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ALEXANDRE GARCIA

Retrato dos fracos

Saiu na Piauí e depois em jornais e revistas a foto que estava no celular do senador Weverton Rocha, apreendido em operação de busca e apreensão autorizada pelo Supremo. Mostra, numa piscina ou banheira, o então ministro do governo Lula, Juscelino Filho, os deputados Elmar Nascimento e Alexandre Ramagem, e os senadores Efraim Filho, Weverton Rocha e Ângelo Coronel. No meio deles, dentro d’água, o advogado Willer Tomaz, dono da casa. Em pé, fora d’água, o então presidente da Câmara, deputado Artur Lira, e o deputado Paulo Azi. Políticos do PSDB, União, PL, PP e Republicanos. Publicou-se que foi no Rancho Tomaz, em Planaltina, DF, a confraternização, com a foto de 23 de abril de 2023.

Nenhum crime é sugerido pela foto, mas algo é revelado pela reação à divulgação da imagem. Ramagem, que segurava uma garrafa, postou uma longa explicação sobre o caráter familiar da reunião. O senador Weverton ficou indignado com o “vazamento” e a divulgação, como se estivesse admitindo que haveria algo a esconder, ou estivesse envergonhado pela exposição. De fato, dentro do que parece ser uma banheira de hidromassagem, eram rostos deslumbrados, na água iluminada por luz azul, nove homens dentro d’água e dois sentados na borda, numa cena de marmanjos com sorriso pueril estampado nos rostos. Todos batizados pela mesma água.

Faz lembrar a cena da Farra dos Guardanapos, em Paris, em 2009, com o governador do Rio Sérgio Cabral dando uma festa de 1,5 milhão, com seus secretários, mais empresários, e Eduardo Paes. Lembra também a degustação do uísque Macallan, em Londres, em abril de 2024, que custou a Vorcaro o dobro da farra de Sérgio Cabral. Lá estavam os ministros Moraes e Toffoli, o procurador-geral Gonet, o ministro do STJ Benedito Gonçalves, o ministro da Justiça Lewandowski, o diretor da Polícia Federal Andrei Rodrigues, o deputado Hugo Motta. Não é preciso mencionar outros festins de Vorcaro.

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Festas assim chamam atenção porque parecem deboche à maciça maioria dos brasileiros, que pagam impostos para sustentar os agentes do estado e os elegem. Por coincidência, três meses antes de Moraes estar na degustação do Macallan, sua mulher e seus filhos haviam assinado contrato de 129 milhões – um valor inusitado – com o Banco Master. Um caso típico das lições não aprendidas do episódio histórico “mulher de César”. Tampouco custa lembrar que o senador Weverton tomava emprestado jatinho do advogado Tomaz, o dono da banheira, para transportes entre Brasília e o Maranhão. O senador e o advogado estão investigados na Sem Desconto, que trata da subtração total de 6 bilhões dos idosos da Previdência.

Pessoas públicas, agentes do estado, servidores do público, precisam ter um mínimo de postura, de modos, de conduta, porque são exemplo, pois estão no topo, expostas. Como em cenas passadas, a banheira de recreio é bem o retrato da sedução, do fetiche, que o poder exerce sobre fracos de espírito.

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