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RESGATE MEMORIAL

Xadrez político nas ruas de Santa Cruz

Foto: Rafaelly Machado

Por tradição, cidades homenageiam personalidades políticas ou civis que fizeram história. Mas poucas localidades certamente eternizaram, lado a lado, quadra a quadra, pessoas cuja trajetória foi tão… complexa. Ou conflituosa. No quadrilátero central de Santa Cruz do Sul convivem na posteridade, em nomes de ruas, líderes de diferentes correntes, que chegaram a pegar em armas uns contra os outros. O futuro a tudo relativizou. Seria quem sabe uma tendência a ser levada a sério também no presente?

A Rua Ramiro Barcellos corre paralela à Borges de Medeiros,  separadas por outras duas (uma delas a Júlio de Castilhos, a quem Borges sucedeu), e, no entanto, em vida Barcellos ridicularizou Borges. E seria impensável que Júlio de Castilhos e Gaspar Silveira Martins se aproximassem: hoje se ingressa ao natural de uma via a outra. O mesmo vale para Borges e Assis Brasil, e eis que hoje essas ruas se cruzam, como caminhos naturais no cotidiano local. É um xadrez político, pelo qual não é fácil mover-se com clareza acerca de inclinações ou compatibilidades.

Por isso, a área central de Santa Cruz oferece aula de história a céu aberto. E sobre a memória. Caminhar ou dirigir pelas ruas centrais permite ter contato com o tempo de efetivação da República em realidade nacional, e, a partir dela, com o confronto que se estabeleceu entre republicanos (ou chimangos), aqui liderados por Júlio de Castilhos e depois Borges, e imperiais (ou maragatos), ala de Gaspar Silveira Martins. Não satisfeitos em se atacar na tribuna, ou em bater boca, foram às vias de fato, em mais de uma ocasião. 

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Agora que tudo é passado, eles, aliados ou desafetos, dão nome a ruas pelas quais as gerações de hoje circulam, até um tanto alheias às paixões que vigoraram no passado. No tabuleiro, optamos por contemplar personagens que tiveram reconhecida atuação ou influência estadual ou nacional. Caso se envolvesse também atores locais, o cenário se tornaria ainda mais complexo, e até com decorrências regionais. Nessas estariam implicados, sem dúvida, vários líderes homenageados em outras vias urbanas. Talvez isso possa constituir desafio para um futuro tabuleiro…

Na planta está o traçado original das ruas no quadrilátero central da cidade de Santa Cruz do Sul, conforme mapa organizado em 1922 pelo intendente municipal Gaspar Bartholomay. Todas as vias cujos nomes são referidos nesta matéria situam-se nesse ambiente, estando próximas

A República veio com Deodoro

Quando alguém segue pela Rua Marechal Deodoro, no sentido norte-sul, em via de mão única, nela está homenageado um personagem fulcral da história brasileira. Foi ele quem proclamou a República, em 22 de novembro de 1889, dando fim à Monarquia. E foi também o primeiro presidente do Brasil. Manuel Deodoro da Fonseca nasceu em Alagoas, em 1827. Teve passagem marcante pelo Rio Grande do Sul. Militar , em 1885, tornou-se vice-presidente da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul. Em Porto Alegre, envolveu-se no embate entre as forças armadas, que integrava, e o governo civil imperial, o que lhe custou o cargo. Retornou então ao Rio. Adiante, em meio às crises que assolavam o Império, liderou o golpe de estado que depôs a Monarquia. Primeiro chefiou o governo provisório; com a primeira constituição, foi eleito presidente. Em meio à tensão da iniciante República, renunciou à presidência em novembro de 1891. No ano seguinte, morreu. No país, os atritos entre republicanos e imperiais tornaram-se constantes. Em território gaúcho, Júlio de Castilhos, discípulo de Deodoro, ocupava o poder; mas com a renúncia deste teve de fazer o mesmo.

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Mas logo chegou a vez de Floriano

Tão logo Deodoro renunciou, em seu lugar assumiu o vice-presidente, Floriano Peixoto. Que hoje dá nome à rua mais central de Santa Cruz, a Rua Marechal Floriano, orientação sul-norte, paralela à Deodoro, mas em sentido exato oposto desta. Nascido também em Alagoas, em 1839, Floriano Vieira Peixoto era ajudante-general do Exército no governo imperial, mas acabou se juntando aos republicanos. Enérgico, recebeu a alcunha de marechal de ferro; porém, não foi capaz de apaziguar o país, que mergulhou em época sangrenta. Faleceu poucos anos depois, em 1895. Tão logo assumiu a presidência, em todos os estados afastou os governadores que haviam apoiado o golpe de Deodoro, substituindo-os por aliados. Mas no Rio Grande do Sul os federalistas opositores de Júlio de Castilhos eram desorganizados, e este voltou ao poder. O embate entre castilhistas e a corrente oposta descambou, no Estado, para uma guerra civil, a Revolução Federalista. Em lugar do lema “Ordem e Progresso”, que identificava a República, o cenário virou desordem e retrocesso. Floriano acabou por entregar o poder em 15 de novembro de 1894 a Prudente de Morais, outra rua da área central de Santa Cruz.

A vez de Gaspar Silveira Martins

Uma das vias da área central de Santa Cruz também homenageia um personagem que, embora de nacionalidade brasileira, era uruguaio, e que ocupou a presidência do Rio Grande do Sul em 1889, justo no ano da proclamação da República, pela qual foi diretamente responsável. Hoje a Rua Gaspar Silveira Martins corre na orientação norte-sul, em mão dupla, como importante via de escoamento do tráfego entre os bairros do Sul e o Distrito Industrial, em direção ao norte e à RSC-287. Natural de Cerro Largo, no Uruguai, onde nasceu em 1835, filho de estancieiros, foi advogado. Se no início era antimonarquista, acabou por se alinhar aos monarquistas. Elegeu-se deputado provincial pelo Rio Grande do Sul em 1862, e depois senador, em 1880. Nessa época tinha como grande adversário Júlio de Castilhos, embate que perdurou. Quando estava na presidência do Estado, foi o pivô da crise que culminou na proclamação. Na sequência, vai para o exílio na Europa e tenta atuar nos bastidores para implantar monarquia parlamentarista no Brasil. Por fim, ocupou-se de sua estância no Uruguai; faleceu em Montevidéu, em julho de 1901, aos 65 anos.

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A atuação expressiva de Assis Brasil

Uma voz que se levantou em realidade gaúcha contra Borges de Medeiros foi a do advogado, político, escritor e diplomata Joaquim Francisco de Assis Brasil, nascido em São Gabriel, em 1857. Propagandista da República, teve ainda atuação relevante no âmbito da pecuária. Hoje, a Rua Assis Brasil corta o centro da cidade no sentido sul-norte, em mão única, e cruza com a Borges, que era seu antigo desafeto. Em 1882, já formado em Direito, em São Paulo, e de volta ao Rio Grande do Sul, foi fundador do Partido Republicano Rio-grandense, e em nome dele cruzou a província a cavalo. Quando Deodoro sucedeu a Floriano na presidência do Brasil, e Júlio de Castilhos deixou o governo gaúcho, Assis Brasil integrou a Junta Governativa que o sucedeu. Depois foi nomeado ministro plenipotenciário do Brasil em vários países. Em 1922, seu nome surgiu como candidato de oposição a Borges de Medeiros, mas a eleição descambou para uma violenta luta armada, a Revolução de 1923, que só se concluiu com a assinatura do Pacto de Pedras Altas, no castelo pertencente a Assis Brasil. Faleceu em 24 de dezembro de 1938, em Pinheiro Machado, aos 81 anos.

O papel relevante de Thomaz Flores

Um porto-alegrense de ascendência inglesa tem seu nome eternizado em uma das principais ruas da área central de Santa Cruz (a leste do Centro), via estratégica de interligação entre as regiões sul e norte, e caminho de saída natural para a RSC-287, em direção a Venâncio Aires, ao Vale do Taquari e à Região Metropolitana. A Rua Thomaz Flores, em mão dupla, corre paralela à Deodoro (a leste desta, e, portanto, também à Floriano), até depois seguir em curva até a Gaspar Silveira Martins (outro ícone da política estadual e brasileira). Thomaz Thompson Flores nasceu em Porto Alegre, em 1852, e cursou a Escola Militar. Proclamada a República, tornou-se tenente-coronel em 1890 e deputado federal constituinte pelo Rio Grande do Sul, pelo partido de Júlio de Castilhos, ajudando a elaborar a Constituição de 1891. Nesse ano, quando Floriano chegou à presidência, no Estado uma junta governativa comandava. Esta foi derrubada por um movimento liderado por Castilhos, com apoio militar de Flores. Veja-se o destino: hoje a Rua Júlio de Castilhos, a leste, termina justamente na Thomaz Flores. Ele foi morto em combate em Canudos, em 1897, aos 45 anos.

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A proeminência do senador Pinheiro Machado

A última via do lado sul do quadrilátero central da cidade de Santa Cruz do Sul, e que se estende no sentido leste-oeste, em mão dupla, homenageia um ilustre político, senador da República, assassinado com punhalada pelas costas no Rio de Janeiro, em 1915, aos 64 anos. A Rua Senador Pinheiro Machado, via de intenso fluxo na ligação entre o centro e a região a oeste, até próximo à Estação Rodoviária e à BR-471, eterniza a memória do gaúcho José Gomes Pinheiro Machado, que nasceu em Cruz Alta, em 1851, e teve atuação destacada durante a República Velha, na última década do século 19 e início do século 20. Formado em Direito em São Paulo, entusiasmado defensor da República, elegeu-se senador de imediato e participou, a exemplo de Thomaz Flores, contemplado à esquerda, da Constituinte de 1890/1891 (hoje, veja só, a Senador cruza com a Thomaz Flores no traçado urbano de Santa Cruz). Com a eclosão da Revolução Federalista, entre 1893 e 1895, voltou ao Estado e derrotou os revolucionários liderados por Gumercindo Saraiva. Cogitou candidatar-se à presidência da República em 1914. No ano seguinte, foi assassinado.

E o comando de Júlio de Castilhos

Cruzando tanto a Rua Marechal Deodoro quanto a Rua Marechal Floriano, no sentido oeste-leste, em mão única, tem-se a Rua Júlio de Castilhos, que, nos primórdios, veja só, chamava-se… Rua do Império. Júlio Prates de Castilhos, nascido em 1860, em Cruz Alta, foi um dos personagens mais determinantes da história rio-grandense, em especial com a proclamação da República. A partir desse momento, como jornalista e político, alçou-se à condição de patriarca do Estado. Cuja presidência ocupou por duas vezes, inspirado no ideário positivista (de Auguste Comte), e que igualmente norteou as ideias republicanas no Brasil. Ficou na presidência do Estado entre julho e novembro de 1891, e voltou em 1893. No mesmo ano houve a Revolução Federalista, liderada por Gaspar Silveira Martins (via até a qual a Júlio não chega…). No seu segundo governo, altamente centralizador, marcado pelo ambiente revolucionário em todas as regiões gaúchas, ficou no poder até janeiro de 1898, quando junta governativa o sucedeu, e a ela Borges de Medeiros. Júlio de Castilhos morreu em Porto Alegre em outubro de 1903, com 43 anos, em virtude de um câncer na garganta. 

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Passou às mãos de Borges de Medeiros

Com o falecimento de Júlio de Castilhos, quem entrou em cena de vez foi Antônio Augusto Borges de Medeiros, gaúcho de Caçapava do Sul, onde nasceu em 1863, e que era advogado e político. Hoje, a Rua Borges de Medeiros corre paralela à Júlio, também em mão única e no mesmo sentido oeste-leste, afastadas apenas pela 28 de Setembro, que homenageia a emancipação de Santa Cruz. Borges presidiu o Estado por um quarto de século, e se orientava pelos valores positivistas de seu antecessor. Ficou no poder entre 1898 e 1928, e só não ocupou o cargo entre 1908 e 1913 por impedimento. A longa permanência dele à frente da política estadual alimentou forte oposição. Teve como adversários, entre outros, o advogado Joaquim Francisco de Assis Brasil, o médico Fernando Fernandes Abbott e o médico, escritor e jornalista Ramiro Barcellos, todos igualmente gaúchos. Este último, com o pseudônimo de Amaro Juvenal, satirizou Borges no livro Antônio Chimango. Borges atuou no levante constitucionalista de 1932, elegeu-se deputado federal e foi candidato à presidência. Morreu em Porto Alegre, em 1961, aos 97 anos.

De cachoeira do sul veio Ramiro Barcellos

Um cachoeirense mereceu a honra de dar nome a uma das ruas mais emblemáticas de Santa Cruz do Sul, a que cruza diante da Catedral São João Batista, separando esta da Praça Getúlio Vargas, que constitui o marco zero da cidade. A Rua Ramiro Barcellos corre no sentido de leste a oeste (parte em mão única), e em direção ao sol poente propicia olhar privilegiado para a antiga Estação Férrea, atual Centro de Cultura Jornalista Francisco José Frantz. Ramiro Fortes de Barcellos (o sobrenome tem os dois “l”s) nasceu no dia 23 de agosto de 1851, quando a antiga Colônia Santa Cruz ainda nem tinha dois anos. Projetou seu nome como médico, escritor, jornalista e político. Depois de concluir Medicina no Rio de Janeiro, foi deputado provincial e se elegeu senador da recém-instalada República. Escrevia com regularidade artigos para o jornal A Federação, usando o pseudônimo de Amaro Juvenal. Com a mesma alcunha produziu entre 1910 e 1915 uma sátira, Antonio Chimango, dirigida contra Borges de Medeiros, seu primo, então presidente da Província, com quem tinha rivalidade política. Até hoje o livro circula. Ramiro faleceu em 28 de janeiro de 1916, em Porto Alegre, aos 64 anos.

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Tempos e atos de Fernando Abbott

Contemporâneo de um dos períodos mais conturbados da história gaúcha e brasileira, ele foi também um médico que veio da fronteira. Fernando Fernandes Abbott nasceu em São Gabriel, em 1857, e de lá sairia para cumprir trajetória de influência no mundo da política, a ponto de ter sido eternizado no nome de uma rua do centro de Santa Cruz, que corre no sentido oeste-leste, parte em mão única. A Rua Fernando Abbott, curiosamente, é paralela, vizinha, à Ramiro Barcelos,. Situa-se entre esta e a Senador Pinheiro Machado, outro gaúcho que teve influência na chamada República Velha, entre 1889, ano da proclamação, e 1930, quando começou a ascensão de outro gaúcho, um certo Getúlio Vargas. E a via que homenageia Abbott, veja só, cruza a oeste com a Assis Brasil, que foi justamente seu grande amigo, ambos fundadores do Partido Republicano Democrático. Por essa sigla, foi candidato de oposição a Borges de Medeiros (eles antes haviam sido colegas de partido), mas perdendo a eleição para o nome apoiado por este. Fernando Abbott faleceu em sua terra natal, em 1924, aos 67 anos, e exerceu diversas funções públicas, como deputado federal e ministro do Brasil na Argentina.

O legado de coragem de Venâncio Aires

Um jornalista brasileiro, entusiasta das ideias republicanas e também abolicionista de primeira hora, nascido em São Paulo, mereceu a honra de ter seu nome em via pública do quadrilátero central de Santa Cruz do Sul. E, na verdade, obteve a glória ainda maior, legítima e justa, de ser eternizado como nome de cidade e de município, Venâncio Aires, vizinho a Santa Cruz. Quando uma pessoa circula pela agitada Rua Venâncio Aires, no sentido sul-norte, mão única, via paralela à Floriano, à Marechal Deodoro, à Thomaz Flores e à Assis Brasil, trafega em um espaço que celebra a memória de Venâncio de Oliveira Alves, nascido em Itapetininga, em 1841, e que faleceu de maneira precoce aos 43 anos, em 16 de outubro de 1885, em Santo Ângelo. Repare-se que, embora tenha defendido com ardor a abolição da escravatura e o ideário republicano, de forma corajosa e convicta, em plena Monarquia e junto a uma sociedade brasileira ainda escravocrata, morreu antes de ver tais mudanças terem efetivamente ocorrido no País. Hoje, a Venâncio cruza com todas as vias que homenageiam políticos posteriormente atuantes no contexto republicano.

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A voz local e regional de Carlos Trein Filho

Último personagem contemplado nesse resgate memorial, Carlos Trein Filho, nascido Carl Rudolph Trein, é o único ator local nesse contexto. E, entretanto, era alemão. Nasceu em 1847 em Kempfeld, na Renânia Palatinado, e veio com a família para o Brasil. Os Trein fixaram-se em Santa Cruz. Formado arquiteto, em Porto Alegre, e agrimensor, voltou a Santa Cruz e com apenas 23 anos, em 1870, assumiu como diretor da colônia, em substituição ao belga Alphonse Mabilde. Seguiu na função até a emancipação, em 1878, e permaneceu como intendente, o equivalente a prefeito. Também maçom, teve atuação em muitas conquistas, como a fundação do Club União (de cuja sede a família era vizinha, na via principal) e da Deutsche Realschule (hoje Colégio Mauá, próximo de sua residência, onde está a Iluminura), bem como da loja maçônica Lessing 61 (em 1880). Atuou ainda como juiz de paz, engenheiro, arruador etc. Hoje a Rua Carlos Trein Filho liga as áreas norte e sul, em mão dupla, a oeste do quadrilátero central. Trein e a família deixaram Santa Cruz após ele ter sofrido um atentado em 1903. Desde então se fixou em Porto Alegre, onde morreu em 1919, aos 72 anos.

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