Ao completar uma semana dos ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, o Oriente Médio vive momentos de tensão e, apesar das confirmações de que o movimento bélico tem data para terminar, não há expectativa de uma solução célere. Outros países próximos também transformaram-se em alvos. É o caso dos Emirados Árabes, onde vive a santa-cruzense Caroline Alles.
Ela está vivendo em Dubai, para onde foi em função de seu trabalho e da atuação do marido. A cidade foi atingida por centenas de mísseis iranianos nos primeiros dias da batalha. Os danos foram mínimos em função de um efetivo sistema de proteção.
“Partes dos mísseis interceptados atingem os prédios e o solo. Temos receio, mas confiamos na segurança proporcionada pelo governo”, conta. Caroline foi entrevistada no programa Estúdio Interativo da Rádio Gazeta FM 107,9 e contou a sensação de estar lá neste momento.
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Entrevista Caroline Alles – Santa-cruzense em Dubai
- Rádio Gazeta – Como vocês estão, aí? Qual a sensação das pessoas?
Caroline Alles – Aqui já é comum, você sai na rua e vê as pessoas olhando para cima, preocupadas para ver se não tem destroços de mísseis ou de drones caindo. Então, vou começar do início, fazendo uma retrospectiva desde o sábado, 28, quando começaram os ataques. O conflito em si está ocorrendo entre Estados Unidos e um aliado, Israel, contra o Irã. Então, por que os Emirados Árabes acabaram sendo atacados? Geograficamente, nós ficamos de frente para o Irã, somente divididos por mar. Sábado foi o início. Ali por 11 horas, eu acordei, meu marido tinha saído para treinar, e ouvi uns barulhos, estouros, explosões. Achei que fosse de obra, porque aqui é muito comum você ver prédios subindo toda hora, nas 24 horas. Pensei, “devem estar fazendo alguma explosão para abrir espaço”. Em questão de dois, três minutos, outra explosão, as janelas aqui de casa começaram a tremer. Foi assustador.
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- Os Emirados Árabes têm um sistema antimíssil bem efetivo, mas e a população tem bunkers ou algo do tipo para se abrigar?
Israel tem bunkers, a gente acompanha os brasileiros. Lá tem o sistema de sirenes: a cada míssil identificado, por exemplo, eles têm um minuto e meio a partir dessa sirene para correr para o subsolo, onde há os bunkers. Mas aqui não tem. O que o governo passa de instrução é ficar dentro das casas, principalmente longe de janelas e de portas, para evitar algum fragmento de míssil. Vemos muitos brasileiros que estão passando a noite, por exemplo, dentro de cozinhas, onde são quatro paredes e uma janelinha muito pequena. Aqui na nossa casa, o meu ponto de proteção é o banheiro, porque tem uma janelinha pequena, com pouquíssimo vidro. Caso ocorra de sofrermos algum ataque mais direto, eu sei que ali é a nossa área de proteção. Obviamente, há muitos shoppings de grandes estruturas que têm estacionamentos nos subsolos. O governo criou uma listagem aqui de Dubai a Abu Dhabi mostrando onde há shoppings e alguns parques com esses estacionamentos no subsolo, onde o pessoal pode buscar abrigo. Estamos vendo muitos hotéis aqui de Dubai colocando bufês nos estacionamentos, no subsolo, levando colchões para lá, criando toda uma estrutura para justamente proteger os hóspedes. Então, estão tirando o pessoal em momentos que sabem que tem algum míssil, algum drone sendo disparado. Aí eles baixam os hóspedes para essas áreas no subsolo.
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- As bases militares que são alvos para o Irã ficam perto de onde você mora?
Por motivos de segurança, acredito, essas bases militares são muito distantes, em um raio de 70 a 100 quilômetros das grandes áreas residenciais. Tanto que essa primeira base militar atingida no sábado, 28, fica muito distante daqui. Graças a Deus, a gente está muito longe. O único alvo mais próximo, infelizmente, atingido nessa terça-feira, 3, à noite foi o Consulado dos Estados Unidos. Fica numa área residencial de Dubai e explodiu. Foi o ponto que trouxe um pouco mais de medo para o pessoal. Outro exemplo: caiu um fragmento de um míssil em um bairro muito nobre que nós temos aqui, em formato de palmeira. Ali existe uma rede de hotéis muito famosa e luxuosa. Caiu um grande fragmento e provocou uma explosão. Também tarde da noite de domingo, 1º, um outro prédio icônico daqui, o Burj Al Arab, acabou atingido por um fragmento de míssil. Pegou na parte de trás do hotel.
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- O turismo é muito forte aí. Como estão os turistas diante da limitação do espaço aéreo?
Nessa terça, 3, mesmo, em pronunciamento, o governo reforçou que a população deve se manter calma e confiar no trabalho deles que, por sinal, está sendo feito de uma forma muito segura. Vale a pena ressaltar, inclusive muitos brasileiros acabaram passando por isso. Muita gente tinha voo para retornar ao Brasil no fim de semana, principalmente, e não conseguiu embarcar. Com isso, por exemplo, precisaram estender a permanência no hotel. O que o governo dos Emirados começou a fazer? Para todos os turistas que tiveram que contratar mais diárias nos hotéis, o governo começou a pagar para minimizar ao máximo as consequências.
- A situação vivida no Oriente Médio mudou muito o cotidiano de vocês?
Depende de cada setor. A instrução do governo é de que a empresa que tiver possibilidade de manter o seu funcionário trabalhando de forma remota, assim o faça. As escolas estão tendo aulas ministradas de forma remota, para evitar o fluxo de pessoas nas ruas. Por exemplo, eu faço as minhas atividades de maneira remota e só saio de casa se for muito necessário.
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