Não há nenhum dia no calendário que não sugira alguma comemoração. Existe dia para todos os gostos, mas alguns eventos são preponderantes, ocupam o pico das celebrações, entre as quais o Natal e a Páscoa. Como estamos em plena Semana Santa, optei por refletir sobre esse momento significativo, que culmina no festivo e sobretudo luminoso evento da Ressurreição.
Hoje, pulverizamos praticamente tudo. Não mais reservamos tempo para usufruir calmamente, suavemente, de forma recolhida qualquer acontecimento da vida social ou mesmo pessoal. Liquidamos apressadamente o evento, porque logo adiante um outro nos espreita e demanda nossa total atenção. Ignoramos, muitas vezes, o sentido profundo de uma efeméride, jogando-a na categoria do efêmero, do urgente transitório.
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Sexta-feira Santa sempre se constituía tempo de silêncio, de apelo à introspecção. Cessavam os ruídos, tudo que perturbasse o clima de recolhimento. Hoje, para muitos, é apenas mais um feriado e, se falta data para um agito, até Carnaval fora de época corre o risco de acontecer. No ritmo acelerado da vida moderna, no estabelecimento de novas escalas de valores, esse tempo de reflexão e paz parece não ter mais retorno. E somos de tal forma envolvidos nesse turbilhão, que nos tornamos incapazes de voltar atrás.
A Páscoa, sucedendo a uma sequência de episódios graves, restaura a leveza da vida, o recomeço da caminhada, a vitória sobre o sofrimento, a angústia, a morte. Sua celebração se reveste de luz, do alegre repicar dos sinos, da felicidade da reconciliação. As trevas ficam para trás, porque uma nova luz anuncia horizonte, nova vida, nova paz. Só corações tomados de ódio, de ganância, de falta de compaixão se fecham a esse apelo tão urgente que tantas pessoas fazem, ainda que as mentes endurecidas pelo mal sejam incapazes de ouvir e compreender.
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Páscoa é tempo de reencontro, de famílias reunidas, de troca de abraços. É tempo de alegrias infantis na inocente procura dos ninhos que um coelho misterioso depositou na verdura dos jardins. Os ninhos trazem muito mais do que algumas guloseimas, trazem o afeto, o carinho, o amor de quem deseja o maior bem aos seus filhos, aos seus afilhados, aos seus amigos. A procura do ninho se aloja de tal forma no coração, que ali permanece para sempre.
Nos meus avançados anos, ainda recordo com suave lembrança essa Páscoa material que se produzia nas próprias casas. Pequenas embalagens de papelão se transformavam em dignos receptáculos do que a família conseguia depositar. Os cestos eram transformados em vistosos objetos estéticos com papel crepom de variadas cores, franjado e colado com grude de farinha. Acrescentava-se uma alça e enviava-se cheio de esperança ao coelho mágico, que não falhava nunca.
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Ovos de galinha passavam por delicados processos de pintura. Picava-se o papel crepom, embebia-se em vinagre, colava-se no ovo, tendo debaixo folhas de cinamomo, de salsa, ou o que pudesse criar um incomparável efeito visual. Quando possível, a casca recebia ainda uma camada de verniz. E dentro, aquele inesquecível amendoim açucarado, o amado cricri. Com o elevado preço do chocolate, talvez em breve retornaremos a essas práticas artesanais, sempre feitas com tanto carinho. Desejo a todos os leitores uma Páscoa muito generosa, marcada sobretudo pela luz que conduz à paz.
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