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TALENTO NA AVENIDA

Santa-cruzense assina alegorias de escola de samba em Porto Alegre

Autodidata, Garibaldi conquistou reconhecimento com seu talento e dedicação

O cenógrafo e carnavalesco santa-cruzense Fernando Garibaldi estará na avenida do Complexo Cultural do Porto Seco, em Porto Alegre, na madrugada do próximo sábado, 28. Responsável pela concepção plástica e pintura das alegorias da Acadêmicos de Gravataí, ele levará ao desfile da capital um enredo que apresenta a Floresta Amazônica sob a perspectiva de uma aldeia mística.

Paralelamente, Garibaldi executa trabalhos para a Unidos de Vila Isabel, de Viamão. Essas atividades ampliam a presença de um artista formado em Santa Cruz do Sul nos principais palcos do carnaval gaúcho.

Com trajetória que ultrapassa as fronteiras do Estado, ele já atuou no carnaval do Rio de Janeiro e em diferentes cidades do País. Vive exclusivamente da arte e se consolidou como um profissional que transita entre escultura, pintura artística e cenografia. “Trabalho com pintura artística, que é meu carro-chefe, e cenografia. No Carnaval, sou carnavalesco; em eventos, cenógrafo”, define.

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Na Acadêmicos de Gravataí, o artista assumiu a responsabilidade pelo acabamento visual do desfile. “Pintei toda a escola e cuidei do colorido”, afirma. Já na Unidos de Vila Isabel, desenvolve pinturas para alegorias que homenageiam o ator Aílton Graça, incluindo o símbolo da agremiação, uma pomba.

Marcas

Além do Carnaval, a versatilidade marca sua trajetória. Já desenvolveu desde árvores cenográficas de 5 metros com elevador interno até flores gigantes e esculturas metálicas.

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Fernando mantém o vínculo afetivo com a cidade natal. Orgulha-se de ter idealizado o projeto do coreto de Linha Santa Cruz. “Um dia meu filho vai dizer que aquele coreto quem fez foi o pai dele”, diz, referindo-se a Pedro, de 7 anos. Entre prazos apertados e soldas, construiu uma carreira sustentada pela persistência. “A criatividade é o número um, mas precisa de compromisso.”

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Artista transita por vários estilos e técnicas

Das brincadeiras com barro aos grandes desfiles

A culminação de todo o processo de criação é o desfile. “É onde tudo se encaixa: escultura, adereço, pintura, iluminação, peso e segurança.” Ele descreve a construção de um carro alegórico como um sistema de peças que “casam”, exigindo cálculo estrutural e sensibilidade estética. “Não é só montar uma flor. Tem luz, posição, estrutura e prazo.”

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Antes de ganhar forma em isopor, ferragem e tinta, a arte de Fernando Garibaldi nasceu no barro. Mais precisamente, na argila acumulada depois da chuva, atrás da rua onde morava, em Santa Cruz. “Eu devia ter uns 6, 7 anos. Tinha muita argila perto da rua e eu comecei a fazer lagarto. Eu via muito lagarto na rua e modelava eles com aquele barro”, recorda.

A memória de infância ajuda a explicar o que viria depois. “A pintura e o desenho sempre foram meus carros-chefe. A escultura veio depois, quando eu queria sair da mesmice e ir para o 3D”, conta.

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Foi montando carros para a Oktoberfest de Santa Cruz do Sul que ele passou a experimentar o isopor, primeiro com ajuda de um colega e depois sozinho. “Graças ao desenho, eu conseguia visualizar. E o que tornou real foi a pintura. Eu consegui unir as duas ferramentas.”

Projeção

Autodidata, Garibaldi aprendeu “na vida”. Lembra que, no início, não havia facilidades digitais. “Era mão na massa. Não tinha WhatsApp nem internet no celular. Desenvolvi minha técnica sozinho.”

A projeção nacional começou cedo. Em 2006, trabalhou na Portela, no Rio de Janeiro, após contato com um carnavalesco que passou pelo Rio Grande do Sul. “Quando cheguei ao Rio e vi aquelas escolas, percebi que não estava louco. Foi onde deu o boom.”

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Antes, já havia deixado marca na própria cidade. Entre 2004 e 2012, foi responsável pela concepção e montagem dos desfiles da Oktoberfest. Ele relembra a transição dos caminhões para plataformas estruturadas. “Levava projetos com até 12 carros. Era responsável pela criação, montagem e parte plástica.”

Contudo, enquanto o nome de Fernando circulava nos bastidores, a demanda local diminuiu. Hoje, mantém ateliê em Vera Cruz e atende cidades da Serra e da região em eventos de Natal, Páscoa e no Encontro de Artes e Tradição Gaúcha (Enart). Ele fala sobre a ausência de convites do próprio município. “Eu levo o nome de Santa Cruz, mas não tenho apoio. Sou morador de Santa Cruz, sou profissional qualificado, trabalho em várias cidades, mas aqui não me chamam nem para orçamento.”

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