Rádios ao vivo

Leia a Gazeta Digital

Publicidade

GISELE SEVERO

Algumas feridas só cicatrizam quando decidimos perdoar

Foto: Freepik.com

Durante muito tempo acreditamos que o tempo, por si só, é capaz de curar tudo. Repetimos essa ideia como um consolo silencioso diante das dores que a vida inevitavelmente nos apresenta. Mas a verdade é que o tempo apenas passa. Quem realmente decide o que acontece com as nossas feridas somos nós.

Existem dores que permanecem abertas não porque sejam grandes demais, mas porque continuamos, de alguma forma, segurando aquilo que nos feriu.

Perdoar é uma das experiências emocionais mais complexas que um ser humano pode viver. Muitas pessoas resistem à ideia do perdão porque acreditam que perdoar significa esquecer, minimizar ou justificar o que aconteceu. Como se o perdão fosse uma espécie de absolvição concedida a quem nos causou dor.

Publicidade

Mas o perdão verdadeiro não tem relação com inocentar o outro. Ele tem relação com libertar a si mesmo.

LEIA TAMBÉM: Onde o tempo vira colo: a força dos avós na formação de uma vida

Quando não conseguimos perdoar, mantemos uma ligação invisível com a história que nos feriu. Voltamos mentalmente ao episódio, revivemos palavras, imaginamos respostas que nunca demos, elaboramos diálogos que jamais acontecerão. A pessoa que nos feriu pode até ter seguido sua vida, mas continua ocupando um espaço dentro de nós.

Publicidade

E esse espaço, muitas vezes, é silencioso. Ele se manifesta em pequenas desconfianças, em relações que não conseguem florescer plenamente, em uma cautela excessiva diante das pessoas. Aos poucos, a dor antiga passa a influenciar decisões presentes.

Perdoar não muda o passado. Nada pode fazer isso. O que aconteceu continuará fazendo parte da nossa história. Mas o perdão muda profundamente a forma como essa história continua vivendo dentro de nós.

Há algo importante que raramente é dito: nem sempre haverá um pedido de desculpas. Algumas pessoas jamais reconhecerão o que fizeram. Outras talvez nem tenham consciência da dimensão do impacto que causaram.

Publicidade

LEIA TAMBÉM: Por que o ano só começa depois do Carnaval?

Esperar por esse reconhecimento pode nos manter presos por muito tempo.

Por isso, em muitos casos, o perdão não depende do outro. Ele depende da nossa escolha de não permitir que aquela ferida continue ocupando tanto espaço em nossa vida emocional.

Publicidade

Perdoar também não significa retomar relações que nos fizeram mal. Às vezes, perdoar inclui compreender que certas pessoas não sabem amar, respeitar ou cuidar da forma que precisaríamos. E aceitar isso pode ser uma forma profunda de maturidade emocional.

Existe uma diferença fundamental entre perdoar e permitir que o mesmo sofrimento se repita.

Perdoar é libertar-se.

Publicidade

Permitir é permanecer vulnerável à mesma dor.

LEIA TAMBÉM: Entre rótulos e julgamentos: o adoecimento ao comparar gerações

Algumas histórias não terão o desfecho que gostaríamos. Algumas relações terminam sem explicações satisfatórias. Algumas mágoas ficam sem reparação.

Ainda assim, a vida continua pedindo movimento.

Talvez por isso o perdão seja menos um gesto dirigido ao outro e mais um gesto silencioso de amor próprio. Uma decisão íntima de não continuar carregando um peso que já não nos serve.

Porque algumas feridas não cicatrizam apenas com o passar dos anos.

Algumas só começam a cicatrizar no momento em que decidimos, finalmente, soltar e perdoar.

LEIA MAIS TEXTOS DE GISELE SEVERO

QUER RECEBER NOTÍCIAS DE SANTA CRUZ DO SUL E REGIÃO NO SEU CELULAR? ENTRE NO NOSSO NOVO CANAL DO WHATSAPP CLICANDO AQUI 📲. AINDA NÃO É ASSINANTE GAZETA? CLIQUE AQUI E FAÇA AGORA!

Aviso de cookies

Nós utilizamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar sua experiência em nossos serviços, personalizar publicidade e recomendar conteúdos de seu interesse. Para saber mais, consulte a nossa Política de Privacidade.