Rádios ao vivo

Leia a Gazeta Digital

Publicidade

BENNO BERNARDO KIST

Ao sabor do tempo (e do vento)

A época outonal que estamos vivendo presta-se bem a nos adequar mais ao que já devíamos ter nos acostumado, mas teimamos em não nos conformar com o tempo e mantemos propensão a expressar contrariedades e preferências, embora também sejam naturais e, assim, compreensíveis. Há quem goste de frio e deteste o calor, enquanto outro ache justamente o contrário, e assim em relação à chuva e outras manifestações da natureza.

Diante dessa realidade, da qual não se pode fugir e não adianta reclamar, a postura pessoal tem sido a de aceitar o que não se consegue mudar e se adaptar ao que a natureza nos oferece. Parece ser a melhor forma de encarar as situações climáticas que se apresentam a cada dia, ainda mais em nossa realidade geográfica, onde é comum vivenciar características das quatro estações do ano em um só dia.

LEIA MAIS: Vivendo encantos rurais

Publicidade

É evidente que há casos em que não se pode descurar e menosprezar, como os sempre possíveis fatos extremos que temos experimentado cada vez mais no plano climático, onde se requer sempre a devida atenção e prevenção, desde o nosso espaço de moradia até por onde andamos. E, mesmo nesse sentido, nem sempre conseguimos nos resguardar totalmente, como se tem visto.

Lembro, a respeito, o que pesquisei na tão atingida comunidade de Sinimbu na última grande enchente de 2024, onde também o belo templo católico local, em estilo gótico, teve seu interior invadido em altura considerável. Construído ainda antes da nossa majestosa Catedral gótica (entre 1926 e 1932, enquanto o templo diocesano foi erguido entre 1928 e 1939), houve preocupação da comissão construtora em verificar até onde havia chegado a água em cheias anteriores (como a de 1919), para ficar em nível mais alto, e ainda assim, desta vez, não respeitou tal limite.

LEIA TAMBÉM: O perdão na calçada

Publicidade

A referência serve para irmos sempre bem além e redobrarmos nossos cuidados preventivos diante dos riscos e perigos que potencialmente se apresentam. E aqui vale lembrar que estamos, mais uma vez, às portas de novo fenômeno El Niño, sobre o qual especialistas já advertem sobre possíveis chuvas muito fortes nos próximos meses (em particular no segundo semestre).

Porém, de modo geral, diante das mudanças de temperaturas, dos ventos e do sol ou da chuva do dia a dia, afora as indispensáveis e naturais precauções e proteções para não atrair gripes e outros efeitos na saúde, é forçoso admitir que nos resta apenas aceitação e adaptação, sem maiores queixas. É assim, aliás, que se requer nos demais percalços que nos traz a vida diuturna, ainda mais no avanço da idade (ou tempo).

LEIA MAIS: O saber (e querer) desconectar

Publicidade

Muitos pensadores ilustres abordaram o tema, como o alemão Hermann Hesse, lembrando que os mais velhos “prestam-se mais ao bom humor, ao riso, à irreverência e à percepção das coisas como a efêmera dança das nuvens ao entardecer”. O velho romano Cícero já ensinava que “todo aquele que sabe tirar de si próprio o essencial não poderá julgar ruins as necessidades da natureza”.

O italiano Domenico de Masi, já em fase mais recente, citava mudanças climáticas históricas (as glaciações), onde, entre os que sucumbiram, resistiram ou emigraram, muitos tiveram a capacidade de se adaptar. Esse parece ser o verbo-chave, ao lado de se prevenir. Precisamos, pois, estar cientes de que ficamos todo dia ao sabor do tempo (e do vento, como dizia nosso grande escritor Érico Veríssimo) e com ele necessitamos conviver. E, claro, sempre preparados para os inseparáveis imprevistos.

LEIA MAIS TEXTOS DE BENNO BERNARDO KIST

Publicidade

QUER RECEBER NOTÍCIAS DE SANTA CRUZ DO SUL E REGIÃO NO SEU CELULAR? ENTRE NO NOSSO NOVO CANAL DO WHATSAPP CLICANDO AQUI 📲. AINDA NÃO É ASSINANTE GAZETA? CLIQUE AQUI E FAÇA AGORA!

Aviso de cookies

Nós utilizamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar sua experiência em nossos serviços, personalizar publicidade e recomendar conteúdos de seu interesse. Para saber mais, consulte a nossa Política de Privacidade.