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LISSI BENDER

31 de outubro, Dia da Reforma

Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, permaneçam firmes e não se tornem escravos novamente.

Gálatas 5:1

Religião evangélica de Confissão Luterana e o pensamento de Martin Luther vieram à nossa região na bagagem de considerável parte de imigrantes alemães. Naquela época, a religião católica era a única reconhecida pelo Brasil. Mais tarde, D. Pedro II permitiu aos imigrantes a construção de igrejas, mas sem torres. No entanto, para os imigrantes luteranos, bem como para os católicos, o soar dos sinos era partícipe do fluxo da vida diária. Isto fez com que luteranos e católicos se unissem para a aquisição do sino da igreja católica. Somente em 1891 a República Federativa do Brasil possibilitou, constitucionalmente, aos imigrantes luteranos o exercício pleno da fé cristã.

Em 1867, já existiam três igrejas católicas e quatro evangélicas na Colônia Santa Cruz. A de Rio Pardinho é considerada a primeira igreja luterana, erguida em 1865. Antes dela, em 1858, foi erguida a primeira capela em Alto Linha Santa Cruz, no Geiβenberg. Lá também foi fundada em 1855 a primeira escola evangélica pelos imigrantes.

Martin Luther (1483-1546), o fundador da igreja evangélica, fora um monge católico, inconformado com os rumos da Igreja Romana naquele tempo. Doutor e professor em Teologia, era também pregador da igreja de Wittenberg. Luther não pretendia fundar uma nova Igreja. Publicou 95 teses com a intenção de promover o debate em torno dos desmandos e da opressão exercida pela Igreja Romana. Queria reformá-la. Luther era dedicado leitor da Bíblia. O que resultou numa reinterpretação dos Evangelhos e, consequentemente, num novo paradigma cristão. O seja, na inexistência de intermediação na relação entre Deus e os homens. Um paradigma alicerçado na Sagrada Escritura, em Jesus Cristo e na graça Divina – misericórdia e fé.

Luther não pretendia se indispor com o Papa Leão X. Mesmo depois de ser excomungado, ele não renegou as teses. Durante a fuga dele dos perseguidores da Inquisição, teve ajuda de grande parte da população e do príncipe de Sachsen que o escondeu no castelo de Wartburg, onde Luther traduziu o Novo Testamento para o alemão. Martin Luther era defensor da leitura da bíblia. Ela deveria ser acessível a todos e não apenas ao clero. A tradução para o alemão deveria facilitar o acesso à Sagrada Escritura.

Mais, ele defendia escola para todos. Luther entendia que o dinheiro investido em educação era melhor aplicado do que o dinheiro gasto em armas, e proporcionaria muito mais benefícios para todos. De modo que, os esforços por uma escola para todos se devem aos reformadores luteranos. Entre eles se encontra a figura de Philipp Melanchthon. Junto com Luther, se empenhou para que tanto meninos quanto meninas de todas as camadas populacionais tivessem acesso ao aprendizado da leitura e da escrita. Melanchton é conhecido até hoje como “Lehrer Deutschlands” – professor da Alemanha.

Assim, o fundador da Igreja Luterana, junto com reformadores luteranos, foi também o desencadeador da concepção de um sistema de ensino público que serviu de modelo para o mundo ocidental. Os ideais renovadores da Igreja e o valor da educação acompanharam imigrantes alemães à nova Heimat. Sem esperar pelo Estado, fundaram escolas – espaços para o aprendizado do exercício da liberdade e da vida. Criaram escolas comunitariamente e estas se multiplicaram – contribuíram muito para o desenvolvimento de nosso lugar de viver.

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