CARREIRA VITORIOSA 10/01/2021 13h27

Pedro Henrique Konzen, o guri de Pinheiral que ganhou o mundo

Santa-cruzense, mais conhecido como Kiko, completou dez anos de futebol profissional em 2020, celebrando uma bela trajetória

Imagine um garoto do interior apaixonado por jogar futebol e que conseguiu se tornar profissional. A realização de um sonho e motivo de orgulho para a família. Agora imagine o menino em seis países da Europa. Inclusive, tendo a oportunidade de disputar a principal competição de clubes do planeta. Ele chama-se Pedro Henrique Konzen, o Kiko, de 30 anos, cria da Linha Pinheiral, no interior de Santa Cruz do Sul. Conforme dados do site Transfermarkt, foram 289 jogos e 54 gols. Em 2020, o atleta chegou a dez anos de trajetória profissional, feliz e realizado por tudo o que conquistou e com aspirações para o futuro.

O início de Pedro Henrique foi no projeto Eu Jogo Junto, coordenado pelo comentarista da Rádio Gazeta, Marcos Rivelino da Rosa. A iniciativa nasceu em 2002, com apoio da Fundação Gazeta. “Tudo começou na Escola Sagrada Família, quando entrei no projeto, orientado pelo Rivelino e o Dárley (Costa). Aprendi muito com eles”, sublinhou. Para Rivelino, Kiko já demonstrava ser um jogador diferenciado tecnicamente. “Era interessado e focado em aprender e aprimorar fundamentos. Sempre humilde e esforçado, buscando o objetivo de ser jogador profissional. Era admirado por todos os alunos do projeto”, comentou.

LEIA TAMBÉM: Grêmio fica no empate contra o Fortaleza

Kiko (oitavo da esquerda para a direita) foi campeão regional do Vale do Rio Pardo com o Pinheiral, em 2006

Depois passou um período no futsal, com Gilberto Coutinho Miranda na escolinha Rogildo Esportes até chegar às categorias de base do Santa Cruz, organizadas por Guido Sehn. “Pude evoluir no sonho de ser jogador ao aprender muito com o Deive Bandeira. Eu sabia que, se fizesse por merecer, sempre correndo atrás, as coisas poderiam acontecer”, salientou. Ao mesmo tempo, Kiko atuava no time de aspirantes do Pinheiral na Liga de Integração do Futebol Amador de Santa Cruz do Sul (Lifasc).

No amador, disputou competições pelo Juventude, de Vila Arlindo, e o Grêmio Esportivo Cecília, pelo qual foi campeão da Taça da Amizade, de Venâncio Aires. Em 2006 foi campeão nos titulares do Regional com o Pinheiral, sob o comando de Alex Pires. “Tudo isso me deu certa experiência para o juvenil no Santa Cruz. Assim tive a oportunidade de ingressar na base do Grêmio, onde atingi uma grande evolução. Fazer a mudança para Porto Alegre foi algo que impactou”, comentou. O interesse do clube da Capital surgiu após um bom desempenho na Copa Santiago.

Do Avenida para o Caxias

Após dois anos na base do Grêmio, Kiko recebeu a oportunidade de atuar como profissional no Avenida, por intermédio do presidente Jair Eich. “Foi a primeira experiência profissional. Depois, o Caxias abriu as portas. Era o clube que absorvia boa parte das categorias de base do Grêmio na época. Pude ter minha grande oportunidade, me profissionalizar de verdade e fazer uma boa temporada”, enfatizou. No Caxias, em 2010, foi vice-campeão gaúcho sub-20. No ano seguinte, disputou o Gauchão. O primeiro duelo pelo time grená foi contra o Santa Cruz, o clube do coração. “Um dos jogos em que fiquei mais ansioso”, revelou ele, que jogou ainda a Série C do Brasileiro.

As boas atuações levaram Pedro Henrique ao futebol europeu no início de 2012. A primeira parada foi na Suíça, para três temporadas no Zürich FC. Na temporada 2013/14, marcou 11 gols em 40 jogos. Foi campeão da Copa da Suíça e acabou negociado com o Rennes, da França, onde jogou duas temporadas e meia.

“Foi um período muito bom. Fico feliz por ter participado do processo de evolução do clube.” O passo seguinte foi o futebol grego. PH recebeu o convite para atuar no Paok, de Salonika, na temporada 2016/17. No dia 6 de maio de 2017, ele anotou o gol do título da Copa da Grécia na vitória por 2 a 1 sobre o AEK. O clube não levantava uma taça há 15 anos. O Paok viria a ser campeão da competição nos dois anos seguintes e vencedor da Liga Grega em 2018/19. “Foi um momento especial para mim e para o clube. Uma grande festa da torcida”, resumiu.

LEIA TAMBÉM: Santa Cruz confirma manutenção de toda a comissão técnica para 2021

PRÓXIMA PARADA: AZERBAIJÃO

O próximo alfinete cravado no mapa foi no Azerbaijão, para um contrato de empréstimo. O clube era o Qarabag, classificado à fase de grupos da Liga dos Campões da Europa em 2017/18. “Fiquei com o coração partido, mas pedi para o presidente do Paok me liberar. Era o sonho de disputar a Champions League”, admitiu. Pedro Henrique foi pentacampeão azeri e encarou Chelsea, Atlético de Madrid e Roma no torneio continental. No dia 27 de setembro de 2017, ele entrou para a história do país na derrota por 2 a 1 diante da Roma: foi o autor do primeiro gol de uma equipe do Azerbaijão na Champions League.

No retorno ao Paok, o clube enfrentava um problema com o excesso de estrangeiros no elenco. Dessa forma, Pedro Henrique foi cedido ao Astana, do Cazaquistão. Lá, encarou muitas temperaturas negativas e chegou a disputar a Europa League 2018/19. Ainda teve tempo de ser campeão cazaque. De volta ao Paok, participou da campanha do título grego invicto de 2018/19 e do tricampeonato da Copa da Grécia.

Apesar de receber convites para voltar ao futebol brasileiro, Pedro decidiu aceitar a proposta do Kayserispor, da Turquia, em agosto de 2019 e já renovou o contrato até 2023. “Não me arrependo de ter vindo para a Turquia. É um país apaixonado por futebol. Fui artilheiro da equipe no ano passado. O clube me deu muita confiança, e sou grato à presidenta Berna (Gözbazı). Uma mulher que faz um grande trabalho. Uma das melhores dirigentes que tive nos clubes em que trabalhei”, explicou.

Pelo Qarabag, encarou Filipe Luis, hoje no Flamengo

Gratidão para quem o ajudou

Pedro Henrique é grato ao tio Neca e à tia Áurea, assim como os avós, que o criaram. Ele perdeu os pais antes dos 6 anos. “Todos os meus tios me criaram e me ensinaram coisas maravilhosas na infância. Sempre me apoiaram no sonho que eu tinha de ser jogador. Olho para trás e agradeço por tudo que fizeram. Não esqueço deles nunca”, exaltou.

Ele é casado com a caxiense Rafaela Scain desde junho de 2012. Conheceu a esposa quando atuava no Caxias. A filha Philipa tem 5 anos e nasceu na França. “Aprendi a falar inglês e francês. Me viro no alemão, espanhol e italiano. Até russo consegui assimilar alguma coisa. Só o grego que ficou difícil. Sempre me esforcei para saber um pouco dos idiomas e da cultura de cada país. Por ser de família com origem germânica, me adaptei com facilidade na Suíça”, contou.

Kiko afirma que criou identificação com as torcidas dos clubes nos quais atuou, principalmente no Rennes, Paok e Qarabag. Sobre voltar a atuar no Brasil, deixa a possibilidade em aberto. “Por ter saído cedo do Brasil, os convites que vieram já mexeram comigo. No caso da dupla Gre-Nal, seria um prazer imenso. No momento, estou valorizando o Kayserispor e espero cumprir meu contrato com o clube. Se um dia tiver a oportunidade, será um grande prazer retornar ao futebol brasileiro”, finalizou.

LEIA MAIS: Wiliam Campos renova contrato com o Santa Cruz