O Parque Zoológico (Zoo) em Sapucaia do Sul, administrado pelo governo do Estado, recebeu exemplares de uma espécie até então inédita: 35 axolotes. Os animais, vítimas de tráfico, passaram por quarentena e adaptação, antes de entrarem em exposição.
Para manter os axolotes, cuja espécie é originária do México, aquários foram adaptados e construídos mediante especificações adequadas. Placas informativas sobre a espécie e com alertas sobre o impacto danoso do tráfico de animais foram instaladas no novo recinto.
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Segundo a gestora do Parque Zoológico, Caroline Gomes, os ambientes foram desenvolvidos considerando as características da espécie, possuem monitoramento de iluminação e de temperatura da água. “Como são animais vítimas de tráfico, infelizmente não têm a possibilidade de serem reintroduzidos em seu habitat natural e precisam permanecer sob cuidados humanos. Vamos tentar proporcionar a melhor qualidade de vida para eles, aliando isso a uma forma de ensinar o público visitante do Zoo sobre a importância de sempre adquirir animais com origem legal”, comenta a Caroline.
Apreendidos em restaurante da capital
Estes axolotes foram apreendidos em uma operação conjunta entre a Sema e a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (Dema), realizada no segundo semestre do ano passado. A ação resultou na apreensão de 74 exemplares, que eram mantidos ilegalmente em um restaurante de Porto Alegre.
Segundo o analista-biólogo da Sema, Patrick Colombo, os axolotes precisam de cuidados diferentes dos usuais peixes de aquário. “Desde a apreensão, os axolotes estão sendo mantidos em aquários com aeração constante, conectada a filtros de espuma. A água utilizada é desclorificada e trocada parcialmente — cerca de 30% do volume dos aquários — uma vez por semana. Nessa troca, é realizada também a limpeza da filtragem. Os animais são alimentados de três a quatro vezes por semana. A temperatura da sala onde ficam os axolotes é mantida em 24°C”, comentou Colombo.
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O que é o axolote
O axolote (Ambystoma mexicanum) é um anfíbio originário do México que chama a atenção porque, ao contrário de sapos e rãs, não passa pela transformação típica da vida aquática para a terrestre. Em vez disso, mantém características de uma “larva” com brânquias externas, dando uma aparência bastante peculiar. A espécie vive exclusivamente em água doce, costuma ser tranquila, movimenta‑se lentamente e alimenta‑se de pequenos peixes e microrganismos presentes no ambiente.
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A espécie pode atingir cerca de 30 centímetros e viver por aproximadamente cinco anos. Possui capacidade de regenerar membros inteiros e até partes de órgãos internos, o que a torna alvo de estudo médico e científico em diversos países. Por esse motivo, os outros 39 exemplares apreendidos na operação no Rio Grande do Sul foram destinados a instituições parceiras da Sema, para fins de pesquisa.
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“Os axolotes encontrados fora do México, como os apreendidos, passaram por cruzamentos entre diferentes linhagens, o que pode alterar características importantes para a vida na natureza. Por isso, qualquer possibilidade de reintrodução ao seu habitat natural precisa ser avaliada com muito cuidado, para evitar o retorno de animais que já não tenham o mesmo potencial ecológico das populações silvestres”, explica a diretora de Biodiversidade da Sema, Cátia Viviane Gonçalves.
O anfíbio tem sido alvo frequente de tráfico e reprodução em cativeiro, evidenciando o avanço do comércio ilegal e a ação de grupos especializados, crimes que a Sema vem atuando para coibir. Somente em 2025 foram realizadas 26 operações de fiscalização contra múltiplos alvos de crimes ambientais.
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Espécie protegida internacionalmente
O axolote está classificado como criticamente ameaçado de extinção em nível mundial. A legislação brasileira considera crime ambiental comprar, vender ou manter exemplares sem autorização. A infração prevê multa de R$ 5 mil por indivíduo apreendido e possibilidade de prisão. Essas medidas buscam evitar o agravamento da situação da espécie, que sofre com perda de habitat e captura clandestina.
A Sema recebe denúncias por meio da Divisão de Fauna, por meio do WhatsApp (51) 98593-1288. Para situações de denúncias de maus tratos ou tráfico, o contato também pode ser realizado pelo e-mail: [email protected]. O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, das 9 às 18 horas. Fora desse horário, ou em situações que demandem atendimento imediato, a população também pode acionar a Patrulha Ambiental da Brigada Militar (Patram).
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