DIA D 16/10/2020 17h12 Atualizado às 22h25

Postos de Santa Cruz abrem neste sábado para vacinação contra a pólio

Cerca de 5,5 mil crianças precisam ser imunizadas contra a doença no município

Com o objetivo de imunizar crianças e adolescentes, o Dia D da campanha de Multivacinação e Vacinação contra a Poliomielite ocorre neste sábado, 17, em todo o País. Em Santa Cruz do Sul, apenas a ESF Linha Monte Alverne não estará aberta – as demais unidades de saúde funcionarão entre 8 e 14 horas para oferecer as doses. Para vacinar, é necessário ter em mãos a carteira de vacinas de quem vai receber a imunização e, de preferência, o cartão SUS.

A campanha nacional começou no dia 5 de outubro e segue até o dia 30 deste mês. O coordenador do setor de Imunizações da Secretaria Municipal de Saúde, enfermeiro Roger Rodrigues Peres, explicou que a vacina oral contra a pólio (VOP) é um reforço para diminuir o risco de importação do vírus, já que há surtos no exterior. “É importante lembrar que essa dose não isenta as demais. A primeira dose deve ser administrada aos 15 meses de vida e, a segunda, aos 4 anos.”


O coordenador destaca que a população-alvo da campanha contra a pólio é formada por 5.531 crianças em Santa Cruz e, até a última quarta-feira, 14, somente cerca de 850 foram atingidas. Todas as crianças menores de 5 anos devem ser vacinadas.

“As consequências da pólio podem ser graves, por isso é tão importante a prevenção. Estamos em um ano atípico, em meio a uma pandemia que também acaba impactando na baixa pela procura por vacinas de rotina em crianças. Mas isso não pode acontecer. É fundamental que as crianças recebam a dose”, alertou o enfermeiro.

LEIA TAMBÉM: Campanha de vacinação contra a poliomielite começa nesta segunda


O que é a poliomielite?

A poliomielite, também chamada de pólio ou paralisia infantil, é uma doença contagiosa aguda causada pelo poliovírus, que pode infectar crianças e adultos por meio do contato direto com fezes ou com secreções eliminadas pela boca das pessoas doentes e provocar ou não paralisia. Nos casos graves, em que acontecem as paralisias musculares, os membros inferiores são os mais atingidos. A vacinação é a única forma de prevenção, por isso, todas as crianças menores de 5 anos devem ser vacinadas. No Brasil, o último caso de infecção pelo poliovírus selvagem ocorreu em 1989, na cidade de Souza/PB.

Quais são os sintomas da poliomielite?

Os sinais e sintomas da poliomielite variam conforme as formas clínicas, desde ausência de sintomas até manifestações neurológicas mais graves. A poliomielite pode causar paralisia e até mesmo a morte, mas a maioria das pessoas infectadas não fica doente e não manifesta sintomas, deixando a doença passar despercebida.

Os sintomas mais frequentes são:
– Febre;
– Mal-estar;
– Dor de cabeça;
– Dor de garganta e no corpo;
– Vômitos;
– Diarreia;
– Constipação (prisão de ventre);
– Espasmos;
– Rigidez na nuca;
– Meningite.

Na forma paralítica, ocorrem:
– Instalação súbita de deficiência motora, acompanhada de febre.
– Assimetria acometendo, sobretudo, a musculatura dos membros, com mais frequência os inferiores.
– Flacidez muscular, com diminuição ou abolição de reflexos profundos na área paralisada.
– Sensibilidade conservada.
– Persistência de paralisia residual (sequela) após 60 dias do início da doença.

LEIA TAMBÉM: Cobertura vacinal na pandemia está abaixo de 60%

Como prevenir a poliomielite?

A vacinação é a única forma de prevenção da poliomielite. Todas as crianças menores de 5 anos de idade devem ser vacinadas conforme esquema de vacinação de rotina e na campanha nacional anual. Desde 2016, o esquema vacinal contra a poliomielite passou a ser de três doses da vacina injetável – VIP (2, 4 e 6 meses) e mais duas doses de reforço com a vacina oral bivalente – VOP (gotinha). A mudança está de acordo com a orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e faz parte do processo de erradicação mundial da pólio.

Quais são as causas e sequelas da poliomielite?

A falta de saneamento, as más condições habitacionais e a higiene pessoal precária constituem fatores que favorecem a transmissão do poliovírus, causador da poliomielite. As sequelas da poliomielite estão relacionadas com a infecção da medula e do cérebro pelo poliovírus, normalmente correspondem a sequelas motoras e não tem cura.

As principais sequelas da poliomielite são:

– Problemas e dores nas articulações.
– Pé torto, conhecido como pé equino, em que a pessoa não consegue andar porque o calcanhar não encosta no chão.
– Crescimento diferente das pernas, o que faz com que a pessoa manque e incline-se para um lado, causando escoliose.
– Osteoporose.
– Paralisia de uma das pernas.
– Paralisia dos músculos da fala e da deglutição, o que provoca acúmulo de secreções na boca e na garganta.
– Dificuldade de falar.
– Atrofia muscular.
– Hipersensibilidade ao toque.

As sequelas são tratadas por meio de fisioterapia e da realização de exercícios que ajudam a desenvolver a força dos músculos afetados, além de ajudar na postura, melhorando assim a qualidade de vida e diminuindo os efeitos das sequelas. Além disso, pode ser indicado o uso de medicamentos para aliviar as dores musculares e das articulações.

LEIA MAIS: Ações na Justiça obrigam famílias a vacinarem filhos; pais podem perder guarda

A poliomielite atinge também os adultos?

Embora ocorra com maior frequência em crianças, a poliomielite também pode ocorrer em adultos que não foram imunizados. Por isso é fundamental ficar atento às medidas preventivas, como: lavar sempre bem as mãos, ter cuidado com o preparo dos alimentos e beber água tratada.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da poliomielite deve ser suspeitado sempre que houver paralisia flácida de surgimento agudo com diminuição ou abolição de reflexos tendinosos em menores de 15 anos. Os exames de liquor (cultura) e a eletromiografia são recursos diagnósticos importantes. O diagnóstico será dado pela detecção de poliovírus nas fezes.

E o tratamento?

Não existe tratamento específico da poliomielite, todas as vítimas de contágio devem ser hospitalizadas, recebendo tratamento dos sintomas de acordo com o quadro clínico do paciente.

Com informações do Ministério da Saúde.

LEIA TAMBÉM: Ministério da Saúde anuncia mudanças nas indicações de vacinação