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Setembro Amarelo: cuidado com a saúde mental deve ser permanente

Foto: Nathana Redin/Gazeta da Serra

Psicólogas Alba e Giansqui e facilitadora de oficina, Simone, integrantes da equipe de Saúde Mental e Oficina Terapêutica

Há alguns anos, setembro é marcado pela cor amarela. No Brasil, a campanha Setembro Amarelo teve início em 2015 e foi adotada pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Já o dia 10 do mês é oficialmente o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, data criada pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio e endossado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Aumentar a conscientização sobre a prevenção ao suicídio e enfatizar a valorização da vida são os objetivos centrais da campanha, que se estende por todos os meses do ano.

Desde 2018, efetivamente, o município de Sobradinho promove ações ligadas ao Setembro Amarelo. Segundo as psicólogas Alba Leticia Müller e Giansqui Tremea de Oliveira, que integram a Equipe de Saúde Mental e Oficina Terapêutica da Secretaria Municipal da Saúde, as ações realizadas tem o intuito de sensibilizar, informar e conscientizar quanto ao tema, reforçando a importância do diálogo e da busca por ajuda. “A primeira ação, ainda em 2018, foi um pedágio realizado com a entrega de panfletos e outras atividades. A partir dali viemos fazendo todos os anos, inclusive no ano passado, mesmo durante a pandemia”, explicou Giansqui. “Nosso trabalho é o ano inteiro de valorização à vida, para que não se chegue neste ponto”, acrescentou Alba.

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Transtornos mentais são caracterizados, conforme as profissionais, como importante fator de risco para o suicídio, especialmente quando há interação entre dois ou mais fatores, tais como depressão, ansiedade, transtorno do humor bipolar, esquizofrenia, assim como dependência de álcool e outras drogas psicoativas. Tentativa prévia de suicídio também é um dos principais fatores preditivos. Muitos transtornos, contudo, não são detectados, diagnosticados nem pela pessoa, nem pela família. “Geralmente, algum tipo de sofrimento mental aquela pessoa está passando e muitas vezes é relacionado com um transtorno e, fora esses, há aqueles ligados à família, fator social, econômico, entre outros”, destacou Giansqui.

Em Sobradinho, a campanha Setembro Amarelo 2021 teve início no dia 1º, através do projeto “Cultive a Vida”, quando a equipe visitou os setores da Prefeitura, divulgando a campanha e alertando sobre a importância do cuidado de cada um com a sua saúde mental. Além disso, fez a entrega de uma plantinha para os funcionários. “Assim como cultivar a plantinha, queremos enfatizar a importância de cultivar a vida”, mencionou Giansqui. Na última sexta-feira, 10, a equipe esteve na Praça 3 de Dezembro, quando promoveu ação neste mesmo sentido, focada, desta vez, em toda a comunidade.

Ação realizada na Praça 3 de Dezembro

Segundo as psicólogas, as atividades em alusão ao Setembro Amarelo iniciaram aproximadamente um mês antes, restritas aos frequentadores da Oficina Terapêutica e aos pacientes atendidos individualmente. Em uma destas atividades, os usuários participaram de uma colagem criativa, quando destacaram palavras e recordações que respondessem as perguntas: “o que te faz bem?” e “o que te faz feliz”. Durante o mês também estão sendo distribuídos kits de cuidado pessoal para os frequentadores da oficina e realizada a divulgação do trabalho da equipe de Saúde Mental também através do Instagram @saudemental.sobradinho.

O secretário de Saúde, Idelfonso Barbosa, acrescenta: “Carl Jung, no início do século 19, já afirmava: ‘No fundo, não descobrimos na pessoa com transtorno mental nada de novo ou desconhecido. Encontramos nela a base de nossa própria natureza’. Então, Setembro Amarelo, na verdade, é apenas o mês destacado para chamarmos a atenção daquilo que ocorre a qualquer tempo, em qualquer lugar, independente da camada social. Além disso, há muito que o mundo vive o ano todo no amarelo, e em Sobradinho não haveria de ser diferente, muito mais nestes tempos de pandemia, que exige esforço extra dos profissionais da saúde, que se superam, apesar das escassas ferramentas disponibilizadas”.

Cultivar a vida

Empatia, acolhimento, escuta. “É sempre possível conversar sobre o assunto, pensando sempre que é preciso mostrar que existe saída, que existe solução e morrer não é a solução”, enfatizou Alba, acrescentando que, independentemente do transtorno mental que pode estar associado à uma tentativa ou ao suicídio, “é importante saber que toda pessoa que pensa na morte como uma solução, está com algum tipo de distorção de percepção. Está com a percepção distorcida, seja da vida, das soluções ou de realmente não enxergar soluções. Por si só, o pensamento já é adoecido. E, costumo dizer que isso não faz parte da pessoa, apenas da doença dela. Se ela conseguir separar isso, saber que este pensamento não é necessariamente dela e sim da situação em que está, acho que já ajuda a entender o processo”, enfatizou a psicóloga.

O primeiro passo, conforme as profissionais, é procurar ajuda especializada. “Muitas vezes a própria pessoa não se dá por conta de pedir ajuda, então é importante que nestes casos a ajuda venha de algum familiar e, mesmo quando é da própria pessoa, é importante envolver um familiar, para ele saber que esta pessoa está precisando de suporte, apoio, de cuidado e muitas vezes necessitará que alguém fique com ela boa parte do tempo. Por mais que digamos que se vá em um atendimento psicológico, em um atendimento médico, inicie um tratamento com medicamentos, isso não é tudo. É preciso que a pessoa seja acompanhada por alguém da família ou do convívio social, e que esta pessoa esteja presente realmente”, destacou Giansqui sobre o papel fundamental de, além de não julgar e não criticar, buscar entender.

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Segundo Alba, este é um problema de saúde muito complexo, que exige empatia. “A primeira questão é valorizar o que a pessoa diz, acreditar no sofrimento. Promover o acolhimento, mesmo que eu não entenda, que para mim pareça improvável que aquela pessoa esteja sofrendo. Então, que eu possa acolher, aceitar e ver o que pode ser feito”, enfatizou a psicóloga.

Quando alguém busca atendimento junto à Equipe de Saúde Mental, o primeiro passo, conforme explicam, é o processo de escuta, passando pelo acolhimento e entendimento de qual a situação vivida. Assim, dando início ao acompanhamento psicológico e possível encaminhamento médico, posterior avaliação de necessidade de medicação e muitas vezes orientação à família também, de como lidar com o assunto. Em alguns casos, o atendimento e acompanhamento psicológico são suficientes, enquanto em outros é necessária internação até sair do estado de crise.

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Os atendimentos em saúde mental no município integram a Atenção Básica, que envolve profissionais de múltiplas áreas. Conforme as psicólogas, há um trabalho em toda rede de saúde para que os profissionais das diferentes áreas também possam fazer o acolhimento de quem procurar por ajuda. Já as atividades específicas da Equipe de Saúde Mental são os atendimentos individualizados, a Oficina Terapêutica ou Grupo de Saúde Mental, além do Grupo de Atendimento aos Usuários de Álcool e Droga. Todos recebem pacientes a qualquer período do ano. A equipe é composta pelas psicólogas Giansqui, Alba e Nathalia Roehrs, a facilitadora Simone Silva e a estagiária Karoline Matana.

CVV

O Centro de Valorização da Vida (CVV), uma das ONGs mais antigas do Brasil, que atende no telefone 188, é um canal permanente de apoio e uma rede também indicada pelas psicólogas. Nele atuam voluntários que são treinados para conversar com pessoas que estejam passando por alguma dificuldade, atuando no apoio emocional e na prevenção do suicídio. O serviço funciona 24 horas, sendo o atendimento voluntário e gratuito a todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo. Além do telefone, também é possível mandar e-mail ou falar pelo chat, que pode ser acessado pelo site do CVV.

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