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FALANDO EM DINHEIRO

Francisco Teloeken: “O superendividamento dos brasileiros”

Foto: Agência Brasil

Em março de 2026, o percentual de famílias brasileiras com dívidas atingiu o recorde de 80,4%, conforme levantamento produzido pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) e divulgado no dia 7 de abril. Dessas famílias, 29,6% estão inadimplentes, quer dizer, com dívidas em atraso, em média de 65 dias Já o percentual de consumidores com metade dos rendimentos ou mais em dívidas chegou a 19,2%. Dos inadimplentes, 12,3% não têm condições de realizar qualquer pagamento de suas dívidas.

O aumento do endividamento ocorreu em todas as faixas de renda, destacando-se para as pessoas com ganhos acima de cinco salários mínimos. Nas famílias com rendimentos acima de 10 salários mínimos houve redução nos indicadores de inadimplência.

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O Brasil fechou o ano de 2025 com desemprego no menor nível e maior renda média da história, com o índice da inflação dentro da meta. Mesmo com mais gente recebendo salário e o aumento da renda média, o endividamento cresceu e segue elevado. O resultado disso é que o consumo não consegue acompanhar o mesmo ritmo, por causa desse alto endividamento.

Apesar de um leve recuo em relação a 2024, as dívidas no cartão de crédito, em 2025, continuam, com ampla vantagem, no topo da lista das que mais concentram inadimplência no Brasil, com 85,5%. Seguem as dívidas com carnês de lojas (16,0%), crédito pessoal (12,3%), financiamento de casa (9,8%) e financiamento de carro (8,9%). O avanço da inadimplência ocorre em um ambiente de crédito mais caro. O rotativo do cartão, o parcelamento e os empréstimos passaram a pesar mais no orçamento, dificultando a reorganização das finanças de quem já estava com contas em atraso.

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O endividamento das famílias brasileiras acendeu o sinal amarelo no governo federal. Em ano eleitoral, o impacto negativo da alta do endividamento das famílias tem prejudicado a popularidade do governo. O diagnóstico é de que o elevado comprometimento do orçamento doméstico com o pagamento de dívidas tem feito com que as famílias acabem o mês sem dinheiro e ainda com dívidas, situação que aumenta o mal-estar com o governo, neutralizando vários pontos positivos, como redução do desemprego, maior renda, inflação controlada, além da isenção de IR para quem recebe até R$ 5 mil e redução de quem ganha até R$ 7.500,00.

O plano em preparação pelo governo federal, com foco na redução do endividamento das famílias, prevê a concessão de garantia da União para negociação de débitos. Está sendo avaliada a possibilidade de liberação de recursos do FGTS a trabalhadores que queiram usar o dinheiro para abater dívidas, o que especialistas questionam. Seria como enxugar gelo. Se, de um lado, o trabalhador usar esse dinheiro para liquidar ou só amortizar dívidas, e, também, fazer novas compras a prazo, o que iniciaria novo ciclo de endividamento; de outro, fica com menor reserva financeira, em caso de demissão ou aposentadoria.

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O governo está preocupado, também, com as bets, consideradas fonte do aumento do endividamento pessoal e familiar, e deverá criar restrições para apostas, principalmente para pessoas que aderirem ao programa de negociação de dívidas. Parece que o endividamento das famílias brasileiras, além de ser um problema social relevante, virou risco eleitoral.

Sem dúvida, os altos juros que tornam difícil resolver o endividamento e até o retroalimentam, e o custo de vida elevado, certamente concorrem para as dificuldades financeiras das pessoas e famílias, restringindo a disponibilidade de recursos para o pagamento em dia das dívidas. Mas, também, há problemas na gestão das finanças pessoais e familiares.

Com eventuais exceções, como algum acidente, quebra do carro, queima de eletrodoméstico ou acometimento de doença que demandam recursos que muitas vezes não se tem, em geral a inadimplência das pessoas não acontece de forma repentina. Ela é formada ao longo do tempo, por decisões financeiras tomadas sem planejamento. O uso recorrente de empréstimos de alto custo, como cartão de crédito, cheque especial e parcelamentos longos, aliado à ausência de controle orçamentário, comprometem grande parte da renda mensal com o pagamento de juros.

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A inadimplência elevada da maioria da população brasileira é um sinal claro de que precisa haver uma mudança na forma de lidar com o dinheiro. Não basta conseguir mais crédito ou aproveitar programas de liquidação de dívidas, como o Desenrola Dividas de julho de 2023, promovido pelo governo federal, sem haver uma mudança de comportamento. O aumento de quase 10 milhões de endividados, desde 2023, comprova isso.

Como diz Reinaldo Domingos, PhD em Educação Financeira e criador da DSOP Educação Financeira, “Quando planejar, priorizar e alinhar seus gastos aos seus objetivos de vida, a pessoa não apenas reduz dívidas, ela transforma sua relação com o futuro”. Essa transformação começa pela educação financeira que é uma ciência humana, fundamentada no comportamento e não apenas na utilização de técnicas, como pesquisar preços, fazer cálculos, elaborar um orçamento e usar planilhas ou apps.

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É possível sair da inadimplência, mas exige método, disciplina e consciência financeira. Reinaldo propõe quatro passos aos endividados:

1) Diagnóstico: levantar os ganhos, os gastos, a forma como lida com a situação para estar ciente do que está assumindo: o pior acordo é aquele que não se consegue cumprir.
2) Dívidas vencidas e a vencer: relacionar os credores, os valores devidos, prazos etc.
3) Envolvimento da família: independente de ser provedor ou não, todos os integrantes da família consomem e, portanto, gastam; então, não é o caso de falar em cortar gastos de forma radical, e, sim, negociar a redução, substituição ou eliminação de itens, visando a realização de sonhos; um dos sonhos, por exemplo, pode ser a eliminação de dívidas.
4) Orçamento financeiro: abandonar a velha fórmula do ganhos (-) gastos (=) sobra ou falta pela inovadora fórmula da DSOP Educação Financeira: Ganhos (-) aposentadoria (-) Sonhos (-) prestações (-) reserva estratégica (=) gastos. O valor dos gastos é com o que a pessoa ou família podem dispor por mês, representando seu real padrão de vida.

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