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ECONOMIA

Santa Cruz e região serão beneficiadas com acordo entre Mercosul e União Europeia

Foto: Bruno Pedry/Banco de Imagens

O Brasil celebrou na última sexta-feira, 9, a aprovação do acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul – que integra ainda Argentina, Paraguai e Uruguai. Foram 25 anos de negociações até o resultado, confirmado pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em seu perfil na rede social X.

As regras do bloco europeu determinavam o aval de ao menos 15 dos 27 estados-membros que, juntos, representam 65% da população total do bloco. Ao todo, 21 foram favoráveis e cinco – França, Irlanda, Polônia, Hungria e Áustria – posicionaram-se contra, enquanto a Bélgica se absteve.

Na avaliação de Ursula, a decisão é histórica. “Estamos empenhados em criar crescimento e empregos e em garantir os interesses dos consumidores e das empresas europeias”, salientou.

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Ursula von der Leyen deve ir ao Paraguai ratificar o acordo considerado histórico | Foto: Christophe Licoppe/Divulgação

Nesta semana, a líder do bloco europeu poderá viajar para o Paraguai, que atualmente é presidente do Mercosul, e ratificar o acordo com os países membros. Em um comunicado na página da comissão, a presidente afirmou que aguarda ansiosamente pelo momento.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva definiu a data da aprovação como um “dia histórico para o multilateralismo”. “Em um cenário internacional de crescente protecionismo e unilateralismo, o acordo é uma sinalização em favor do comércio internacional como fator para o crescimento econômico, com benefícios para os dois blocos”, evidenciou em publicação na sua conta no X.

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Motivos para celebrar não faltam: a expectativa é de um aumento potencial nas exportações, sobretudo da indústria e do agronegócio, assim como a atração de investimentos estrangeiros a médio e longo prazo.

Conforme os líderes de entidades ligadas aos principais setores econômicos do Rio Grande do Sul, o Estado também será beneficiado com o acordo. O presidente do Sistema Fiergs (Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul), Claudio Bier, destacou que a parceria trará crescimento da economia, junto com o aumento de acesso a mercados preferenciais do Brasil. 

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Também contribuirá com outras negociações, ampliando a inserção internacional por meio de acordos com países prioritários. Mencionou ainda a redução de barreiras técnicas e burocracia, assim como mais segurança jurídica e homologação de práticas aduaneiras para transações de investimentos e comerciais.

“O acordo Mercosul-União Europeia impulsionará o crescimento econômico por meio do aumento das exportações, além de atrair novos investimentos estrangeiros, parcerias e joint-ventures, consolidando a inserção estratégica do Brasil nas cadeias globais de valor, aumento da diversificação econômica e fortalecimento do Mercosul”, destacou Bier.

Exportações e importações

Segundo o presidente do Sistema Fiergs, os segmentos da indústria de transformação serão os mais beneficiados com o acordo. Entre eles, o tabaco (US$ 410,5 milhões), químicos (US$ 138,3 milhões), couro e calçados (US$ 84,3 milhões), alimentos (US$ 63,8 milhões) e celulose e papel (US$ 7,4 milhões). 

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Claudio Bier ressaltou que, em 2025, a União Europeia foi o segundo principal destino como bloco econômico das exportações gaúchas, totalizando US$ 2,7 bilhões, o que representa 13% do total exportado. É também a quarta principal origem das importações – US$ 1,4 bilhão, 11,1% do total importado. Além disso, no ano passado, o Rio Grande do Sul foi o sexto estado brasileiro que mais exportou para a União Europeia e o oitavo que mais importou do bloco.

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Impacto positivo para Santa Cruz e região

A parceria comercial entre a União Europeia e o Mercosul também deverá favorecer Santa Cruz do Sul e o Vale do Rio Pardo. É o que aponta o presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), Valmor Thesing.

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Conforme o líder do setor, o acordo representa um avanço relevante para o tabaco brasileiro. Isso porque, pelo texto negociado, as exportações do produto – tanto em folhas quanto manufaturado – passarão a contar com preferências tarifárias progressivas, com redução anual das alíquotas de importação até a eliminação total do imposto.

“Na prática, em especial para o setor do tabaco, o acordo poderá corrigir uma assimetria competitiva. Isso porque países africanos, que estão entre os principais concorrentes do tabaco brasileiro, já possuem isenções tarifárias. Com o acordo, o Brasil passa a competir em condições equivalentes”, avaliou.

Com base nos dados do ComexStat, somente em 2025 a União Europeia importou do Brasil US$ 1,12 bilhão em tabaco, o equivalente a quase 204 mil toneladas. E os números, segundo Thesing, confirmam o bloco como um dos principais destinos das exportações brasileiras do produto. Ele apontou ainda que a redução tarifária pode ampliar esse fluxo comercial, considerando a posição do Brasil como fornecedor confiável, regular e de alta qualidade de tabaco para mais de cem países.

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“O acordo cria um ambiente mais favorável, especialmente nos mercados que possuem indústrias de transformação consolidadas, tradição na importação de tabaco em folhas e demanda por matéria-prima de qualidade com regularidade.”

Na avaliação do presidente do SindiTabaco, o impacto para Santa Cruz e região tende a ser positivo, devido ao fato de a economia regional ser fortemente integrada à cadeia produtiva do tabaco, que envolve produtores rurais, indústrias, logística e outros serviços especializados. “Com o acordo em vigor, a maior competitividade do tabaco brasileiro no mercado europeu deve estimular o aumento dos volumes exportados, consolidando a União Europeia  –  historicamente o principal destino do tabaco nacional  –  como mercado estratégico.”

Valmor Thesing: acordo representa um avanço importante para o tabaco brasileiro | Foto: SindiTabaco/Divulgação

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Atenção

Carlos Joel da Silva pede atenção às cadeias do leite e da uva | Foto: Inor Assmann/Banco de Imagens

O presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul, Carlos Joel da Silva, considerou importante o acordo com a União Europeia, o qual considera o maior mercado mundial. Para ele, as produções gaúchas de carne, arroz e mel serão algumas das cadeias mais beneficiadas.

Contudo, afirma que é necessário atenção às “questões sensíveis” envolvendo a parceria. “Estamos vendo pela televisão a França colocando regras que são salvaguardas aos produtores de lá. E nós temos duas cadeias muito sensíveis, a do leite e da uva. Há incerteza de como vamos concorrer, porque há subsídios pesados para os produtores”, afirmou. “Temos que levar isso em consideração. Sem dúvida, avançamos, mas será muito sensível para essas cadeias.”

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