Em cartaz nos cinemas de Santa Cruz, Pânico 7 é uma atração quase impossível de acreditar que chegaria às telonas. Após uma produção conturbada, marcada por demissões, saídas e retornos, o filme entrou nos eixos com a volta da sua grande heroína Sidney Prescott (Neve Campbell), que decidiu não voltar em Pânico 6 devido a questões salariais.
Na nova entrada da franquia, um (ou mais?) Ghostface está mais brutal do que nunca e inicia matando um casal na casa onde ocorreu o massacre do primeiro filme, em Woodsboro, que depois é destruída pelo assassino. Longe dali, em uma pequena cidade, Sidney recebe uma ligação de um número da sua cidade natal.
Ghostface passa a aterrorizar a sobrevivente e a sua família. O alvo principal é a filha da sobrevivente, Tatum, que está com a mesma idade que sua mãe quando foi atacada pela primeira vez, e passa a ser perseguida juntamente com os seus amigos.
Publicidade
LEIA TAMBÉM: Taxi driver: o retrato da decadência moral americana
Dirigido por Kevin Williamson, roteirista do filme original, Pânico 7 soava como um retorno às raízes. Superficialmente, a estrutura segue os anteriores, com um novo grupo de adolescentes sendo assassinados enquanto tentam descobrir quem é o assassino no momento.
Entretanto, o roteiro decidiu abandonar um dos elementos principais que diferenciam a franquia dos demais slashers (filmes de terror sobre assassinos psicopatas): a metalinguagem. Diante da decadência de Jason, Freddy Krueger e Michael Meyers na década de 1990, Pânico salvou o gênero ao brincar e fazer referência aos clichês dos filmes. A cada entrada, um novo tema era colocado em voga, seja as continuações, a busca pela fama ou a toxicidade dos fãs.
Publicidade
A obra até traz para a história o uso da inteligência artificial, especialmente do deep fake para confundir os personagens. No entanto, é mais do que um mero elemento para justificar o retorno de alguns personagens (levantando o hype do filme) do que para gerar algum debate. Sem isso, Pânico 7 acaba se tornando justamente o que a série sempre criticou: uma sequência vazia, que parece focar apenas em entregar sustos e mortes sangrentas. As cenas de violência são bem filmadas e editadas, mas o roteiro não se esforça para que o público crie um mínimo de empatia pelas vítimas, algo em que os anteriores sempre foram bem-sucedidos.
LEIA TAMBÉM: O adeus a duas lendas: cinema se despede de Tom Noonan e Robert Duvall
Os problemas da narrativa tornam-se mais evidentes no momento em que descobrimos a (ou as?) identidade(s) do(s) Ghostface. Ponto alto da saga, as revelações de quem são os assassinos sempre foram satisfatórias, com uma justificativa minimamente plausível e uma conexão com a história.
Publicidade
Já no filme atual, a descoberta é preguiçosa e pouco criativa. Talvez a intenção dos roteiristas era de fugir de um vilão que está ligado a Sidney. No entanto, entregaram a icônica máscara aos personagens mais óbvios e com os motivos mais genéricos.
Ainda que divertido e sangrento, Pânico 7 se prende à nostalgia barata para fazer barulho e levar os fãs da franquia para os cinemas. A direção de Williamson e a volta de Sidney não são suficientes para dar fôlego a um filme que carece de criatividade e carisma. Fica a sensação de que a IA também está por trás da história.
LEIA TAMBÉM: Casa das Artes terá programação especial para celebrar o Mês da Mulher
Publicidade
Do caos para a tela
A narrativa bagunçada de Pânico 7 é fruto da produção conturbada que claramente impactou o roteiro. Em novembro de 2023, Melissa Barrera, intérprete de Sam Carpenter (uma das protagonistas de Pânico 5 e 6), foi demitida após fazer críticas ao genocídio perpetuado por Israel na Faixa de Gaza, sendo acusada de antissemita pela produtora, a SpyGlass. Na sequência, a atriz Jenna Ortega – Tara, irmã de Sam – aproveitou para pular fora do barco alegando “conflitos de agenda”. Diante da polêmica, o cineasta Christopher Landon abandonou a cadeira de diretor, levando a produção para o pleno caos.
Com a volta de Neve Campbell (pelo custo de US$ 7 milhões, merecido diga-se de passagem), o roteiro precisou ser reescrito e reestruturado, o que custou US$ 500 mil para o estúdio. No entanto, as mudanças claramente afetaram a história, resultando em um filme bagunçado e com um final frustrante e sem sentido.
Publicidade
QUER RECEBER NOTÍCIAS DE SANTA CRUZ DO SUL E REGIÃO NO SEU CELULAR? ENTRE NO NOSSO NOVO CANAL DO WHATSAPP CLICANDO AQUI 📲. AINDA NÃO É ASSINANTE GAZETA? CLIQUE AQUI E FAÇA AGORA!