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NAS TELONAS

“Maldição da Múmia”: reimaginação mostra por que segredos deveriam permanecer sepultados

Após oito anos desaparecida, Katie é encontrada viva, com sequelas, dentro de um sarcófago egípcio de 3 mil anos

Em cartaz nos cinemas de Santa Cruz do Sul, Maldição da Múmia aposta na simplicidade e no horror físico para reinventar um dos monstros clássicos do cinema. A trama acompanha Charlie Cannon (Jack Reynor), um jornalista americano em ascensão que se mudou para o Cairo, no Egito, e atua como correspondente internacional. Junto com o repórter de televisão estão a esposa, Larissa (Laia Costa), uma enfermeira que está grávida, e os filhos Seb (Shylo Molina) e Katie (Emily Mitchell).

Um dia, Katie é sequestrada no quintal de casa por uma mulher misteriosa. Passados oito anos, a família ainda não se recuperou do trauma. O antigo quarto de Katie está intacto, alimentando a esperança de que um dia retornará. Charlie agora trabalha em Albuquerque, Novo México, onde vive na casa da sogra com Larissa, Seb e a nova filha, Maud, que está com 8 anos.

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Tudo muda quando o jornalista recebe uma ligação informando que Katie foi encontrada viva. A garota, no entanto, não é mais a mesma: ela passou oito anos trancada em um sarcófago de 3 mil anos, resultando em diversas sequelas físicas e psicológicas. Ela é levada para a casa da família para se recuperar. Larissa se dedica a cuidar da filha, enquanto Charlie quer saber como ela foi parar em um sarcófago e quem foram os responsáveis.

À medida que a verdade é revelada, Katie começa a se comportar de maneira estranha, afetando todos a seu redor. E Charlie descobre da pior maneira que talvez a filha jamais deveria ter sido tirada da urna egípcia, colocando toda a família em perigo.

O maior trunfo de Maldição da Múmia está no roteirista e diretor Lee Cronin. Responsável por The Hole in the Ground (sem tradução no Brasil) e A Morte do Demônio: A Ascensão, o cineasta tem a oportunidade de explorar toda a sua criatividade e talento, criando uma história que, apesar de clichê e óbvia, tem um toque de originalidade.

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Lá se vão quase cem anos desde que Boris Karloff viveu Imhotep em A Múmia, de 1932. Desde então, a criatura deu as caras em dezenas de produções, incluindo a de 1999, com Brendan Fraser, que se afastou do terror e se tornou uma aventura para todas as idades. Até Tom Cruise, o terror dos dublês, criou a sua versão, que fracassou ao soar como uma cópia da franquia Missão: Impossível.

Cronin opta por ignorar essas produções e trazer o monstro de volta para o horror. E faz isso com maestria. Com 133 minutos de duração, ele dedica tempo para desenvolver de forma satisfatória os personagens e as tramas secundárias, desde os traumas familiares desencadeados pelo sequestro, o sentimento de culpa até o mistério envolvendo o desaparecimento.

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Tal escolha faz com que o espectador crie empatia pela família e pelas pessoas no seu entorno, elevando a tensão quando o horror começa. E Cronin, que já havia proporcionado cenas chocantes nos filmes anteriores (a mais infame envolvendo um ralador de queijo), entrega momentos impactantes para o público se contorcer na cadeira.

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Ao apostar em uma história simples, mas bem desenvolvida, Cronin entrega um terror eficiente e divertido, diferenciando-se de obras mais recentes, especialmente as ambiciosas e insossas do “pós-horror”. Um filme para assistir e gritar no cinema.

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Amaldiçoado

A tradução brasileira de Lee Cronin’s The Mummy é propícia para a maldição que o filme enfrentou antes do seu lançamento. O longa-metragem foi alvo de uma série de rumores maliciosos que se espalharam pela internet.

Publicações davam conta de que as exibições-testes haviam sido desastrosas, indicando que o filme era muito ruim. Também reverberou a história de que o produtor James Wan (responsável pela franquia Invocação do Mal) teria abandonado a sessão do filme diante de um possível fracasso. Outro boato apontava a possibilidade de o longa receber um novo título para evitar ser comparado com a franquia A Múmia.

Veículos de todo o mundo, incluindo os do Brasil, noticiaram os rumores sem nenhum tipo de verificação dos fatos, apenas espalhando as mentiras e prejudicando a percepção do público quanto ao filme. “Foi uma época realmente muito irritante, em que se falava um monte de besteira falsa sobre esse filme, que não tinha fundamento nenhum”, disse Cronin à IndieWire, que publicou uma matéria desmentindo todos os boatos.

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Ainda é cedo para saber o impacto dessa campanha difamatória contra o filme, mas espero que não prejudique sua passagem pelos cinemas. Maldição da Múmia não é uma obra visionária. O longa não é perfeito e tem falhas, especialmente no roteiro, com situações e decisões que irritam. Mas nada disso tira o seu brilho. Ao equilibrar drama com horror sobrenatural, Lee Cronin entrega entretenimento puro aos entusiastas do horror.

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