História que comove 20/11/2019 06h13 Atualizado às 15h01

Menino pede milho para o cavalo ao Papai Noel e emociona em Santa Cruz

Pedro também pediu produtos para atender às necessidades da família; após a morte da mãe, ele divide as tarefas da casa com o pai e os irmãos

A inocência das brincadeiras com os colegas na escola e a alegria em participar de atividades no projeto social que frequenta amenizam as dificuldades que o menino Pedro Zilch, de 11 anos, encontra diante de uma realidade dura que precisa enfrentar diariamente.

Morador da Rua das Carrocinhas, no Loteamento Beckenkamp, o garoto divide as responsabilidades da casa onde mora com o pai Isidor Renê Zilch e os irmãos Isidor (como o pai), de 7 anos, e Mateus, de 14, após a mãe ter falecido há cerca de um ano, vítima de câncer.

Enquanto o pai trabalha colhendo fumo em Passo do Sobrado, o menino participa todas as manhãs de atividades do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, promovidas pela Associação de Projeto Educacional e Social para Crianças e Adolescentes (Aesca) no turno inverso aos estudos – ele frequenta o terceiro ano da Escola Harmonia.

Em uma das atividades, proposta pela empresa Philip Morris à instituição, a mescla de inocência infantil e maturidade precoce que a vida impôs ao menino acabou chamando a atenção da recreadora Roriane Peres Chagas.

“Nos foi proposto que organizássemos com as crianças a produção de cartinhas para o Papai Noel, que a Philip Morris iria apadrinhar. As crianças pediram inúmeras coisas, como roupas, tênis, brinquedos, mochilas e materiais escolares diversos. No entanto, a carta do Pedro não pedia presentes, mas sim materiais para atender às necessidades da sua família e do seu cavalinho”, disse a recreadora. No texto escrito à mão, Pedro pede dois sacos de milho, um pelego, uma rede de pesca, um saco de bolitas e um “telefone de mexer na tela”.

“Os sacos de milho quero dar para o Gateado. O pelego é para poder montar de forma mais fácil, e quero tirar fotos dele com o telefone. O saco de bolitas é para dar ao meu irmãozinho, e a rede de pesca é para ir com o meu pai pescar no açude”, explicou Pedro à Gazeta do Sul.

Mal sabia ele que os inocentes pedidos ganhariam grande repercussão. Emocionada com o texto escrito por ele, a recreadora Roriane tirou uma foto da cartinha do menino e a repassou aos parentes, que possuem forte ligação com o tradicionalismo. “Eles se comoveram com os pedidos do Pedro e começaram a encaminhar para vários grupos de WhatsApp, de modo que viralizou”, afirmou.

Segundo a coordenadora do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos do Beckenkamp, Veridiana Knod da Rocha, muitas empresas já demonstraram interesse em atender aos pedidos do jovem. “Ainda estamos revisando as cartinhas de todas as crianças para enviar à Philip Morris, sobretudo os tamanhos das roupas que pediram. No entanto, diante da repercussão da carta do Pedro, muitas doações já estão sendo encaminhadas”, ressaltou.

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O amigo gateado

O desafogo da atribulada vida de Pedro, diante das responsabilidades escolares e da casa, é o seu companheiro de passeios, o cavalo Gateado. O menino desfila pelas ruas do Loteamento Beckenkamp com o cavalinho de um ano e meio.

O cuidado é tanto que Pedro arranca a grama do chão e dá na boca do animal. A água para ele também é colocada cuidadosamente em um balde. “Até mesmo o celular, único objeto de maior valor pedido por ele, tem o objetivo de tirar fotos do Gateado”, salientou o assistente administrativo da Aesca, André Rocha.

Segundo Rocha, o objetivo da associação é trabalhar os mais diversos eixos da assistência social. “O protagonismo do Pedro faz parte do trabalho, fazendo dele uma história aqui do local e realçando as ações que são realizadas por nós junto a outras 700 crianças da cidade, a maioria em vulnerabilidade social.”

A Aesca mantém parceria com a Prefeitura de Santa Cruz do Sul e com o Estado. Segundo o assistente administrativo André Rocha, quem quiser ajudar as crianças que frequentam os serviços de convivência pode entrar em contato pelo telefone (51) 3719 5159. Valores podem ser depositados na conta da Caixa Econômica Federal, agência 0500, op 003, conta 3.693-8 em nome da Aesca, CNPJ 19313880/0001-84.

Fotos: Lula Helfer