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ESTELIONATO

Perfis falsos e ameaças: entenda como funcionavam golpes aplicados de dentro do Presídio de Santa Cruz

Grupo aplicava golpes de dentro do Presídio Regional | Foto: Polícia Penal/Divulgação

Uma operação integrada entre a Polícia Civil de São Paulo, Polícia Civil do Rio Grande do Sul e Polícia Penal resultou, na manhã dessa quinta-feira, 21, no cumprimento de 13 mandados de prisão e sete de busca e apreensão contra um grupo investigado por aplicar golpes virtuais em diversos Estados do País – e até no exterior – a partir do Presídio Regional de Santa Cruz do Sul.

Batizada de Operação Phantom, a ofensiva teve como foco uma organização criminosa investigada por crimes de extorsão, estelionato, organização criminosa e possível lavagem de dinheiro. Ao longo da ação, foram apreendidos 18 aparelhos celulares dentro da casa prisional.

Do total de prisões, 11 ocorreram dentro do presídio e duas nas ruas de Santa Cruz do Sul. Uma mulher foi localizada no Bairro Aliança, e um homem no Bairro Dona Carlota. Ela integraria a organização a partir do relacionamento com o marido, que está preso. Já no caso do homem, a ligação seria com o pai, que também é detento. Ainda foram cumpridos seis mandados de busca em Santa Cruz e um em Novo Hamburgo.

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A investigação foi conduzida pela Polícia Civil de São Paulo, a partir da cidade de Carapicuíba, após vítimas relatarem tentativas de golpes em que criminosos usavam nomes e imagens de delegados, promotores e juízes para intimidar pessoas e exigir transferências bancárias.

Segundo o delegado paulista Adair Marques Correa, a investigação começou há cerca de dois meses, após criminosos utilizarem indevidamente a identidade do delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo em contatos feitos com vítimas.

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“Quando identificamos que os autores poderiam estar no Rio Grande do Sul, imediatamente buscamos apoio da Polícia Civil gaúcha. Sem essa integração, nós não chegaríamos aos responsáveis”, afirmou.

Para delegados, união de esforços entre forças de segurança de São Paulo e Rio Grande do Sul foi destaque na operação | Foto: Luana Backes

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Conforme o delegado, os criminosos criavam perfis falsos em aplicativos de relacionamento – em sua maioria homens, incluindo abordagens direcionadas ao público LGBTQIA+ – e atraíam vítimas para aplicativos de mensagens. Depois, utilizavam outros números de telefone para se passar por autoridades policiais e judiciais, alegando que a vítima teria mantido contato com um adolescente e até mesmo pessoa com deficiência.

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A partir daí, iniciavam as exigências de dinheiro sob ameaças de prisão, exposição pública e divulgação de imagens íntimas. Em alguns casos gerais, conforme a investigação, vítimas chegam a perder entre R$ 70 mil e R$ 80 mil.

“Eles levavam as vítimas ao medo extremo. Diziam que a família iria registrar ocorrência, depois alegavam necessidade de tratamento psicológico, despesas funerárias após o suicídio da ‘vítima’, e assim seguiam exigindo pagamentos até o limite financeiro da pessoa”, detalhou Correa.

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A investigação aponta que o grupo usava números telefônicos com DDDs correspondentes ao Estado da vítima para aumentar a credibilidade do golpe. Quando o alvo era do Rio Grande do Sul, utilizavam números gaúchos; em São Paulo, números paulistas; e assim sucessivamente. Também há registro de ao menos uma vítima na Argentina.

Familiares recebiam os valores

As investigações apontam ainda que familiares dos presos atuavam fora do Regional na movimentação dos valores obtidos ilegalmente. A mulher presa no Bairro Aliança confessou à polícia que recebia quantias provenientes das fraudes praticadas pelo companheiro detido no presídio. Segundo o delegado Adair Marques Correa, em apenas dois meses teriam passado por ela aproximadamente R$ 60 mil oriundos dos golpes aplicados contra vítimas em diferentes Estados.

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“Os valores eram repassados em transferências fracionadas, variando entre R$ 500,00 e R$ 4 mil. Apenas uma das investigadas teria recebido mais de cem ‘Pix’ em cerca de dois meses”, explicou o delegado. A Polícia Civil e a Polícia Penal continuam analisando aparelhos eletrônicos e documentos apreendidos durante a operação. A suspeita é de que o grupo tenha feito dezenas de vítimas.

Polícia localizou e prendeu suspeitos dos crimes nos bairros Aliança e Dona Carlota | Foto: Luana Backes

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Integração das polícias é destacada por delegados

Segundo o delegado regional Jader Ribeiro Duarte, a ação representa uma demonstração clara da integração entre forças policiais no combate ao crime organizado. “Os criminosos acreditavam que, por estarem dentro de um presídio e distantes fisicamente das vítimas, permaneceriam impunes. Essa operação mostra justamente o contrário”, afirmou.

Jader também destacou o papel da Polícia Penal no controle interno da casa prisional e nas apreensões feitas durante a ofensiva. “O objetivo é mostrar que crimes praticados de dentro do sistema prisional serão combatidos com rigor. A integração entre as instituições foi fundamental para o sucesso da operação.”

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O delegado regional da Polícia Penal, Bruno Carlos Pereira, disse que a ação reforça a importância da atuação conjunta entre os órgãos de segurança pública. “Hoje demonstramos o quanto a união das forças é importante. Trabalhar em conjunto gera mais resultados e fortalece o combate ao crime organizado”, declarou.

Já o delegado da Draco de Santa Cruz do Sul, Marcelo Chiara Teixeira, ressaltou o crescimento dos golpes virtuais após a pandemia e a migração de criminosos para práticas de estelionato eletrônico. “Esses grupos se adaptaram. Muitos criminosos que antes atuavam em crimes patrimoniais violentos passaram a utilizar fraudes virtuais como fonte de renda ilícita.”

Números da operação

  • 20 agentes envolvidos
  • 13 mandados de prisão
  • 11 presos no presídio
  • 2 presos em bairros
  • 18 celulares apreendidos no presídio
  • 6 mandados de busca e apreensão em Santa Cruz
  • 1 mandado de busca e apreensão em Novo Hamburgo

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