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ENTREVISTA

Saiba mais sobre a santa-cruzense que é sucesso em reality show da Netflix

Foto: Rafaelly Machado

Raíssa e um dos modelos de calcinhas menstruais: tecnologia a favor da autoestima das mulheres

Uma santa-cruzense se destaca no cenário nacional como sócia de uma empresa que visa o bem-estar e a autoestima das mulheres, quebrando o tabu sobre a menstruação. Raíssa Assmann Kist é uma das participantes do novo programa da Netflix, Ideias à Venda. No reality show, ela compartilha sua bagagem como empreendedora à frente da marca Herself, reconhecida pela criação de produtos tecnológicos menstruais e pela promoção do acesso à informação.

A empreendedora de 28 anos reside atualmente em São Paulo. Neta de agricultores, Raíssa é filha de Nelci Teresinha Assmann Kist e Mário Kist, proprietários de um escritório de contabilidade. Estudou no Colégio Mauá, onde fez amizades que cultiva até hoje – inclusive, o grupo de amigas possui uma tatuagem com as coordenadas da escola. Ela viveu aqui até o final da adolescência, quando cursou vestibular para Engenharia Química na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e se mudou para Porto Alegre. Durante a graduação, criou a empresa com a sócia e trocou de curso. Hoje, cursa Políticas Públicas.

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Alguns dos exemplos para o posicionamento da empreendedora no mundo dos negócios vieram de Santa Cruz, com inspirações da família, mas também de outros negócios da cidade. “Meus pais são muito marcantes na minha trajetória, são ambos contadores e possuem esse laço com o empreendedorismo. Então, com certeza essa veia de negócios surgiu deles”, relata. Outra referência de Raíssa é a Mercur, empresa que admira pelo impacto e responsabilidade social e ambiental.

Em visita a Santa Cruz do Sul, a sócia-fundadora da empresa recebeu a Gazeta do Sul nessa segunda-feira, 14, para uma conversa sobre seus laços essenciais com o município, a atuação no mundo dos negócios e os objetivos sociais na atuação da marca.

ENTREVISTA

Raíssa Assmann Kist, Empresária

Raíssa Assmann Kist | Foto: Rafaelly Mahado

Quais foram as inquietações que a levaram à criação da Herself?

Mais ou menos no meio do curso de Engenharia Química, eu tinha que pensar nos próximos passos. Estava numa bolsa de iniciação científica e vi algumas aplicações que poderiam ser feitas para repensar os descartáveis e como isso se conectava com a nossa vida. Fiquei pensando na questão da menstruação. Conversando com colegas, depois com outras mulheres que entrevistamos, de várias regiões do Brasil, a gente entendeu que era uma inquietação e uma vontade de muitas, de viver uma nova experiência menstrual. Por que não uma calcinha que está presente no dia a dia, que a gente utiliza todos os dias, mas com tecidos tecnológicos? Essa foi a proposta, de trazer tecnologia para a menstruação, já que era algo que estava desde a década de 1930 sem uma inovação de fato. Foi assim que em 2016 fizemos o desenvolvimento e em 2017 surgiu a Herself.

A marca foi uma das pioneiras desse segmento no País?

A Herself foi a primeira, juntamente com outra marca em São Paulo. Em agosto de 2017, as duas marcas de calcinhas menstruais abriram o mercado juntas. Nosso e-commerce foi lançado na sequência e desde então temos essa presença nacional, com uma visibilidade orgânica muito simbólica. No ano seguinte a gente lançou os biquínis menstruais, em 2018, foi o primeiro da América Latina e até hoje não existe outra tecnologia específica para moda praia.

Quais são os seus papéis dentro da empresa atualmente?

Hoje eu sou sócia-fundadora, CEO, que tem a responsabilidade de olhar para os valores da Herself. Meu papel é com certeza estar olhando para essa construção de marca voltada para a responsabilidade social e ambiental, um olhar de expansão e crescimento para um negócio de impacto. Hoje quem veste, quem usa Herself, escolhe mudar sua relação com seu próprio corpo, mas transformar a vida de outras mulheres também.

Desde a criação da marca, em 2016, como você vê a ampliação do debate sobre a equidade de gênero a partir da quebra de tabu sobre menstruação?

Acho que justamente essa abertura para um novo produto tangibiliza todo esse questionamento. Trouxemos esse olhar de educação justamente porque precisávamos abrir esse diálogo. Dar voz às inquietações de muitas mulheres e trazer o quanto simplesmente as pessoas estavam acostumadas a usar aquele absorvente descartável que gera alergias, assaduras, poluente, em que elas não se sentiam bem, por não ter outra opção. Podemos criar algo que faça sentido, que seja vivenciado de uma maneira mais intuitiva, prática, confortável, bonita e sustentável. Mesmo pessoas que têm acesso e condições financeiras de comprar um protetor menstrual, de alguma forma podem não ser atendidas pelo absorvente e deixam de fazer suas atividades naturalmente, de praticar algum esporte. E aí falamos de um contexto ainda mais grave que é o da pobreza menstrual, em que meninas não têm nenhuma escolha, não têm acesso a nenhum protetor menstrual e deixam de frequentar a escola, deixam de se desenvolver. Queremos buscar uma equidade onde as mulheres possam ocupar todos os espaços que elas desejam.

Como foi a oportunidade de participar do programa Ideias à Venda?

A Herself é uma empresa fundada por mulheres e que tem um objetivo bem simbólico. Pela nossa relevância nacional, participamos e foi superimportante essa visibilidade, para que pudéssemos trazer a nossa visão como negócio de impacto social e ambiental, a nossa visão em relação à inovação para menstruação. Então foi uma oportunidade marcante para a nossa trajetória.

O programa

Estreou na semana passada o reality show da Netflix, com a participação da santa-cruzense no quarto episódio. Ideias à Venda é um programa original do serviço de streaming com apresentação de Eliana. Os participantes competem pelo prêmio de R$ 200 mil para investir em seus negócios.

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A Herself

A empresa Herself produz protetores menstruais sustentáveis na forma de calcinhas, biquínis e maiôs. O projeto saiu do papel graças ao apoio recebido por meio de um financiamento coletivo. “As pessoas pagaram antecipadamente pelo produto e isso conseguiu viabilizar a nossa entrada no mercado”, conta Raíssa. A cadeia produtiva da marca valoriza a economia local, a cocriação e tecnologias e matérias-primas brasileiras.

Além da venda de produtos, a empresa desenvolve o Herself Educacional, projeto que leva educação menstrual e formas de acesso a protetores menstruais para mulheres em situação de vulnerabilidade social. A Escola da Menstruação produz conteúdo sobre o assunto em livros, além de promover oficinas, cursos e formações focados na educação menstrual. Conheça mais sobre a empresa no site.

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