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MÚSICA

VÍDEO: confira a entrevista de Cid Chaves, vocalista de Renato e Seus Blue Caps


Menina linda eu lhe adoro / Menina pura como a flor / Sua boneca vai quebrar / Mas viverá o nosso amor”, cantarola o músico Cid Chaves no saguão do Hotel Soder momentos antes de mais uma apresentação. Aos 77 anos, o cantor e saxofonista preserva em sua voz o espírito jovial e carismático de seis décadas atrás. Em 1964, durante os “Anos Rebeldes”, o carioca se juntou a “Renato e Seus Blue Caps”.

Desde então, dá continuidade à banda, considerada a mais antiga em atividade, superando até mesmo o conjunto inglês Rolling Stones, que completou 60 anos em 2023.

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De lá para cá, Cid viu a formação mudar diversas vezes. Até mesmo o tremendão Erasmo Carlos integrou o conjunto. Porém, em 2020, o fundador da banda, Renato Barros, faleceu. E pela primeira vez em décadas, o futuro dos Blue Caps esteve ameaçado.

Apoiado pelos fãs, Cid assumiu a liderança do grupo e seguiu o sonho do amigo. E com as redes sociais, as famosas versões de músicas internacionais alcançaram uma nova geração de fãs.

Em turnê contínua pelo Brasil, a banda fez uma passagem pelo Rio Grande do Sul durante o mês de outubro, quando se apresentou em um final de tarde de domingo dentro do projeto Jovens Tardes 2, ao lado de The Fevers e de Pholhas, no Auditório Araújo Vianna, em Porto Alegre.

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Para deleite dos fãs santa-cruzenses, por intervenção oportuna do produtor cultural Eroni Zinn, no sábado de véspera o quinteto deu uma esticada até Santa Cruz do Sul. E, assim, no dia 28, Cid e seus colegas subiram no palco do Las Vegas Casa de Shows, na Rua Felipe Jacobus Filho, 10, antiga Souza Cruz, mostrando todo o vigor e entusiasmo dos primórdios. Foi uma ação viabilizada por Zinn e pelos proprietários do Las Vegas, o casal Ilvo Drescher (Cardeal) e Josiane Schmitz.

Cid Chaves, aos 77 anos, é carioca da capital e ingressou no grupo aos 17 anos. Com tal vivência, é um dos Blue Caps há seis décadas, acompanhando, desde então, os momentos marcantes da MPB. Após a morte de Renato, foi Cid quem conversou com as filhas do fundador da banda e ouviu que a trajetória devia, sim, seguir adiante. Ainda mais se os fãs insistissem, e estes não relutaram em dar total aval e apoio à continuidade nas apresentações.

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Com mais de 60 anos na estrada (mais tempo de atividade do que os Rolling Stones, para efeitos de comparação), Cid é enfático sobre sua determinação em seguir em frente. “A minha vontade era que a banda continuasse por muito tempo. Até porque temos muitos fãs jovens, e seria muita sacanagem parar”, comentou na entrevista à Gazeta. “Espero que venham outros músicos para ocupar o nosso lugar e dar continuidade à Renato e Seus Blue Caps.”

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“Seguimos a vontade soberana do público”

Momentos antes do início da apresentação no Las Vegas, em Santa Cruz do Sul, enquanto ocorria a passagem de som, o vocalista da banda Renato e Seus Blue Caps, Cid Chaves, conversou com a Gazeta do Sul. Carismático e sorridente, olhos brilhando ao relembrar de inúmeras histórias, fez uma análise do passado, do presente e do futuro do conjunto.

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No palco, ao lado de Cid, na formação atual estão Darci Velasco, gaúcho de Pelotas, nos teclados; Bruno Sanson, baixo e vocal; Chi Lenno, guitarra e vocal; e Fabrício Motta, na bateria. Cid frisou o forte vínculo, desde os primórdios, com o Rio Grande do Sul. Para tanto, um fato é preponderante: Odila Vieira de Barros, mãe do fundador Renato, era gaúcha, de Porto Alegre, elemento que levou a uma ligação afetiva com o Estado.

Entrevista:

  • Magazine – Qual era seu contato com Renato e o grupo antes de se juntar a eles?

Tudo na vida tem o tal do “por acaso”. Eu tinha uma banda no Rio e fui convidado para trabalhar com o Roberto Carlos. Uma banda que ele estava formando só para fazer uma turnê. Roberto não tinha nome nenhum, estava na fase do sonho, “o rei” ainda não existia. Mas essa turnê não aconteceu e eu tive contato com alguns integrantes da banda, entre eles o Gelson Moraes. E um dia ele fez um baile com vários amigos, um deles era o irmão do Renato. Ele me convidou para tocar, disse que o saxofonista estava sumido, mas eu falei que estava com o Roberto. Logo em seguida, o Roberto disse que a turnê não ia acontecer. Então foi assim, por acaso.

  • Décadas depois, a banda continua na estrada. Como o senhor vê o cenário musical de hoje?

O início é exatamente igual para qualquer artista: você tem que formar um público, fazer uma música de sucesso para chegar ao público e assim por diante. E isso a gente conseguiu, graças a Deus. Se estamos aqui hoje, é justamente em função do que foi feito lá atrás.  Mas hoje, o cenário está mais democrático por causa da internet. Se você quiser mostrar um trabalho, sem recursos, coloca lá, onde tem mais chance de se nivelar a muitos artistas do mundo.

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Na nossa época, você tinha que fazer seu trabalho tocar na rádio. E essa disputa era muito grande, com muita gente querendo, e o espaço era pequeno. A grande diferença é que o grande veículo era o rádio. A televisão era um complemento. Hoje, mesmo sem recursos, tem outras ferramentas que você pode usar.

  • Ainda sobre a época posterior a sua entrada, que momentos o senhor não vai esquecer? 

Quando o teu trabalho começa a ser reconhecido, as pessoas começam a te identificar. Nas primeiras vezes que viemos ao Rio Grande do Sul, tinha um monte de fãs no aeroporto nos esperando. Isso nos pegou de surpresa, era coisa nova. É impactante você ver esse reconhecimento pelo seu trabalho. Hoje, esse prazer é maior ainda.

Passados 60 anos, as pessoas que estão nos shows aprenderam a gostar realmente de você, e não pelo seu sucesso. O sucesso já foi, então o que fica é uma carreira consolidada. Tem um sabor maior que o sucesso na época. 

  • Como é a relação com bandas e cantores (Roberto Carlos, por exemplo) da mesma época?

O Roberto é parceiro, amigão nosso. A gente tem um carinho e uma reciprocidade. Quase não se vê, mas, quando se vê, é uma festa. Já nós e os integrantes das bandas Fevers e Pholhas temos mais chance de estar próximos. Temos uma relação legal, muito próxima. 

  • Mais de 60 anos depois, as músicas da banda estão perenes. O que torna elas atemporais? 

Tudo que seja de forma espontânea, natural, sem grandes planejamentos, atinge o coração. Às vezes você trabalha em uma música ou na letra pensando no sucesso. Muitas vezes não atinge, outras dá certo. Não existe uma fórmula. Essa coisa de tornar perene, passar de geração a geração, é quando você consegue atingir o coração. E nós tivemos essa sorte. 

  • Como foi pegar músicas internacionais e trazê-las para a realidade brasileira?

Saiu na espontaneidade, na naturalidade, e conseguimos fazer com que aquelas belas melodias fossem abrasileiradas. Recebemos o material dos Beatles, a banda de que a gente mais fez versões, e nos ajudou muito. “Abrasileiramos” de tal forma que as pessoas aprendiam primeiro nossas versões e, em alguns casos, só iam tomar conhecimento do original muito tempo depois. 

Isso causou até uma brincadeira de que os Beatles gravaram várias músicas nossas. Muita gente conheceu primeiro a nossa versão, e aí, quando chegou a dos Beatles, achavam que eles tinham gravado nossas músicas. 

  • Como é levar adiante o legado do Renato?

É um prazer inenarrável saber que estou fazendo aquilo que o Renato gostaria. Confesso que, quando ele partiu, achei que não deveríamos continuar mais. Particularmente, queria ver a resposta do público, e as pessoas pediram pra continuar. Estamos seguindo a vontade soberana do público. 

  • Como é a relação com o Rio Grande do Sul?

Temos uma relação maravilhosa, é a melhor possível. A mãe do Renato é gaúcha. Fizemos muitas turnês nos anos 1960 e a cada década a gente voltava. Temos um carinho muito grande e é recíproco; o gaúcho tem um carinho muito grande por nós. 

  • A banda possui mais de 130 mil seguidores e mais de 100 mil ouvintes mensais no Spotify. Como lidam com as plataformas digitais?

Acho as plataformas úteis e válidas. O novo sempre causa estranheza. Eu sou um cara totalmente por fora, mas não me fecho ao novo. Tem colegas que se fecham e começam a achar tudo negativo, não olham para o lado positivo. Não podemos fechar as portas. 

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