O hábito de caminhar, que me oferece tanta inspiração e alegria, mais uma vez trouxe uma motivação especial para escrever, diante de um fato inusitado que ocorreu há poucos dias, numa das manhãs da Semana Santa (talvez até por isso), quando já chegava próximo ao local de trabalho.
Uma pessoa conhecida caminhava na calçada do outro lado da rua e me chamou, acenando e dizendo que precisava falar comigo. Fui ao seu encontro e, em meio a um caloroso abraço, ela me disse que necessitava muito (“não podia morrer sem isso”) receber o meu perdão por algo que, já há muito tempo, em época de política onde ambos então atuávamos, teria me falado por impulso e do que depois se arrependeu muito.
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Afirmei-lhe que já nem me lembrava do que pudesse ter dito e que não precisava se preocupar, porque não era de guardar mágoas e, assim, de fato, já a havia perdoado. Mas ela considerava fundamental receber pessoalmente esse perdão, para completar o arrependimento e tirar o peso que persistia em sua consciência e em sua alma. Um novo abraço na sequência selou o que ela tanto desejava.
O momento foi de imenso alívio e contentamento para ela, e de uma enorme emoção para mim. Serviu, assim, para reafirmar um entendimento que já trago comigo, de quão importante é buscar sempre se ter a consciência limpa de não fazer o mal a ninguém e não alimentar ódios e ressentimentos, que a nada levam, a não ser acirrar ainda mais o mal de que o mundo já está cheio.
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Apesar dos ensinamentos dos mestres espirituais, como Cristo, o filho de Deus que veio ao mundo, mas foi crucificado pelos homens, como revivemos na Semana Santa, o mal continua a prosperar, numa humanidade que não aprende nunca a conviver harmoniosamente.
Entre esses ensinamentos, o perdão é certamente um dos mais poderosos. Diante da tendência que temos em pecar e desviar dos bons caminhos, ao mostrarmos disposição e humildade de reconhecer nossos erros, de nos arrepender e pedir misericórdia e reconciliação, o gesto assume um valor extraordinário, realmente divino. Recebemos o dom e a graça generosa do ser superior, que nos tornam mais leves e felizes em nossa caminhada da vida.
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Por tudo isso, vivo a expectativa de alguém que não perde a esperança e, dessa forma, espera que o tempo de conversão, evocada neste período, possa ter contribuído para melhorar os sentimentos humanos, de nós seres terrenos e fracos que precisamos a cada dia tentar melhorar o nosso jeito de ser. Pessoalmente, tento agir nesse sentido e, embora sinta que ocorre evolução e amadurecimento nesse caminho nada fácil, sempre há necessidade de melhorar e aperfeiçoar.
O pensamento também se volta à inspiração de mais gestos pessoais nesse sentido em nosso meio coletivo, que tanto requer essa mudança. Estamos inclusive diante de mais um ano político, em que justamente tendem a proliferar tendências de polarização e embates mais impulsivos do que reflexivos. Seria um bom momento de se exercitar na melhora em nossas atitudes e posicionamentos, para que a boa política, a de fazer o bem comum a partir da prática do verdadeiro bem, possa prevalecer.
É ainda um sonho, uma utopia. Mas não podemos viver sem eles, assim como é difícil poder viver bem sem perdoar, por onde, na verdade, tudo pode começar.
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