente globalizado, conectado em tempo integral, somos o que sabemos, somos o que dominamos, somos o quanto de autoconsciência tivermos.
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E isso nada tem a ver com dinheiro, posses, bens: é possível ter tudo isso e seguir um completo ignorante, ser um péssimo exemplo, caso exploremos de forma indevida áreas que não só não façam bem como, ao contrário, façam muito, muito mal à humanidade. Veja-se o caso recente do vício nos jogos eletrônicos, um câncer absoluto que mina a sociedade de uma forma que nada mais restará em pé logo ali adiante.
Assim, diante de um cenário tão trágico e tenebroso, no qual o futuro e a vida de milhões de pessoas é sugada para dentro de um mísero celular na palma da mão, pelo qual some pelo ralo a economia de milhões de pessoas, cabe a cada um de nós se perguntar: e onde fica a educação neste novo ano? Onde fica o espaço para a leitura? Quando um indivíduo conseguirá largar o celular de lado ao menos por uma ou duas horas no seu dia a fim de pegar um livro instrutivo e formador, uma revista ou um jornal, e voltar a se conectar com a vida real, a vida que não seja apenas uma aposta (que, sejamos sinceros, já está perdida desde o princípio, porque todo e qualquer jogo foi criado para que a banca sempre ganhe)?
Diante de um novo ano, cabe a pergunta: seguiremos fazendo da vida apenas isso: uma aposta, uma mera aposta? Que, como apostadores, já sabemos perfeitamente bem que é perdida? Ou nos centraremos, cada um e todos juntos, a cada dia mais, numa luta verdadeira por um mundo melhor, por uma estrada melhor? Há tantas coisas esperando para ser resolvidas, solucionadas, em torno das quais se pede atenção, envolvimento, comprometimento, opinião firme e avalizada. Seguiremos nos omitindo, numa vida de faz de conta, a cada novo ano, ou finalmente vamos pegar a enxada e ajudar a construir uma estrada segura, esse 2026 que se descortina para nós?
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