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Cinco Tipos de Medo reafirma a produção nacional nas telas

Luciana (Bárbara Colen) é uma das cinco protagonistas da história de suspense

Após trajetória bem-sucedida em festivais nacionais e internacionais, sendo o grande vencedor em Gramado no ano passado (Melhor Filme, Roteiro e Montagem, além do prêmio de Melhor Ator Coadjuvante), o longa-metragem Cinco Tipos de Medo chega aos cinemas de todo o País. No Rio Grande do Sul, a pré-estreia ocorreu em Porto Alegre na terça-feira, com a presença de produtores e elenco. 

A convite da Primeiro Plano, a Gazeta do Sul assistiu com exclusividade ao novo suspense brasileiro, dirigido, escrito e montado por Bruno Bini e produzido pela gaúcha Luciana Druzina. A trama envolve cinco personagens que se cruzam de maneira inusitada, em jornada de violência urbana e vingança.

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Ambientado em Cuiabá, Cinco Tipos de Medo é um suspense puramente brasileiro que se destaca pela maneira criativa como desenvolve a narrativa não linear. Inicialmente, a impressão é que se trata de antologia com cinco histórias desconectadas, pautadas em um único tema. No entanto, à medida que avançamos, somos surpreendidos pela reviravolta de que, na verdade, todas estão conectadas. Isso faz com que o espectador espere ansiosamente pelo momento em que os personagens vão interagir entre si.

O trabalho de Bini, seja na escrita, na direção ou na montagem, é engrandecido pelo excelente elenco. Um destaque é a atriz Bárbara Colen (Aquarius e Bacurau), que dá vida a Luciana, uma policial em busca de vingança que está determinada a arriscar tudo. João Vitor Silva, visto recentemente em O Agente Secreto, é Murilo, jovem músico em luto que passa a ser perseguido por Sapinho (Xamã, vencedor do Kikito de Melhor Ator Coadjuvante), um traficante responsável por manter a paz na comunidade. Também se sobressaem Rui Ricardo Diaz, Bella Campos, Jonathan Haagensen e Rejane Faria.

Com tantos atributos, Cinco Tipos de Medo consolida o bom período que o cinema nacional vive após a consagração de Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto. Trata-se de um suspense inesquecível, marcado por tensão e reviravoltas e pelos personagens carismáticos para assistir na telona.
Confira na página 11 uma entrevista com Bárbara Colen.

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Talentos gaúchos contribuíram na realização do longa premiado

Cinco Tipos de Medo é uma produção cuiabana-gaúcha que envolveu uma equipe formada por mais de 180 profissionais de nove estados brasileiros. Entre eles, destacam-se talentos do audiovisual do Rio Grande do Sul. Luciana Druzina, produtora do filme, conheceu o diretor Bruno Bini no Festival de Cinema de Gramado. Lá, construíram a parceria criativa que resultou no filme Loop (2021) e no longa-metragem de suspense que entra em cartaz. 

Em entrevista à Gazeta do Sul, Luciana contou que ela e o cineasta estão trabalhando em mais dois filmes: Trabalho Fantasma, que será filmado no final do ano, e Três Tempos, com previsão de produção para 2027. A produtora revelou que foi atraída por Cinco Tipos de Medo pela densidade dramática da história e pela maneira como o roteiro articula cinco trajetórias que parecem separadas, mas vão se cruzando até criar um impacto emocional e narrativo muito forte. E viu no projeto uma obra com muita personalidade e potencial para envolver profundamente o espectador.

“É um thriller com grande tensão, mas que não se sustenta só nisso, fala de relações humanas, de escolhas, limite e da forma como a violência atravessa a vida das pessoas, sejam elas boas ou más. E, ao mesmo tempo, traz essa mensagem de liberdade através do conhecimento e estudo, traz aquele sopro de esperança”, comentou. 

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Na avaliação da produtora, a participação dos profissionais do Rio Grande do Sul reforça o caráter de coprodução real do projeto. E consolida a afirmação de que o audiovisual gaúcho tem plena capacidade de liderar e integrar projetos de grande porte, com ambição estética, força de mercado e reconhecimento crítico. 

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“Cinco Tipos de Medo deixa como exemplo a potência das coproduções interestaduais, da colaboração entre talentos de diferentes regiões e da construção de um cinema brasileiro mais diverso, descentralizado e forte”, ressaltou Luciana. “E, para o Rio Grande do Sul, isso é muito valioso: mostra que o Estado não apenas produz, mas também articula, impulsiona e projeta obras com alcance nacional e internacional.”

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Luciana Druzina, produtora de cinco tipos de medo

Gazeta do Sul – De que maneira o projeto contribui na valorização e fortalecimento do audiovisual produzido no Estado?

Luciana Druzina – O projeto contribui ao mostrar que o audiovisual gaúcho não está restrito a uma produção regionalizada somente com profissionais gaúchos, mas atua de forma estratégica em obras com trocas e conexões criativas de forma nacional, circulação em festivais importantes e lançamento comercial. A presença da Druzina Content na produção de um longa vencedor reforça a capacidade do Estado de participar de obras competitivas, ambiciosas comercialmente e artisticamente relevantes. Isso fortalece o setor, amplia a visibilidade e abre caminho para novas conexões. Além de abrir janelas nacionais e internacionais, coloca em destaque os talentos gaúchos que participaram do filme, abrindo mercados.

O que os profissionais gaúchos agregam em termos de identidade ou linguagem ao filme?

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Nossa equipe gaúcha é extremamente competente. Muitos desses profissionais trabalham há mais de duas décadas na indústria audiovisual brasileira em diversas produções. Os profissionais gaúchos agregam olhar muito comprometido com consistência dramática, rigor de produção e construção de linguagem.

O Rio Grande do Sul tem uma tradição audiovisual muito forte, com profissionais acostumados a pensar cinema com densidade e identidade. A presença gaúcha ajuda a consolidar essa ponte criativa e produtiva entre estados, ampliando o alcance do filme e mostrando a capacidade do audiovisual do Sul de contribuir de forma decisiva em projetos de relevância nacional. Acreditamos que valorizar a regionalidade é fortalecer o cinema nacional como um todo.

Bárbara Colen, atriz de Cinco Tipos de Medo

Bárbara faz o papel de policial que sai em busca de vingança, em longa nacional. Crédito: Patricia Devoraes

Gazeta do Sul – O que motivou sua participação em Cinco Tipos de Medo? Quais aspectos do roteiro e do projeto chamaram sua atenção?

Bárbara Colen – Sempre brinco que os personagens me escolhem, não sou eu que os escolho. E esse filme foi isso, chegou num momento pessoal no qual estava vivendo dois processos, porque eu tinha acabado de ter bebê e meu pai havia acabado de falecer. Então, estava vivendo um luto e uma gravidez. 

E a minha personagem é exatamente isso: ela é mãe e sofre um luto. Penso que estava com aqueles dois sentimentos tão presentes e tão pulsantes a ponto de sentir que falar sobre eles em um filme, em uma personagem, ia me ajudar muito. E eu tinha muito a acrescentar para a Luciana, sabe? Eu sentia que tinha o que dizer aqui. Quando li o roteiro, pensava que teria que fazer, não ia ter jeito.

A trajetória de Luciana é marcada pela busca por vingança. Como foi o processo de construção da personagem a partir desse eixo dramático?

Muita coisa legal já estava no roteiro, diferente de alguns filmes em que precisamos realmente construir em cima. Era uma história que já me dava uma personagem muito interessante de cara na minha mão. Penso que, se fosse há dez anos, esse papel seria de um homem, sabe? E é uma mulher. 
Sempre vimos isso em um personagem masculino, que perde alguém que ama e sai atrás de vingança. Quando você tem esse deslocamento para um corpo feminino e para uma maternidade, a coisa muda totalmente. Acho que isso é um dos pontos fortes do filme, e achei tão fascinante para construir a personagem. 

E com todas as nuances que nós, como atores, gostamos de trazer, desde os pequenos trabalhos de composição. Tem coisas que são engraçadas para o público; acho que às vezes as pessoas não têm noção do trabalho que está por trás da composição.

Por exemplo, Luiz Bertazzo, que faz meu marido no filme, é um ator fantástico, um cara que admiro demais. Tivemos um jogo cênico muito bom e muito rápido. E Luiz já trouxe para a sala de ensaio a ideia de que esse cara não pode ser violento, porque a Luciana é tão incrível, ela bate, ela é do Bope e não vai se intimidar por uma violência física. Ele falou que faria um personagem passivo-agressivo, o que funcionou superbem. Então, essas construções que vamos fazendo trazem essas nuances de humanidade mesmo.

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Você acompanhou o lançamento do filme no Festival de Gramado. Como foi a recepção do público e a experiência no evento?

Foi muito emocionante. E é engraçado porque eu já tinha ido ao festival com o Aquarius e o Bacurau. Mas dessa vez teve uma coisa de ser quase a primeira vez que eu estava indo, sabe? Havia tanto brilho no olho da equipe que estava lá, estávamos em clima de celebração de um trabalho. E, quando isso acontece, é tão especial, porque se trabalha tanto para fazer um filme. É tanto suor e esforço. Lá em Cuiabá foi suor mesmo, porque estava muito quente.

E aí, de repente, você está no festival cheio de colegas muito queridos, que você não vê há dois anos e reencontra, com uma sensação supercalorosa. O pessoal amou o filme no dia da sessão. Eu saí daquela sessão falando que iríamos ganhar alguma coisa. E aí vieram quatro Kikitos, foi uma Copa do Mundo, todos subiram no palco. É a coisa mais bonita que tem.

Parte da equipe do filme é gaúcha. E o Rio Grande do Sul tem ampliado investimentos no audiovisual, com iniciativas como film commissions e festivais regionais. Como você avalia esse cenário?
Sou suspeita para falar, porque sempre fui do cinema descentralizado. Sou de Minas Gerais, cresci em Recife, os primeiros filmes que fiz foram em Pernambuco. Depois fiz muita coisa pelo Brasil inteiro, de Goiás até o Rio Grande do Sul. 

Uma das coisas mais prazerosas para mim é justamente poder andar o Brasil inteiro com a minha profissão, ir para os lugares mais interioranos. Porque isso me permite conhecer pessoas incríveis e histórias incríveis. Temos um Brasil muito diverso, e com essa diversidade temos um potencial, de narrativa mesmo, que é único, além de uma riqueza cultural própria do Brasil. 

Quanto mais os estados têm essa visão do potencial dessa riqueza e entendem isso como riqueza mesmo, que gera lucro e tem uma indústria por trás, fico mais feliz. Hoje em dia, temos cada vez mais acesso ao cinema, com qualquer câmera se pode filmar. Um guri do interior que pega uma câmera e tem uma história boa na cabeça consegue fazer um bom filme, isso é incrível. 

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Você já trabalhou com Kleber Mendonça Filho em produções como Aquarius e Bacurau. Como essas experiências contribuíram para sua trajetória? Há aprendizados dessas parcerias que você trouxe para este novo trabalho?

A humanidade, mais do que tudo, sabe? Claro que foi ótimo estar com o Kleber e participar de filmes que rodaram o mundo e foram premiados. Mas, acima de tudo, o que me marcou de ter trabalhado com o Kleber foi entender o quanto um diretor pode ser afetivo, humano e incrível ao mesmo tempo. 
Conseguimos fazer coisas muito difíceis dramaticamente, histórias duras. Mas com uma rede de afeto e de compaixão ajuda. O Kleber imprime uma paixão nos sets em que ele trabalha de modo que todo mundo está completamente entregue às histórias. Isso é fascinante. 

Sou muito apaixonada pelo que eu faço. E ver isso no Kleber logo cedo mostra que dá para fazer assim, dá para ser feliz assim e dá para fazer sucesso. 

Muito obrigado. O filme está incrível, espero revê-lo no cinema. Gente, dia 9 de abril o filme entrou em cartaz. Todos estão convidadíssimos. Tragam as pessoas e venham nas primeiras semanas para ficarmos muito tempo em cartaz. Esse filme está demais e quero muito compartilhar com vocês.

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