Tenho medo de que Ancelotti faça uma bobagem. E não vou falar da inexperiência dele em seleções. Ou que, por ser europeu, vem de outro mundo, outra lógica. É vero: ele pouco entende da nossa cultura, nosso jeito de ser, nossa ambiguidade e nossa resiliência. Tampouco vou me ater ao fato de ele ter nascido em junho, sob o signo de Gêmeos, o mais criativo, e por vezes destrambelhado, signo do zodíaco.
Deixemos esses detalhes pra lá.
O que me preocupa é a possibilidade – por ora em 100% – de que nosso técnico não convoque Baco como titular. E não convoque por puro preconceito.
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Sei, sei… você nunca ouviu falar de um artista do gramado chamado Baco? Acontece. Então, deixe-me explicar: Baco, embora desconhecido do grande público, é um exímio jogador de futebol. Chegou aqui em casa há alguns meses, doado por ex-vizinhos. É jovem, muito peludo e enorme. Um enorme gato persa cinza azulado com olhos cor de cobre, uma barriguinha proeminente, pedigree e registro.
Um tanto inquieto para a espécie, o rapaz dorme pouco – só umas 18 horas por dia. Nos vários intervalos, faz buracos no gramado, observa pássaros, come além da conta… e joga futebol. Busca a bolinha na saída para o pátio, cruza a cozinha com velocidade e para diante da defesa formada pelas pernas das cadeiras e da mesa de jantar. Dribla um, dois, três e se infiltra na área da sala para marcar. Goooool. Gênio!
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Baco também pensa no time. Com frequência, dá um passe certeiro nos pés do cachorro que, infelizmente, não entende nada e acaba com a partida latindo agoniado: “Não vem que não tem. Já disse que não quero ninguém no meu tapete”.
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Não bastasse essa demonstração de talento com a bola na pata, Baco – Bakunin para os íntimos – dá um show quando tem futebol na TV. Sobe no rack e se põe a disputar a pelota. Sempre com a direita, desfere golpes certeiros na tela. Certamente, com o objetivo estratégico de ensinar alguma coisa para os 22 patetas. Se a bola sai do campo, e da imagem, Bakunin não se dá por vencido e vai atrás do aparelho procurar a fujona.
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Na próxima segunda-feira, 11, quando faltar um mês para se iniciar a Copa do Mundo 2026, sai a pré-lista de até 55 jogadores passíveis de representar o Brasil. Uma semana depois, no dia 18, ocorre a convocação oficial. E até o dia 30, será anunciada a nominata final com 26 craques.
Acho que Baco não vai estar nela. Uma pena. Teríamos o primeiro campeonato com um gato-atleta. Vamos perder a chance de dar a todos um exemplo da mais perfeita integração entre humanos e a turma peluda. E o pior. Corremos o risco de não ganhar. De novo.
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