HISTÓRIA 05/09/2020 17h58

Exército tem 76 anos de história em Santa Cruz

A primeira incorporação ocorreu em dezembro de 1944, só com soldados do município

A instalação de uma guarnição militar em Santa Cruz do Sul completa 76 anos em 2020. No dia 1º de agosto de 1942, foi ativado o 3º Batalhão do 7º Regimento de Infantaria, sediado em Santa Maria. A área de 30,3 hectares pertencente à família Tatsch, onde o quartel permanece até hoje, foi desapropriada em 6 de agosto de 1943.

A ocupação do terreno iniciou-se em dezembro de 1943, com uma patrulha patrimonial de seis militares. Em setembro de 1944, houve o deslocamento de 556 militares para Santa Cruz. Como ainda não existiam instalações, prédios foram alugados, como o do antigo Fórum, parte da Ginástica, o Clube Aliança e um depósito da Kliemann Tabacos. O refeitório era no pavilhão da catedral, e os animais de tração ficavam na área do atual Parque da Oktoberfest.

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O atual comandante do 7º BIB, coronel Fernando Barcellos da Rosa, ressalta que na época o mundo estava mergulhado na Segunda Guerra Mundial. O Brasil somou forças com os Aliados e declarou guerra contra a Alemanha em 1942. Surgiu então a preocupação de gerar um sentimento de união entre os brasileiros.

Em 12 de julho de 1945, os prédios ficaram prontos para abrigar o 3º Batalhão em Santa Cruz. Barcellos observa que a fixação de uma unidade militar influenciou bastante na rotina da cidade. “Hoje Santa Cruz tem 130 mil habitantes, sendo 2,5 mil somente das famílias de militares, fora os recrutas. Imagina a representatividade que existia na década de 1940, com um efetivo de quase 600”, compara. “Foi um impacto muito grande. Com aluguéis, comércio e matrículas em escolas. Algo que continua até hoje.”

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A primeira incorporação ocorreu em dezembro de 1944, só com soldados de Santa Cruz. Iniciava-se um processo integrador entre jovens da colônia e da cidade. Os oficiais vinham de fora e agregavam à riqueza cultural, com suas experiências.

Em abril de 1946 surgiu a Escola Regimental, com a missão de alfabetização. Mais da metade dos que serviam não era alfabetizada, e outros sabiam apenas o alemão. “O batalhão teve um papel importante na educação, na civilidade, nos valores cívicos e patrióticos, para despertar o sentimento de amor pela Pátria. Nessa convivência, não existia mais a divisão entre colônia germânica e sociedade santa-cruzense. O batalhão acelerou a integração.”

Barcellos: prontos para missão

O nosso batalhão
A instalação militar foi bem recebida em Santa Cruz do Sul. Tanto que o quartel é conhecido até hoje como Nosso Batalhão. O 3º Batalhão do 7º Regimento de Infantaria transformou-se em 8º Regimento de Infantaria no dia 1º de maio de 1949. Já em 1965, em uma nova reorganização, a denominação passou a ser 8º Batalhão de Infantaria Motorizado (8º BIMtz). Em dezembro de 2005, transformou-se no 7º Batalhão de Infantaria Blindado (7º BIB).

O 7º BIB conta com 798 militares, 491 do efetivo profissional. O índice de santa-cruzenses é de 80%, enquanto o restante é de Venâncio Aires, Vera Cruz, Sinimbu e Vale do Sol. Os soldados que se incorporam recebem 800 horas de treinamento básico e 400 horas de treinamento avançado. No Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva (NPOR), a instrução chega a 1,5 mil horas. O Exército injeta R$ 80 milhões por ano de forma direta ou indireta na economia local.

Homens do 7º BIB atuaram na missão de paz da ONU no Haiti, na segurança da Copa do Mundo 2014 em Porto Alegre e nos Jogos Olímpicos Rio 2016, além de operações nas fronteiras.“Estamos prontos para qualquer missão para a qual formos designados”, frisa o coronel Barcellos. “Os militares que encerram o serviço após oito anos retornam para atividades na sociedade e com larga experiência, em alguns casos internacional. Podem fazer a diferença no lugar onde atuam.”

No ano passado, o 7º BIB recebeu 15 visitas de escolas municipais e 20 de entidades civis. A banda realizou 78 apresentações em eventos diversos. O 7º BIB participa de ações humanitárias e sociais, como campanha do agasalho, combate à dengue, vacinação da gripe e pontos de checagem de temperatura durante a pandemia, além de exposições em eventos. Para o Hospital de Campanha, ofereceu 90 leitos.

Além dos 30,3 hectares do quartel, a área militar em Santa Cruz tem 100 hectares do Campo de Instrução e 1,5 hectare da Vila Militar, com 17 residências. “As áreas são totalmente preservadas, em respeito ao meio ambiente”, frisa Barcellos.

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