Objetiva Mente 10/06/2019 22h10 Atualizado às 13h52

Separação e alienação parental

Muitas teorias tentam explicar o que tem levado um maior número de casais a se separarem

Muitas teorias tentam explicar o que tem levado um maior número de casais a se separarem. Namoros apressados, relações superficiais, imaturidade ou mudanças sociais, várias poderiam ser as explicações. Porém, gostaria de me ater a separações que possuem um desafio a mais na hora de romper os laços: filhos.

Independente da idade dos filhos, desde os bem pequenos até os maiores de idade, acontecem mudanças que abalam as estruturas. Em idades precoces, esses abalos podem gerar rupturas e danos. Dependendo das circunstâncias em que essa separação acontece e como os personagens principais lidam com esse processo, podemos minimizar ou maximizar o sofrimento dos filhos. Uma coisa é certa: ninguém fica incólume a uma separação.

Ao contrário do que o senso comum afirma, quanto menor a criança mais suscetível ao sofrimento ela é. Muitos pais, ao perceberem que o relacionamento não vai bem, preferem se separar no primeiro ano de vida pois ela supostamente não iria lembrar. A perda da presença materna ou paterna nos primeiros anos de vida é altamente sofrida para a estrutura psíquica do bebê. Nesta fase, quando realmente for insustentável a relação, é exigida muita maturidade e altruísmo dos pais para estar presente e permitir que o outro também esteja.

Crianças maiores podem desenvolver culpa em decorrência da separação. Nesta fase, elas podem se atribuir responsabilidade sobre os motivos que levaram o casal a romper o relacionamento, gerando um grande sofrimento nessa criança. Diálogo aqui se faz fundamental para reduzir a possibilidade da criança sofrer por algo que não é dela, e sim dos pais. Eventuais mudanças nas rotinas e planos futuros devem ser discutidas e avisadas antecipadamente para os filhos. Fazer as malas e simplesmente sair para ver o que acontece é nocivo para o bem-estar da criança. Tal medida só deveria ser tomada em casos de violência e abuso, quando há risco para o cônjuge e filhos.

Assim como usualmente namoramos antes de casar, a separação deveria também ser um processo que exige tempo e planejamento. Quanto mais maturidade tiver o casal para lidar com sua separação, menor será o impacto na vida dos filhos. O problema é que muitos casais são impulsivos, violentos, egoístas e mesquinhos. São incapazes de colocar o bem-estar dos seus filhos acima de diferenças pessoais e de seus desejos. Pensam em si e dane-se o resto. É sofrimento certo para filhos de qualquer idade. Pior: acabam usando-os como forma de atacar o ex-cônjuge. Talvez o ápice dessa agressão para a criança seja a alienação parental, onde um dos pais não permite a convivência com o outro. Para isso se utilizam de difamações, fugas, estratégias judiciais ou jogo de esconde-esconde. O dano aqui é máximo.
Dificilmente alguém casa para se separar. Mas casamentos, assim como qualquer sociedade, podem se desfazer. Se isso acontecer com você, seja adulto. Use preferencialmente a cabeça ao invés do coração. Principalmente se tiver filhos. Aí o que for melhor para eles deve prevalecer.