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PROTEÇÃO

Vacina contra a gripe é liberada para a população a partir desta segunda; procura ainda é baixa

Meta é ampliar a cobertura vacinal para evitar casos graves de doenças respiratórias | Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Os postos de saúde de Santa Cruz do Sul começam a aplicar, a partir desta segunda-feira, 1º, a vacina contra a gripe em toda a população acima de seis meses de idade. A ampliação do público ocorre logo após o encerramento oficial da campanha nacional de vacinação, ocorrido no último sábado. As doses estarão disponíveis nas unidades básicas de saúde (UBSs) e de saúde da família (ESFs) nos horários habituais de funcionamento de cada local.

Embora o governo do Estado tenha dado autonomia para as prefeituras decidirem sobre a abertura irrestrita das doses, a Secretaria Estadual da Saúde (SES) e o Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs) recomendam cautela. A diretriz é que a ampliação para o público geral só ocorra se os municípios garantirem uma reserva estratégica para crianças, idosos e gestantes, que são os grupos mais suscetíveis a complicações da doença.

A diretora do Cevs, Tani Ranieri, alerta que o Ministério da Saúde não fará reposição adicional de estoque caso as doses se esgotem nas cidades após a abertura para a população geral. A preocupação das autoridades de saúde baseia-se na proximidade do inverno, período em que historicamente há o crescimento nas internações por influenza e Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAG).

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Fique atento

Para tomar a vacina contra a gripe, o cidadão deve apresentar um documento oficial com foto – como RG, CNH ou passaporte – e o Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou o Cartão Nacional de Saúde (CNS). Esses documentos são indispensáveis para a localização do cadastro na rede do Sistema Único de Saúde (SUS) e para o registro correto da dose aplicada no sistema nacional.

Embora não seja obrigatória para o atendimento geral, o Ministério da Saúde recomenda levar também a caderneta de vacinação. Esse item permite ao profissional da unidade avaliar o histórico do paciente e, se necessário, atualizar outras vacinas que estejam em atraso.

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Fiocruz diz que “risco é alto”

O Rio Grande do Sul foi reclassificado para o nível de alto risco para a transmissão de doenças respiratórias graves, de acordo com o mais recente boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O avanço das internações e a baixa adesão à vacina contra a gripe criaram um cenário epidemiológico crítico no território gaúcho às vésperas do inverno.

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Segundo os pesquisadores da instituição, as notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no Estado ultrapassaram o limiar considerado “muito alto” e ainda não dão sinais de estabilização ou desaceleração. O crescimento é impulsionado principalmente pela circulação da Influenza A e do Vírus Sincicial Respiratório (VSR). Os índices atuais já superam os registros de todo o ano de 2023 e de 2024.

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Adesão é baixa no Rio Grande do Sul

O cenário que motivou a recomendação de reserva de estoque se reflete nos números consolidados do Estado. Até o momento, a cobertura vacinal dos grupos prioritários (crianças, idosos e gestantes) no Rio Grande do Sul está em apenas 43,19%, muito abaixo da meta ideal de 90%. Das pouco mais de 3,1 milhões de pessoas previstas nessa faixa vulnerável, 1,77 milhão ainda não se imunizou.

O balanço aponta que a cobertura vacinal de crianças de seis meses a menores de seis anos é a mais baixa do Estado, atingindo apenas 32,61%. Entre as gestantes, o índice de proteção está em 50,35%, enquanto o público idoso registra a maior adesão proporcional, com 61,70% de cobertura.

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Balanço

Ao todo, o Rio Grande do Sul recebeu 3,87 milhões de doses da vacina contra a influenza das 5,2 milhões previstas pelo cronograma do governo federal. Do total, aproximadamente 2,15 milhões já foram aplicadas. Isso engloba também outros públicos atendidos nas fases iniciais da campanha, como professores, profissionais da saúde e portadores de doenças crônicas.

Municípios da região ainda estão longe de alcançar meta

A cobertura vacinal contra a gripe na Associação dos Municípios do Vale do Rio Pardo (Amvarp) está longe da meta de 90% estipulada pelo Ministério da Saúde. O balanço da Secretaria Estadual de Saúde, consolidado até 29 de maio, aponta disparidades entre as cidades e faixas de público na região. O cenário acende o alerta para as autoridades no momento em que o Estado se prepara para liberar os imunizantes a toda a população.

O grupo das crianças de seis meses a menores de seis anos registra o desempenho mais crítico na maioria das localidades. Rio Pardo ostenta a menor taxa de adesão regional nesse segmento, com apenas 15,75% de cobertura, seguido de perto por Venâncio Aires (19,19%). Em contrapartida, Gramado Xavier destaca-se ao atingir 61,62% desse público-alvo, demonstrando que as barreiras de imunização infantil não atingem a região de forma homogênea.

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Entre as gestantes, os índices ganham fôlego e registram os melhores tetos estatísticos da tabela. Pantano Grande lidera a proteção desse grupo com 73,97% de cobertura, acompanhado por Gramado Xavier (70,83%) e Vale do Sol (68,85%).

Entre idosos (pessoas com mais de 60 anos), o panorama regional mantém-se estabilizado em patamares intermediários, oscilando na faixa dos 30% aos 50% – Gramado Xavier volta a liderar com 50,60%, enquanto Rio Pardo tem o menor índice (32,53%).

Santa Cruz do Sul reflete a tendência observada no restante do território gaúcho. O município aplicou 2.132 doses em crianças (26,03% de cobertura), 441 em gestantes (40,76%) e 12.918 em idosos (46,13%). Embora concentre o maior volume absoluto de aplicações em razão do tamanho de sua população, o município ainda precisa alcançar mais da metade de seus grupos prioritários para chegar aos níveis recomendados de segurança coletiva antes do inverno.

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