A nebulosidade de uma Alemanha pós 1ª Guerra Mundial pauta a mostra itinerante de cinema Sombras que Assombram que acontece a partir deste domingo, dia 12, em Santa Cruz do Sul, com entrada franca. Organizada pelo Serviço Social do Comércio (Sesc) em parceria com a Associação dos Amigos do Cinema, a exibição apresenta os clássicos do expressionismo alemão A Última Gargalhada (1924), Metrópolis (1927), O Golem (1920) e Fausto (1926).
O público que for à sede do Sindicato dos Bancários (7 de Setembro, 489) terá acesso às primeiras formas de incorporação do horror psicológico nos primórdios da produção cinematográfica. Soma-se a isso a compreensão de um movimento artístico e cultural que buscava retratar os sentimentos e impulsos emocionais dos artistas, os quais, muitas vezes, expunham o descontentamento com o cenário desolador da época. Era influenciada pela criação da metáfora do apriosionamento humano de Franz Kafka, em A Metamorfose, e que, igualmente, visualizava os complexos estudos de Freud sobre a psique humana.
Conforme a presidente da Amigos do Cinema, Carmen Pozzobon da Costa, além de ser uma oportunidade para conhecer os padrões estéticos que abusavam da composição luz e sombra, a mostra figura um processo educativo, pois oferece aos espectadores uma das primeiras fases do cinema. “Naquela época tudo era muito limitado. Sobretudo, é interessante perceber como os cineastas e atores, mesmo com poucos recursos, tornavam os filmes produções sensíveis e críticas.” Ela ainda ressalta que o público deve estar preparado para assistir a produções um pouco mais lentas, mas que ensinam muito sobre a trajetória da sétima arte.
Publicidade
Lançada ainda em 2013, a exibição que chega agora a Santa Cruz, também tem como objetivo trazer à tona a história da população no período entre guerras. Caracterizadas pelo uso de elementos como fantasmas, misticismo, sangue e morte, as produções utilizam personagens assustadores, que os fazem parecer mortos-vivos. Há, ainda, o resgate do medievalismo, uma aproximação com a estética gótica e, como ninguém é de ferro, a recuperação dos valores românticos entre os personagens. A crítica perante uma sociedade mecaniscista na era industrial também integra o sentimento expressionista alemão. Movimento sombrio que transcende as questões históricas e provoca a reflexão sobre as angústias da sociedade.
PROGRAMAÇÃO
Domingo, 12/04, às 17 horas
A Última Gargalhada, de F. W. Murnau, 1924, 91 minutos: o velho porteiro de um elegante hotel alemão trabalha orgulhosa e dedicadamente, sendo seu uniforme um sinal de respeito para sua família, amigos e demais funcionários. Mas o novo gerente acredita que ele está velho demais para carregar bagagens pesadas e exercer a rotina da portaria e o rebaixa a servente do banheiro masculino. Isso causa um efeito desastroso na vida do porteiro. Trata-se de uma dolorosa tragédia alemã, em que o uniforme é um símbolo sagrado e quase faz as vezes de protagonista da história.
Publicidade
Domingo, 12/04, às 19 horas
Metrópolis, de Fritz Lang, 1927, 124 minutos: história ambientada no século 21, numa cidade governada com mão-de-ferro por um poderoso empresário. Seus colaboradores são de classe alta e vivem em um lindo jardim, como Freder, único herdeiro do líder de Metrópolis. Os trabalhadores são escravizados pelas máquinas e condenados a trabalhar e viver em galerias no subsolo. Entre os operários, destaca-se a jovem Maria, que conclama os trabalhadores a reivindicar seus direitos. O filme demonstra preocupação crítica com a mecanização da vida industrial nos grandes centros, questionando a importância do sentimento humano. Como pano de fundo, a valorização da cultura, expressa no filme pela tecnologia e arquitetura.
Segunda-feira, dia 13/04, às 20 horas
O Golem, de Paul Wegener, 1920, 68 minutos: Golem é um ser mítico da tradição judaica, trazido à vida por um processo mágico. O imperador de certo reino baixa um decreto contra os judeus, ordenando que eles deixem o reino sob pena de serem punidos. Uma espécie de rabino concebe em um ritual o ser de barro inanimado, o golem, um servo dos judeus. O rabino controla a vida do golem retirando a estrela de Davi de seu peito. O monstro percebe isso e passa a proteger a estrela. O problema acontece quando ele perde o controle, não aceitando mais seguir ordens alheias e vira uma ameaça ao povo judeu.
Terça-feira, dia 14/04, às 20 horas
Fausto, de F. W. Murnau, 1926, 118 minutos: Inspirado na obra de Goethe, o Fausto, de Murnau, conta a história de um cientista seduzido por Mefistófoles para ter de volta a sua juventude. Fausto assina com sangue um contrato no qual seria o servo do diabo e não envelheceria durante um longo período de tempo. Em troca disso, ele deveria dar ao diabo a própria alma. Porém, o amor de uma mulher muda a rota dos acontecimentos, dando início a uma batalha entre a luz e as sombras.
Publicidade