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RELÍQUIAS DO RIO GRANDE

VÍDEO: série conta a história de Rio Pardo, um dos quatro primeiros municípios do RS

Foto: Marília Nascimento

A Rua Júlio de Castilhos, ou Rua da Ladeira, é uma das primeiras vias pavimentadas no Rio Grande do Sul

Até 1750, o Rio Grande do Sul era território espanhol, pelo Tratado de Tordesilhas. Quando o documento é substituído pelo Tratado de Madrid, a área passa a ser de domínio português. É a partir daí que Rio Pardo começa a se formar.

O documento resolvia uma série de pendências e questões na América do Sul, mas o que envolvia Rio Pardo era a troca dos Sete Povos pela Colônia do Sacramento. Para que isso acontecesse, o capitão-general Gomes Freire de Andrade foi designado para chefiar tropas de demarcação, que colocariam os marcos de fronteira. Mas, antes que as tropas saíssem, foi determinada, a partir do Rio de Janeiro, a criação de dois depósitos – um em Rio Pardo e um em Santo Amaro, hoje General Câmara.

Esses dois pontos eram importantes para armazenar o que os soldados precisariam. Era tudo muito ermo, muito longe, e esse exército vinha para o meio do nada. A estrutura foi montada às margens do Rio Jacuí, próximo ao encontro com o Rio Pardo. A posição geográfica era estratégica, perto de dois rios, e permitia o deslocamento de tropas, pessoas, tudo de que precisavam. “Rio Pardo, pode se dizer, começou a nascer ali”, conta a professora Sílvia Barros.

Gomes Freire de Andrade, com as tropas portuguesas, encontrou as espanholas no Uruguai e seguiram para fazer as demarcações. “Na questão de trocar a Colônia de Sacramento pelos Sete Povos, parecia tudo muito tranquilo. Mas existiam os índios missioneiros, e eles não aceitaram. O que causou a Guerra Guaranítica, que praticamente paralisou as demarcações”, explica Sílvia.


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Com as disputas que estavam acontecendo, houve a necessidade de fortificar Rio Pardo. Este momento marca a criação do Forte Jesus Maria José. Nessa época, Rio Pardo era importante comercialmente e tinha posição estratégica também para isso. O diretor de Turismo da Secretaria Municipal de Turismo, Esporte, Juventude, Cultura e Lazer, Flávio Augusto Wunderlich, explica que “Rio Pardo era um entreposto comercial, um meio de campo, na mesma distância das regiões do Uruguai e do Rio de Janeiro”.

Com a criação da Fortaleza, aos poucos foram trazidos a Rio Pardo os casais de açorianos, que mais tarde colonizariam as Missões. Os conflitos continuavam, já que os espanhóis não desistiram facilmente do território. E os portugueses já estavam bem adiantados na ocupação das terras. Os espanhóis chegaram a tomar Rio Grande, e Rio Pardo seria o próximo passo para chegar até o Porto de Viamão. Mas no caminho encontraram o Forte, que estava desfalcado e quase sem munição. Contudo, em uma simulação do comandante português, que usou até mesmo canhões que não funcionavam, as tropas espanholas ficaram receosas, recuaram e nunca conseguiram tomar Rio Pardo, o que dá origem ao título de Tranqueira Invicta.

Em 1809, Rio Pardo é criada oficialmente como vila, junto com Porto Alegre, Rio Grande e Santo Antônio da Patrulha. Dois terços do território gaúcho pertenciam à Cidade Histórica, 156.803 quilômetros quadrados. Hoje a área do município compreende 2.050 quilômetros quadrados. Aos poucos, outros municípios foram surgindo a partir de Rio Pardo. O primeiro foi Cachoeira do Sul, que levou boa parte da área, em 1819; Caçapava do Sul e Triunfo se emanciparam em 1831; Cruz Alta e São Borja em 1833; Encruzilhada do Sul em 1849; Santa Cruz do Sul em 1877; Candelária em 1925; Pantano Grande em 1987 e Passo do Sobrado em 1992.

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ARQUITETURA
A colonização portuguesa e as suas características ainda estão pelas ruas nos casarios de Rio Pardo, apesar de já terem sofrido algumas alterações. “Pela telha formato canoa, pelas eiras e beiras, que ainda podem ser vistas em alguns pontos”, descreve Wunderlich .

Para a arquiteta rio-pardense Vera Schultze, a arquitetura é o que a Cidade Histórica mais tem de Portugal. Apesar de algumas diferenças de estrutura, como as paredes das casas – que eram feitas de pau a pique, herança indígena, e não de pedras como no país luso. As estruturas coloniais tinham a mesma planta, todas medidas em palmos. Moradias coladas umas nas outras, porta centralizada, janelas simetricamente distribuídas, pé-direito alto, portas largas, corredores longos e a cozinha longe da casa.

Acompanhe
A produção do projeto Relíquias de Rio Pardo pode ser conferida às 9h15 na Rádio Rio Pardo 103,5 FM, dentro do programa Cidade Alerta, às segundas e quartas-feiras, na Gazeta do Sul e por meio de vídeo no Portal Gaz, além do Facebook da Rádio Rio Pardo.

O próximo episódio será na quarta, sobre o Hino Rio-grandense, que nasce em Rio Pardo.

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