Dia do aposentado

28/01/2019 15:32:32
Foto: Divulgação

No dia 24 de janeiro, comemora-se o Dia Nacional do Aposentado. Em meio a tantas datas comemorativas, previstas no calendário anual – algumas mais importantes, outras mais badaladas e a maioria apenas para constar -, a data nem sequer foi lembrada, quem dirá comemorada. Aliás, já faz algum tempo, quando se fala em aposentadoria é para lembrar e anunciar a necessidade de reformar o sistema da Previdência Social, no mundo e principalmente no Brasil.

O motivo seria o crescimento exponencial  dessa despesa pública, o que levaria, num futuro próximo, os governos não terem mais dinheiro suficiente para pagar as aposentadorias e pensões. Realmente, quem já está aposentado vê que seu benefício, pago pelo INSS, diminui de ano para ano. Quem está mais próximo da aposentadoria, contando meses ou dias, hoje não sabe ao certo quando poderá usufruir desse benefício e em que condições. Quem está no início de sua vida profissional, nem pensa em aposentadoria; afinal, é algo tão distante.

À parte essas mazelas, a data foi escolhida porque, em 24 de janeiro de 1923, foi assinada a Lei Eloy Chaves – o dia da Previdência Oficial -, que criou, na época, a caixa de aposentadorias e pensões para os empregados de todas as empresas privadas das estradas de ferro. Foi uma mudança da Previdência Social que, até então, atendia apenas os funcionários do governo federal. A partir dessa lei, muitas outras legislações e normas foram criadas nos últimos anos.

Nos primeiros dias e meses da tão esperada, sonhada e merecida aposentadoria tudo são flores...  Acordar mais tarde e ficar assistindo televisão até altas horas da noite, sabendo que poderá recuperar o sono perdido na manhã seguinte. Muitas vezes, principalmente nos ambientes familiares, alguns até assumem um novo nome: “Jáque”. Já que não estás fazendo nada, podes buscar as crianças no colégio? Pagar uma conta no banco? Levar a roupa para a lavanderia ou algum eletrodoméstico para conserto? O fato de não ter mais compromissos diários – hora para chegar, nem sempre para sair; prazos de tarefas; volume de serviço além da conta; problemas de relacionamento com colegas, superiores, clientes... – pode até dar a falsa impressão de que agora, sim, somos completamente livres. Depois de um tempo, entretanto, os dias começam a ficar mais longos – e as noites, também – e daí, muitos aposentados começam a sentir um vazio existencial e a sensação de inutilidade, procurando afogar esses sentimentos em copos ou garrafas de bebidas alcoólicas. Alguns, como diz uma letra de Raul Seixas, ficam sentados, de boca aberta, no meio da sala, esperando a morte chegar...

Ao se aposentar, muitas pessoas, simplesmente, não conseguem desvencilhar-se de máscaras que eram obrigadas a usar nas empresas ou instituições, o que as identificava profissionalmente, em detrimento da autêntica identidade pessoal. Tendo exercido funções de comando, por exemplo, parece que trouxeram junto seus carimbos ou estrelas, não perdendo oportunidade, em qualquer ambiente ou evento, de manifestar sua antiga autoridade. Outras, não conseguem deixar de usar, diariamente, o uniforme da empresa ou, então, em casos mais extremos, de comparecer, diariamente, ao local de trabalho do qual foram desligadas, como se ainda estivessem na ativa.

Por isso, no início da aposentadoria, é recomendável fazer uma pausa, como se fosse um intervalo de um jogo, entre o primeiro e o segundo tempo. A aposentadoria deve ser encarada como um segundo tempo da vida, aberto a muitas possibilidades. Igual a águia que, em algum momento de sua vida, renova, com muita dor, as garras dos pés e o bico, já gastos pelo uso.  É possível, por exemplo, encontrar uma carreira aos 70 anos. Segundo o psicólogo Ken Dychtwald, conhecido como o “Guru do envelhecimento da América”, o grupo que mais cresce no mercado de trabalho norte-americano tem sido de pessoas acima de 55 anos. 

Existem principalmente duas razões que fazem com que profissionais aposentados procurem algo para fazer: 1) simples necessidade para complementar a renda, principalmente para pessoas menos qualificadas, profissionalmente, o que no Brasil é muito comum; 2) o próprio mercado que, muitas vezes, procura esses profissionais quando a atividade exige mais responsabilidade, disponibilidade e respeito ao horário, além de poder contar com conhecimentos e experiências nem sempre registradas em manuais. Não há limites para o que uma pessoa pode fazer, exceto os de sua própria mente.

Muitas empresas já oferecem a seus funcionários programas de preparação para a aposentadoria. Esses programas visam convidar as pessoas, prestes a aposentar-se, a fazer uma reflexão sobre o que pretendem fazer nos próximos anos e planejar suas ações, não só na área financeira, geralmente muita afetada, mas em vários aspectos da vida prática de um aposentado, o que inclui sua família, seus vizinhos, seus amigos. No Japão, a preocupação com o aposentado é tão grande que um psicólogo criou um estudo, chamado de Síndrome do Marido Aposentado. Com a presença constante do marido em casa, muitos casais entram em crise por não saberem, literalmente, conviver o dia inteiro, começando por pequenas implicâncias até terem problemas maiores.

Estudo sobre aposentadoria, divulgado, há algum tempo, revelou que 69% dos trabalhadores brasileiros tem medo de não ter dinheiro na velhice. Um arrependimento bastante comum entre os aposentados foi não terem economizado mais enquanto estavam na ativa pois, se dependerem da ajuda financeira de filhos/filhas e genros/noras, em muitos casos, inclusive de pessoas que receberam quinhões de herança, terão que arcar com o próprio caixão para não serem sepultados como indigentes. Sem considerar os inúmeros casos em que o aposentado ajuda ou é a única fonte de renda de uma família, muitas vezes aumentada com a presença de genros, noras e netos, além dos próprios filhos e filhas.  Por isso, o mesmo estudo sugere quatro passos para os candidatos à aposentadoria:

1) não se precipitar para aposentar-se;
2) diversificar as fontes de renda;
3) levar em conta os gastos familiares;
4) ser realista com as despesas futuras.

A maioria das pessoas já leu ou, ao menos, já ouviu falar sobre importância de começar a poupar e investir, de modo a garantir uma aposentadoria mais segura, financeiramente. Mas, quando se é jovem ou se está começando uma atividade profissional, a aposentadoria  está longe das prioridades atuais. Só que os anos passam e quando a pessoa se dá conta já está contando os dias, meses ou até anos que faltam para aposentar-se. Aí, já pode ser tarde ou, no mínimo, mais difícil conseguir fazer um “pé de meia” para esta nova etapa da vida. Assim, o especialista em educação financeira, Antônio de Júlio, listou 5 motivos pelos quais a melhor hora de investir na aposentadoria é agora:

1º) tempo: quanto mais a pessoa dispor, mais fácil será juntar uma boa grana;
2º) disciplina: o hábito de poupar ajuda a pessoa a policiar-se financeiramente;
3º) estilo de vida: o que a pessoa quer fazer quando se aposentar – viajar, onde morar, etc.;
4º) demografia: com o aumento da expectativa de vida dos brasileiros, no futuro a tendência é de que existam mais pessoas idosas que dependam da previdência oficial; quer dizer, o que está ruim pode ficar pior;
5º) acesso: hoje em dia, só não investe quem não quer; dizer que para poupar precisa de muito dinheiro é desculpa.

No início de um novo ano, ainda dá tempo de fazer mais uma promessa: começar a garantir a saúde, não só física e mental, como também a financeira para os anos que virão em seguida, seja lá com que idade for.  É urgente a adoção da educação financeira que deve incluir um planejamento para uma aposentadoria mais tranquila, no futuro. 

Na aposentadoria, não se precisa mais correr tanto, nem se deve parar de vez com tudo. Pode-se juntar todos os conhecimentos e experiências, acumulados durante o tempo de trabalho e da própria vida, e usar o tempo disponível para ocupar-se com atividades significativas e que tragam prazer. Às vezes, até dinheiro. Aposentadoria pode significar, pois, um tempo de muitas possibilidades. Ou nenhuma. Tudo irá depender de como a pessoa vai lidar com essa nova fase da vida.  

Postado por Francisco Teloeken- francisco.roque@viavale.com.br
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